Arte e Cultura

Uma pauta entre aromas

Por Redação Cariri • 11 de junho de 2019

Por Renata Linard.

 

Sempre levo para as reuniões de pauta assuntos que dialogam com minha essência. É meio óbvio que o jornalista vai sugerir ao veículo que trabalha a produção de assuntos que falam um pouco dele. No meu caso, as Terapias Integrativas passaram a fazer parte das minhas anotações semanais.

Conheci esse leque de práticas holísticas de uma forma despretenciosa, ainda enquanto universitária. No pátio da Universidade Federal do Cariri (UFCA), celebravam o “Dia D da saúde do Estudante”. Eu, cansada de provas e seminários, fui seduzida pelo espaço que continha uma maca. Queria receber alguma massagem. Foi isso que pensei que ofereceriam, mas não. Lá estavam algumas reikianas. Eu nunca nem tinha ouvido falar, mas elas me explicaram que o Reiki é uma prática, realizada através da imposição das mãos, que garante bem-estar físico e mental. Como uma boa aquariana, me joguei. Relaxei profundamente. Até esqueci que estava nos corres de uma aspirante a jornalista.

Essa breve introdução é necessária para mostrar que, ao contrário do que muita gente imagina, as Terapias Integrativas não são estritamente relacionadas à religião ou direcionadas a um perfil de pessoa necessariamente hippie ou zen.

Depois desse dia na UFCA, recorri a sessões de Reiki para me recuperar de uma internação hospitalar e foi uma decisão um tanto quanto acertada. Satisfeita, comecei a pesquisar sobre outras formas de terapias e eis que a curiosidade e a afinidade me levaram até um grupo de mulheres terapeutas que atendem na cidade de Crato.

Quando eu achei o endereço no Instagram, não pensei duas vezes e mandei um direct me apresentando enquanto jornalista, já com o interesse de levar a palavra das Terapias Integrativas para todos. Fui calorosamente acolhida e conheci formas de terapias que eu nunca sequer tinha ouvido falar. Cada visita é um papo extenso, com bolo e café.

ELAS COSTURAM UMAS AS OUTRAS

Aquela sensação de fortalecimento feminino foi me deixando cada vez mais apaixonada pelas possibilidades de cuidados: seja consigo ou para outras pessoas.

Nas últimas idas ao espaço de terapias, conheci Lilian Araújo, que me deixou tranquila no sorriso fácil e hospitaleiro. Na quinta-feira da semana em que a encontrei, fui para a reunião de pauta e sugeri falarmos de aromaterapia. A pauta foi acatada e eu fiquei imaginando como eu faria a elaboração do conteúdo. Coincidentemente – ou não – Lilian e eu trocamos uma ideia no sábado, dois dias após definir a pauta.

Cheguei, mais uma vez e estava aberta a vivenciar alguma das práticas que ela oferece. Vale ressaltar que me comportei como cliente/paciente e não como jornalista.  Lilian me propôs iniciarmos com o Baralho Cigano e eu topei. Ela embaralhou as cartas, com os seus dedos que aparentam serem experts em cafuné de mãe. Eu retirei três delas e as dispus, segundo as orientações da terapeuta. Através desse primeiro contato, tivemos um direcionamento sobre como eu estava naquele momento: minhas fragilidades, aspectos a serem trabalhados e sobretudo por onde começaríamos.

Lilian me olhou e, com convicção, anunciou que iniciaríamos o processo terapêutico com aromaterapia e fitoenergética. Eu ri. Não tinha como ter outra reação. A pauta realmente perpassaria por uma experiência pessoal e sequer havia anunciado isso a ela. Depois da recomendação, dividi com Lilian que aquele contato serviria para a minha tarefa profissional e seguimos adiante.

MAS, AFINAL: O QUE É AROMATERAPIA?

Lilian trabalha com Aromaterapia e Fitoenergética. Essas práticas consistem no uso das ervas e dos aromas como recursos terapêuticos. As técnicas podem ser usadas para a elaboração de perfumes terapêuticos, sinergias, óleos de massagem, entre outras variações. Não há contraindicação para o uso desses recursos. “A gente não fala muito em contraindicação porque é uma terapia tão sutil, que é difícil ter algum efeito no sentido contrário. Mas, existem sim algumas pessoas que são mais sensíveis a algum elemento químico. Então, a gente precisa ter um certo cuidado. Existe um cuidado mais específico com pessoas muito alérgicas, gestantes e bebês, que são públicos bem delicados. Quando indicamos a aromaterapia, a gente sempre faz a indicação dos óleos que garantem segurança, para que seja feito o uso principalmente por esses públicos. A aromaterapia pode ser usada por qualquer pessoa e também em ambientes, para harmonizar”, explica Lilian.

Ela alerta para a diferenciação que existe entre óleo essencial e extrato oleoso. A principal diferença se dá pela forma de extração. “O óleo essencial é o mais puro. Ele tem uma cromatografia que comprova que naquele óleo tem determinados componentes químicos que fazem os efeitos que a gente espera que ele atue. Por exemplo: um extrato oleoso de hortelã, que a gente encontra em feirinhas, o pessoal acha que é óleo essencial e não é. Ele [o extrato oleoso] tem uma parte do óleo da planta, mas a forma de extração dele não requer um controle de qualidade tão específico, o que não garante que ele seja puro. Então ele pode ser uma mistura de coisas”, esclarece a terapeuta.

ABRINDO-SE AO NOVO

Dadas as devidas explicações, voltemos à minha experiência. Lilian abriu sua nécessaire e tirou de lá diversos frascos de óleos essenciais. Era impossível observar seus movimentos suaves e, ao mesmo tempo, cheios de convicção e não sentir uma sensação de segurança. Fiquei cada vez mais envolvida naquele processo e ela foi me entregando os óleos para que eu os cheirasse. Fui separando os que me agradaram e os que me causaram uma certa repulsa. Gostei de poucos, confesso. Ao final da “triagem”, ela me disse que, geralmente, os óleos que não agradam são os indicados para tratar questões que estão precisando serem resolvidas.

Lilian separou os óleos que usaria para fazer a minha sinergia e disse que, após a lua nova, me entregaria. Mesmo sem receber logo de cara os óleos, pude sentir a eficácia desse tipo de experiência. É preciso, sobretudo, estar despido de preconceitos e ceticismos. Confiar em alguém já e ter um pouco de fé, não é? Então basta nutrir esse tipo de pensamento para vivenciar a subjetividade das práticas integrativas. E agora serão novas fases, tais quais as da lua: usar a sinergia, combinar com os cristais adequados e acompanhar as transformações que a aromaterapia me proporcionará.

 

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