Arte e Cultura

Setembro Amarelo: informação em defesa da vida

Por Márcio Silvestre • 14 de setembro de 2020

A prevenção ao suicídio e a valorização da vida são temas que precisam ser discutidos ao longo de todo o ano. Neste mês, a campanha Setembro Amarelo ressalta a importância deste debate. Abordar o assunto de forma clara e objetiva, além de fornecer informações que podem ajudar a prevenir o suicídio e, sobretudo, orientar a sociedade sobre os cuidados em saúde mental é um dos objetivos desta campanha.

Considerado um problema de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio está entre as principais causas de morte de jovens entre 15 e 29 anos. Estima-se que, em cerca de 96% dos casos, o ato de tirar a própria vida está associado a transtornos mentais, que, assim como qualquer outra doença, têm diagnóstico, tratamento e prevenção. A coordenadora do Serviço de Psicologia do  Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto (HSM), Juliana Sampaio, afirma que a informação correta pode ser essencial para evitar casos de suicídio.

“As pessoas precisam saber onde buscar ajuda e orientações sobre sinais que indiquem risco de suicídio. Se você conhece alguém próximo que verbaliza, mesmo que indiretamente, a intenção de não mais viver, tente conversar de forma aberta, com respeito e sem julgamento. Incentive-a, também, a buscar ajuda profissional. Pessoas que estão em situação de sofrimento geralmente encontram-se vulneráveis emocionalmente e dizer algo equivocado pode fazer a pessoa piorar”, alerta.

Ainda de acordo com a psicóloga, os dois principais fatores de risco para suicídio são a tentativa de suicídio e o diagnóstico de transtorno de humor. “Existem outros fatores adicionais que precisam ser levados em consideração, como história familiar de comportamento suicida, exposição à violência familiar, abuso de drogas, impulsividade, ausência de apoio familiar e presença de armas de fogo em casa”, pontua Juliana Sampaio, que ressalta algumas das formas de prevenção.

“Há fatores de proteção importantes, como habilidades positivas de enfrentamento, apoio social positivo, senso de responsabilidade com a família, religiosidade e satisfação com a vida”, explica. É fundamental frisar que o tema deve ser abordado pelos profissionais de saúde e pela imprensa de forma responsável. Com a ampliação do acesso aos meios de comunicação e às redes sociais, o cuidado deve ser redobrado para que informações incorretas ou inadequadas sejam veiculadas ou divulgadas de forma sensacionalista.

Segundo o psiquiatra e preceptor da residência em Psiquiatria do HSM, Matias Carvalho, a sociedade precisa compreender o sofrimento mental para saber como agir diante de situações de risco. “Qualquer pensamento de morte ou ação que remeta ao suicídio é muito importante ser levada a sério. Nessa hora, é necessário buscar ajuda de profissionais como psicólogos e psiquiatras para que o problema seja avaliado. Muitas vezes, recomendamos o uso de medicamentos e conseguimos êxito. O pensamento suicida é um pedido de ajuda, é uma situação de extremo desespero que merece acolhimento”, orienta.

Setembro Amarelo

O Setembro Amarelo tem como objetivo principal conscientizar a sociedade a respeito da prevenção do suicídio. Criada em 2015 pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), a campanha acontece durante todo o mês de setembro e reforça a importância do Dia Mundial de Prevenção do Suicídio (10 de setembro).

 

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Márcio Silvestre

Márcio Silvestre

Formado pela Universidade Federal do Cariri (UFCA), com experiência em Assessoria de Imprensa e Produção Cultural. "A comunicação e a arte se cruzam no meu caminho. Descobri no jornalismo a oportunidade de contar histórias e compartilhar conhecimento".