Arte e Cultura

Influenciadores Digitais: a linha tênue entre a realidade e a performance

Por Márcio Silvestre • 30 de agosto de 2019
Foto: Freepik

A popularização das redes sociais revolucionou a comunicação. Com apenas um aparelho as pessoas conseguiram transformar a vida privada em uma agenda pública, meio de negócio e manipulação. Essa é a era dos influenciadores digitais, os novos formadores de opinião, capazes de alcançar um grande número de seguidores, likes, comentários e engajamento, num mercado aparentemente sem dono que é a internet.

A psicóloga Francyelly Félix destaca que nem sempre a exposição excessiva nas redes sociais corresponde, de fato, a uma realidade subjetiva ou social. “Podemos expor através das nossas redes sociais uma falsa felicidade, um posicionamento que não corresponde, necessariamente, ao nosso, mas que representa aquilo que as pessoas querem ou esperam ouvir”, afirma a profissional. A psicóloga também ressalta que a exposição nas redes está intimamente relacionada à sociedade do espetáculo, fenômeno que o pensador polonês, Zygmunt Bauman, atribuiu à pós-modernidade.

De acordo com Francyelly, muitas vezes nesse espaço de se colocar à mostra não cabe o verdadeiro eu. Embora façam lindas viagens e participem de grandes festas, muitas dessas pessoas se sentem tristes e solitárias. São pessoas que apresentam desejos e conceitos, enquanto escondem seu verdadeiro propósito, sua essência.

Exercendo a autenticidade nas redes e ressignificar  a influência

Em 2013, quando iniciou sua conta no instagram, a estudante de Direito, Natália Viana, tinha 3 mil seguidores, hoje ela já tem um público de mais de 25 mil. O segredo para tanta popularidade? A autenticidade. A blogueira não usa filtro para “abrilhantar” a vida, e afirma não ter perdido sua essência quando começou a utilizar o instagram como um modelo de negócio.

Ser influencer não só para repercutir suas ideias, mas também para ouvir seus seguidores. De acordo com Natália, a melhor parte de seu trabalho são as relações de amizade que surgem com seus seguidores. Foto: Márcio Silvestre.

O termo “modelo de negócio” pode até soar estranho, mas as redes sociais são para muitos influenciadores um trabalho. “Quando eu comecei era por hobby. Eu trabalhava em uma loja de roupas e pegava algumas peças para provar e dar dicas. Com o tempo foram aparecendo convites e vi isso como uma forma de trabalho”, afirma.

“Na minha conta falo sobre tudo: artesanato, moda, maquiagem, internet, ansiedade e vida acadêmica. Apresento a minha perspectiva sobre esses assuntos. A gente tem que utilizar essas coisas ao nosso favor e não ser refém delas”, explica Natália. A influenciadora tem como referência o trabalho de Thays Lessa, “ela tem uma proposta incrível sobre a ressignificação da influencer, que é um propósito mais humanizado, trabalhar a autoestima, a aceitação do corpo, não ser refém da indústria da moda, ou das cirurgias plásticas”.

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Márcio Silvestre

Márcio Silvestre

Formado pela Universidade Federal do Cariri (UFCA), com experiência em Assessoria de Imprensa e Produção Cultural. "A comunicação e a arte se cruzam no meu caminho. Descobri no jornalismo a oportunidade de contar histórias e compartilhar conhecimento".