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SAP amplia acesso dos detentos à formação educacional

Por Márcio Silvestre • 28 de outubro de 2019

O Núcleo de Educação da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) do Estado do Ceará tem ampliado o acesso dos detentos à formação educacional, oferecendo cursos do fundamental ao ensino médio. Mais mil alunos foram inseridos por meio da parceria entre a SAP e a Secretaria de Educação do Estado (Seduc).

Com esse acréscimo, o número de internos assistindo aula, foi ainda mais ampliado. Já são 3.450 presos que estudam dentro do sistema prisional do Ceará, incluindo as unidades da Região Metropolitana de Fortaleza e interior do estado. No mesmo período em 2018, a quantidade de detentos era de 1.693.

São 22 professores envolvidos nessa ampliação no número de alunos. Os novos internos foram selecionados após uma longa sondagem feita pela equipe da SAP e Seduc ao longo do ano. De acordo com o assessor Educacional da SAP, Rodrigo Moraes, as práticas disciplinares e a nova organização dentro das unidades proporciona esse crescimento. “As condições nas unidades prisionais proporciona a expansão da oferta da escolarização. O interesse dos internos também é grande, praticamente todos os internos têm interesse no projeto educacional. Sem falar nas salas de aulas que estão reformadas, ampliadas e os professores com mais interesse em lecionar dentro do sistema prisional”, relatou.

Experiência que gera novas oportunidades

Contratada para uma dessas novas turmas, a professora do Ensino Fundamental I, Eliane Costa, fala da experiência de lecionar dentro de uma unidade prisional. “Lembro que recebi a notícia dessa convocação no dia do meu aniversário. Foi um misto de emoção e entusiasmo. É a minha primeira experiência como educadora no sistema prisional. Alguns deles estavam há bastante tempo sem estudar, com visível dificuldade. Gradativamente nós vamos afinar o processo. Eles trazem suas vivências e eu devolvo com ensino. Eles estão empenhados e nós conseguiremos atingir o grande objetivo com cada um deles”, atesta.

O interno Michael Lopes de Sousa, de 26 anos, comenta sobre a nova oportunidade. “Lá fora eu trabalhava como operador de comunicação visual em gráficas. Estar aqui não é fácil, mas os cursos de qualificação e a possibilidade de voltar a sala de aula nos deixa confiante para o retorno à sociedade. Sonho com o dia do retorno a liberdade, junto ao convívio do meu filho e família. Voltarei ao trabalho de comunicação visual e quero também operar o trabalho como bombeiro hidráulico, que aprendi aqui dentro no curso do Senai”, declara.

Os internos estão dividos em 10 unidades prisionais, em que, o Centro de Detenção Provisória (CDP) tem o maior número de salas com sete. A cadeia pública de Juazeiro do Norte e o Institutto Penal Professor Olavo Oliveira (IPPOO 2) estão com três turmas. Com duas salas de aula cada estão as Penitenciárias de Sobral (PIRS), Cariri (PIRC) e o Centro de Triagem e Observação Criminológica (CTOC). A Casa de Privação Provisória de Liberdade Professor Clodoaldo Pinto (CPPL 2), Casa de Privação Provisória de Liberdade Professor Jucá Neto (CPPL 3), a Unidade Prisional Desembargador Adalberto de Oliveira Barros Leal (Caucaia) e a cadeia pública de Acopiara completam a lista com uma sala de aula cada.

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Márcio Silvestre

Márcio Silvestre

Formado pela Universidade Federal do Cariri (UFCA), com experiência em Assessoria de Imprensa e Produção Cultural. "A comunicação e a arte se cruzam no meu caminho. Descobri no jornalismo a oportunidade de contar histórias e compartilhar conhecimento".