Arte e Cultura

O tesouro escondido de Miguel

A coluna de Grandes Caririenses dessa semana homenageia Miguel Lacerda, que fez de sua casa, no Crato, um museu particular com mais de 500 peças de antiquário que vem colecionando há mais de 40 anos
Por Alana Maria • 8 de julho de 2019

Na rua José Carvalho, 168, a casa estreita de Miguel Lacerda, 65 anos, esconde a riqueza da memória. Miguel fez de sua casa, no Crato, um museu particular com mais de 500 peças de antiquário que vem colecionando há mais de 40 anos. Isso porque nele, como em qualquer colecionador nato, a nostalgia dos tempos passados bate forte. Encontram-se belos rádios dos anos 1950, conservadas bicicletas Caloi Barra Forte e Goricke de 1964, máquinas de escrever e antigas calculadoras feitas de ferro e chumbo usadas no comércio. Em sua singela sala de estar, um birô centenário, de madeira nobre e acabamento delicado, que se camufla com papeis e envelopes sobre ele jogados. De LP’s, sanfonas, livros, revistas à cachimbos e moedas, “tudo que for antigo é de meu interesse”, anuncia o simpático Miguel.

Por falta de espaço, alguns objetos estão postos quase como de maneira aleatória. Um caos. Sem catalogação, nome, data, função ou mesmo plaquinha de “por favor, não toque”, o tesouro escondido de Miguel está, na verdade, ao alcance da mão do visitante. “Não tenho ciúme ou dó das pessoas mexerem, acho é bom”, diz. “Só fico mesmo desconfortável quando querem sentar ou encostar no carro. Aí tenho que dar um jeitinho de tirar ela dali sem parecer grosseiro”, releva rindo de sua pequena luxuria pelo Ford Corcel, 1978, amarelo estacionado na frente da casa.

“Tudo que é antigo é de meu interesse” diz Miguel, alegrando-se de cada nova aquisição para seu museu domiciliar.

Usando pelo menos três compartimentos da casa, todas as estantes, prateleiras e armários são abrigos do que Miguel carinhosamente adquiriu ao longo dos anos. Nem tudo está guardado ali, boa parte ainda se encontra na garagem de seu filho, na rua Dom Pedro II. Só na casa onde mora, Miguel conta mais de 50 rádios antigos, de diversos formatos e tamanhos: dos pequenos de carregar aos jogos de futebol até os grandalhões que foram móveis em muitas salas de estar do século passado. Outro orgulho é uma câmera fotográfica Kodak da década de 1960, rara de se encontrar.

O rádio de presente, aquele que começou tudo, Miguel não tem mais nem lembrança dele. Ressente. Se tem algo que não gosta é se desfazer de algo. “A briga é grande”, assegura. Só não é maior do que o trabalho que dá manter tudo limpo. Sua esposa, Josenir Lacerda, poetisa e artesã, compartilha do gosto de Miguel, apesar de ter resistido a ideia no primeiro momento.

“Tudo que é antigo é de meu interesse” diz Miguel, alegrando-se de cada nova aquisição para seu museu domiciliar. (Fotos: Alana Maria)

“Só tem uma coisa que eu me desfiz, e nem foi desfazer, foi uma doação. Doei um rádio e uma estante ao Pedro Lucas, menino interessante que criou um museu do Luiz Gonzaga, em Exu”, conta que a animação do rapaz de 10 anos foi motivo suficiente para ajudá-lo na empreitada.

Com alegria, confessa que se sente como uma criança ao ganhar um brinquedo quando recebe ou adquire um novo item para sua coleção. “Meu sonho é mudar para uma casa maior, onde eu possa guardar tudo bem organizado, cada coisa em seu lugar”, mas a pequena condição financeira ainda não permitiu a realização. Mas garante que ninguém vai acabar seu museu particular, agora, aberto para visitação.

AGENDE UMA VISITA

Museu de Antiguidades de Miguel Lacerda
Rua José Carvalho, 168 – Centro – Crato
Telefone: 3521-0827  

 


Foto de destaque: Alana Maria

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