Cariri Sustentável

O design e a sua produção atrelada a sustentabilidade

Por Edição Cariri • 10 de dezembro de 2020

Por Joelton Barboza

Pensar em sustentabilidade é bem mais amplo do que muitos imaginam, e o leque de abrangência é bem vasto, abarcando várias áreas e profissões no fazer operacional. No Design, por exemplo, existem muitas formas de se abordar a sustentabilidade: desde a concepção de produtos menos impactantes ao meio ambiente, como materiais, processos, reaproveitamento, reciclagem, etc, até a criação de sistemas e serviços que não exijam um produto físico ao final.

Para Juliana Loss, docente do curso de Design da Universidade Federal do Cariri (UFCA), o designer pode propor modelos para serem feitos em casa com aquilo que as pessoas já têm. “Existe ainda o design para o comportamento sustentável, quando se desenvolve um artefato que faz com que as pessoas tenham atitudes mais sustentáveis: um chuveiro que emite sinais sonoros quando se atinge um limite de gasto energético e de água, por exemplo”, disse.

Amana, umidificador de ar de Rafael Monteiro, fruto do TCC orientado por Juliana

Juliana destaca que esse conceito ainda é algo que necessita ser estimulado de modo específico com temáticas, disciplinas, concursos, mas a longo prazo, espera-se que as duas temáticas não sejam dissociadas. Segunda ela o design é um dos responsáveis por construir muitos problemas ambientais que vemos hoje. “Quem desenvolveu as garrafas, sacolas plásticas, chinelas quebradas que vemos todos os dias jogados nas ruas? Se contribuímos para chegar nessa situação, certamente somos responsáveis por buscar caminhos para sair dela”, explicou.

Modelo de caixas, em formato de imã de geladeira, para serem realizadas em casa, fruto do trabalho de TCC de uma aluna com orientação de Juliana. O objetivo é auxiliar idosos na administração correta de remédios.

Da academia para o mercado de trabalho

Desde o seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), em 2014, que o Designer Edênio Camilo trabalha com sustentabilidade. Recentemente ele fez o pré-lançamento da coleção de camisetas que ele iniciou no seu TCC e que, após anos de preparação, finalmente colocou em prática, com embalagem sustentável feita a partir de algodão cru, desenvolvido por artesãs e costureiras, com a impressão feita em xilogravura e tinta atóxica. “Todos os meus trabalhos comerciais têm uma linha sustentável e eu acho isso muito importante pois o planeta precisa dessas iniciativas” disse.

Loss lembra que sempre busca falar de design de modo indissociável com a sustentabilidade. Ela ministra a disciplina de Ecodesign onde trabalha o histórico desta discussão e as várias abordagens possíveis. “Já atuei em projetos de extensão com comunidades produtoras de artesanato buscando, entre outras coisas, a produção de artefatos com menor impacto ambiental. Nos trabalhos de conclusão de curso também é recorrente os estudantes desenvolverem projetos nesse sentido”, enfatiza.

Sandália plataforma da marca Insecta feita com roupas usadas

Para ela, um marco na discussão de design e sustentabilidade foi quando o designer Victor Papanek lançou o livro “Design for a Real World”, em 1971. “Nele Papanek criticava a sociedade de consumo em massa e chamava os designers para trabalhar em prol das populações que viviam em situação de exclusão e miséria. Na década seguinte o Relatório Brundtland, “Nosso Futuro Comum” dava início às discussões em nível global sobre os impactos da atividade humana no mundo e quais estratégias deveriam ser lançadas na reversão do cenário. Como o design trata diretamente da transformação de matérias primas, muitas vezes não renováveis, em novos produtos, não há como desde então deixar de abordar o tema”, pondera.

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