Arte e Cultura

O cinema delas: o Festival de Berlim 2019 abre espaço

Por Redação Cariri • 5 de março de 2019

(Homenageada no Festival de Berlim, a Diretora belga Agnès Varda exibe troféu Caméra d’Or, após premiação. Foto: Adam Berry/EFE)

Por Elvis Pinheiro.

As mulheres já venderam muitos filmes como musas, encarnando papéis que preenchiam a tela de modo brilhante e espantoso. O Star System transformou atores e atrizes em astros e estrelas, mas principalmente às mulheres o glamour dessa lógica de contratos exclusivos e uso espetacular de suas vidas forjou suas carreiras. Da enigmática Greta Garbo, da sensual e andrógina Marlene Dietrich, passando por Rita Hayworth que depois do filme Gilda desabafou: “Os homens vão para a cama com Gilda e acordam com Rita” todas sofreram o reverso da fama. Por traz dessas imagens construídas de perfeição, uma vida solitária, salários menores que os dos homens e muito assédio. Hoje em dia, depois do forte ativismo que se instaurou na indústria cinematográfica as coisas começam a mudar.

A História do Cinema foi feita desde o início por realizadoras importantes que estavam por trás das câmeras, dirigindo, escrevendo roteiros, editando filmes. Seus nomes, infelizmente, não foram devidamente reverenciados. Nos anos 20 o Impressionismo Francês produziu obras revolucionárias e desse grupo um dos nomes de destaque era o de Germaine Dulac que de 1915 a 1934 dirigiu mais de duas dezenas de filmes.

No Festival de Berlim deste ano, presidido pela atriz Juliette Binoche, uma das homenageadas foi Agnès Varda, aos 90 anos, matriarca da Nouvelle Vague que continua lançando documentários sempre elogiados pela crítica. Em 2017 a cineasta ganhou um Oscar Honorário pelo conjunto da obra. O Urso de Prata de Melhor Diretor foi concedido a uma mulher, Angela Schanelec pelo filme I Was at Home, But, numa competição onde outras 13 realizadoras, incluindo a própria Agnès Varda, apresentaram seus filmes em todas as categorias do Festival.

No Cinema ou na Literatura perguntamos pelo autor. No filme A Esposa acompanhamos a performance de Glenn Close no papel de uma escritora que escreveu os romances no lugar do esposo que levou toda a fama. J. K. Rowling publicava seu nome desta forma porque se deixasse claro sua identidade feminina as pessoas não comprariam seus livros. A vida não é fácil para esses seres humanos extraordinários que produzem uma Arte única a partir de um olhar específico. Que o número de mulheres cineastas laureadas se multiplique num sistema onde muito mais delas possam produzir e exibir seus filmes.

Assista alguns filmes com protagonismo feminino:
  • Acusados (1988, Dir. Jonathan Kaplan).
    Sarah Tobias é brutalmente estuprada por três homens em um bar, enquanto pessoas assistem e incentivam o ato. A advogada Kathryn Murphy, responsável pelo caso, concorda com a pena mínima que foi dada aos criminosos. Mas a vítima decide lutar por justiça, na esperança de que aqueles que encorajaram e testemunharam o estupro também sejam punidos. Para isso, ela terá que reviver a noite do ataque.

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  • As Sufragistas (2015, Dir. Sarah Gavron)
    O início da luta do movimento feminista e os métodos incomuns de batalha. A história das mulheres que enfrentaram seus limites na luta por igualdade e pelo direito de voto. Elas resistiam à opressão de forma passiva, mas, a partir do momento em que começaram a sofrer uma crescente agressão da polícia, decidiram se rebelar publicamente.

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  • Persépolis (2008, Dir. Marjane Satrapi, Vincent Paronnaud)
    Uma jovem iraniana que sonha em ser vidente acompanha de perto a queda do Xá e de seu regime brutal. No entanto, ela acaba se revoltando contra as imposições fundamentalistas dos rebeldes, especialmente contra as mulheres.
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  • Gloria Allred – Justiça para Todas (2018, Roberta Grossman, Sophie Sartain)
    O documentário conta a história, com o lado profissional e a vida pessoal, de Gloria Allred, uma advogada americana feminista que lutou contra alguns dos maiores nomes da política e dos negócios. Ela sempre se destacou por seus casos muitas vezes polêmicos, principalmente os que envolvem proteção aos direitos das mulheres.
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  • Revolução em Dagenham (2010,  Nigel Cole)
    Rita O’Grady (Sally Hawkins) trabalha para a Companhia Ford Motors, em Dagenham, Reino Unido. Cansadas do tratamento que as mulheres recebem na empresa, Rita, junto com as demais trabalhadoras, encoraja e lidera um manifesto contra a discriminação e o machismo.
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  • Histórias Cruzadas (2012, Tate Taylor)
    Nos anos 60, no Mississippi, Skeeter é uma garota da sociedade que retorna determinada a se tornar escritora. Ela começa a entrevistar as mulheres negras da cidade, que deixaram suas vidas para trabalhar na criação dos filhos da elite branca, da qual a própria Skeeter faz parte. Aibileen Clark, a emprega da melhor amiga de Skeeter, é a primeira a conceder uma entrevista. Apesar das críticas, Skeeter e Aibileen continuam trabalhando juntas e, aos poucos, conseguem novas adesões.

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