Arte e Cultura

Moda e sustentabilidade: como ter estilo e ajudar o planeta?

Por Redação Cariri • 14 de junho de 2019
Patrícia celebra a ascensão do seu empreendimento. O espaço é bastante convidativo. Foto: Renata Linard.

Por Renata Linard.

A pauta da sustentabilidade é algo cada vez mais recorrente em diversas áreas. Na moda, não é diferente. Os Brechós são uma prova disso. Esse modelo de vendas surgiu na Europa e tem ganhado cada vez mais espaço em todo o mundo. Aqui no Brasil, essa onda começou no Rio de Janeiro e caiu no gosto popular. A boa notícia é que o Cariri não ficou de fora e tem se tornado um lugar de achados valiosos!

Patrícia Ferreira é uma das porta-vozes desse movimento de moda sustentável. A figurinista montou o seu brechó despretensiosamente e hoje tem um público fiel e crescente. Na cidade de Crato, o brechó mistura arte, itens de papelaria, roupas e sapatos, além de muita atitude. Ela conta que a ideia começou quando seu companheiro observou a quantidade de roupas que ela mantinha numa arara, dentro de seu quarto. “Eu tinha uma arara enorme, de metal, só de roupas minha. Quando eu conheci Luiz, eu não usava a maior parte das coisas. Aí ele disse: ‘por que tu não faz um brechó com essas tuas roupas?’ Aí eu achei uma boa ideia”, conta.

Vestindo consciente 

Patrícia diz que, antes de apostar na ideia do brechó, havia tido um contato rápido com o universo da moda através de uma palestra sobre upcycling. O termo estrangeiro significa uma filosofia de consumo baseada na ressignificação de peças de roupas. O upcycling propõe reutilizar itens que seriam descartados e esse processo se dá sem o uso de processos químicos. Além de criativa, a técnica requer um baixo custo e não emite poluentes.

As peças são dispostas cuidadosamente para a escolha do consumidor. Foto: Renata Linard.

Bastou engatar a ideia do desapego para que a moda sustentável invadisse o coração de Patrícia. De lá para cá, ela fez curso de figurinismo, estuda costura e já participou, inclusive, do DFHouse, em Fortaleza. A participação do evento na capital cearense foi como membro da equipe da Gabriela Mazepa, do projeto Re-Roupa. “É muito massa você ver que a galera se empenha para fazer o negócio acontecer. Algumas marcas, alguns estilistas sempre tentam passar uma mensagem bem positiva”, relembra.

Hoje, Patrícia diz que ainda enfrenta alguns preconceitos sobre a essência do brechó, mas ela continua resistindo e investindo nesse projeto. “Já esteve muito pior, mas a gente ainda encontra pessoas que chegam procurando peças de R$ 2,00, R$ 5,00… Tem uma coisa que essas pessoas não levam em consideração: o que está por trás da peça. Aqui tem muita peça de marca, que tem uma vida útil maior. A gente tem um espaço confortável, limpo e tudo isso agrega valor”, explica.

Por que comprar em brechó?

A indústria da moda é uma das que mais contribui para a poluição do meio ambiente. Para produzir algodão, por exemplo, geralmente são utilizadas substâncias tóxicas. Segundo uma pesquisa realizada pelo Lyst, site especializado em consumo online, e divulgada pela Capricho, as pesquisas sobre moda sustentável cresceram 66% em 2018.

A jornalista Giovanna Duarte é uma adepta dos brechós há quase dez anos. Ela diz que, primeiramente, o que a fez aderir a essa forma de consumo foi o fato econômico. Mas, com o passar do tempo, entendeu que o impacto era bem maior, sendo uma forma de contribuir com o planeta. “Comprar em brechó é para quem abarca a ideologia mesmo. Porque é um certo ritual: encontrar um brechó, entrar, ver peça por peça, conferir a qualidade, experimentar ou não (no lugar mesmo), barganhar às vezes. Eu adoro fazer tudo isso”, relata.

Giovanna é apaixonada por brechós e mantém, além de roupas, seus laços afetivos. Ao lado do amigo Caio, ela posa com o mesmo vestido quatro anos depois. Fotos: Acervo Pessoal.

Giovanna conta que percebeu a importância dessa mudança na sua vida quando se deparou com uma foto de anos atrás e ela estava usando a mesma peça que vestia numa foto recente. “Outro dia, tirei uma foto com um amigo e percebi que eu estava com o mesmo vestido de uma outra foto da gente feita em 2014. Fiquei muito feliz com a roupa e a amizade sustentáveis. E essa roupa que é uma das minhas favoritas, me custou apenas cinco reais. Permanece intacta a costura, a cor”, descreve.

Vale lembrar que artigos de luxo também pode ser encontrados em brechós. Os dados do Lyst indicaram ainda que houve um aumento de 62% nas pesquisas por peças vintage de marcas como Fendi, Dior e Louis Vuitton.

CATEGORIA:

Redação Cariri