Cariri Sustentável

Meio Ambiente após COVID-19, reforça a necessidade de manter pacto global a favor do clima

Por Carolina Barros • 16 de abril de 2020

Quando pessoas no mundo inteiro se viram obrigadas a permanecer dentro de suas casas para mitigar os riscos e agravos causados pela pandemia do COVID- 19, em diversos lugares começaram a surgir indícios de que haveria um certo alívio nos sintomas das enfermidades ambientais que há séculos afetam o planeta.

A diminuição do tráfego de veículos e do ritmo acelerado de produção das fábricas e indústrias nas grandes cidades e centros urbanos resultou inicialmente na redução de emissões de gases poluentes como o monóxido e dióxido de carbono, agravadores não apenas de problemas respiratórios, mas sobretudo do efeito estufa e consequente aquecimento global.

Na Itália, onde o Novo Coronavírus matou milhares de pessoas, o confinamento impôs a ausência humana em lugares de grande circulação como os principais pontos turísticos, ocasionando situações surpresas, entre elas o clareamento das águas dos canais de Veneza que atraiu o reaparecimento de animais aquáticos. Na China imagens de satélite da NASA revelaram um céu livre de dióxido de nitrogênio e no Japão e Tailândia foi possível registrar animais silvestres circulando livremente pelas ruas da cidade deserta de gente, fato que se repetiu em cidades mundo afora.

Animais invadem cidades durante isolamento social

 

 

Imagens do céu da China antes e depois da pandemia

 

No entanto a repentina melhoria da qualidade do ar e da água não significa exatamente que o panorama atual com a quarentena se mantenha trazendo benefícios ao meio ambiente. Especialistas estimam que possa resultar a longo prazo, num quadro ainda mais grave da situação ambiental.

Análises apontam que sem sair de casa há maior consumo de energia e gás, além do aumento da produção de resíduos.

Na última quarta-feira, 22, o Secretário Geral da Organização Metereológica Mundial (OMM), Petter Taalas, afirmou que a redução mundial de 6% na emissão de dióxido de carbono no período de pandemia não acarretou até então nenhuma mudança climática e ainda mencionou a possibilidade de que com o fim do confinamento social e retomada das atividades industriais haja maiores níveis de emissões de poluentes, mantendo a continuidade dos prognósticos negativos para o clima.

Dados do último relatório Global Climate da OMM mostrados em reportagem no site da Organização das Nações Unidas nesta quarta-feira 22 revelam que os níveis da emissão de CO2 continuam a subir. O levantamento contatou 18% de aumento entre os anos de 2015 a 2019 em relação aos 5 anos anteriores, sendo também este o período mais quente já registrado.

  O discurso da ONU reforça que a sociedade deve buscar métodos para reduzir as oscilações do clima pois da forma como têm se manifestado, poderão ocasionar danos à saúde, escassez de alimentos, fome e impactos ainda maiores sob a economia.

 

 

Carolina Barros

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