Crônicas

 JOB DE VERÃO 🌞

Por Filipe Pinho • 14 de março de 2019

Não são poucos os países em que os empregos variam de acordo com o clima. Soube dessa história conversando com um amigo que passou cinco anos na Irlanda (ou foi na Colômbia, não lembro direito). Ele me disse que no verão – solzão bombando, praias lotadas – trabalhava como salva vidas e no inverno – um frio lascado, a turma toda escondida dentro de casa – ele tangia bodes numa fazenda. Isso é normal por lá. Normal mesmo!

Tive essa conversa em 2012 e no mesmo ano tomei uma decisão que mudou minha vida completamente. Como a ideia é muito de vanguarda, explicarei o passo a passo da minha conclusão. Pois bem, que o Ceará é quente por excelência ninguém tem dúvidas, ok? (exceto os moradores de Viçosa – ô povo de sorte!). Mas tem umas épocas, minhas amigas e amigos… Tem umas épocas que dá vontade de mirar a cabeça numa quina. Tu é doido?!

Agora, começo de março, até que têm umas chuvinhas que enganam a quentura, mas chegando ali pelo meio de abril fica insuportável. E é sol muito até dezembro!! Tem, inclusive, uma pesquisa muito interessante (acho que é do Data Folha) que chegou a espantosa conclusão de que o número de pessoas enfezadas por metro quadrado aumenta consideravelmente.

Pois foi baseado nesse cenário que troquei meus ternos abafados e calorentos pela brisa de um ambiente geladinho: me tornei ascensorista de elevadores climatizados. E TEM DADO SUPER CERTO! É uma delicia de trabalho: friozinho, ótimo para leituras e pouco movimentado. Os únicos pontos negativos são dores nos quartos e uma bela monotonia, mas nada que ofusque o desespero do calor que queima a rua.

Enfim, é uma ótima opção pro verão que vem com tudo.

Obs: Não percam a próxima crônica “JOB DE INVERNO”. Adianto, contudo, que permaneceremos em lugares frios pelo simples fato de não ter jeito.

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Filipe Pinho

Filipe Pinho

Filipe Pinho é advogado, graduando em Psicologia e pós-graduando em Escrita Literária pela UNIFB. É autor de “Últimas Peripécias” (livro que possibilitou a sua participação em duas mesas na FLIP 2018) e “Mirabilia, Contos de Natal”, obra que organizou e publicou em coautoria. Tem no humor e no inusitado suas principais ferramentas interativas, buscando inquietar e desconstruir através da graça.