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International Day: intercâmbio universitário a favor da produção científica

Evento apresentará oportunidades e procedimentos para concorrer às bolsas de estudo fora do país
Por Bruna Vieira • 17 de maio de 2019

(II International Day será realizado em junho pela UFCA. Foto: Divulgação SCI/UFCA)

 

A segunda edição do International Day será realizada no dia 06 de junho na Universidade Federal do Cariri, UFCA. O evento apresentará as oportunidades disponíveis e os procedimentos para concorrer às bolsas de estudo fora do país. O intercâmbio universitário é uma das formas de expandir a produção científica das universidades e aplicar no Brasil, o conhecimento adquirido junto aos pesquisadores do exterior. Em seis anos, a UFCA enviou mais de 40 estudantes para outros países e, atualmente, conta com 25 estrangeiros estudando no Cariri. A programação é composta por palestras, seminários, conferências, debates sobre internacionalização da educação e depoimentos de ex-intercambistas para motivar a comunidade estudantil a buscar o estágio internacional.

A iniciativa é da Secretaria de Cooperação Internacional, SCI, promovida a cada dois anos. O secretário da SCI, David Vieira, apontou que o International Day divulgará a internacionalização da UFCA, com o tema “Internacionalização em Casa”, que é a política interna de internacionalização da Educação Superior. “É um conceito que abrange projetos que promovam ações de ensino, pesquisa e extensão que propiciem a internacionalização e, assim, permitam o acolhimento de estudantes estrangeiros, bem como a integração intercultural em todos os ambientes da UFCA”.

Destacam-se entre a programação, a palestra com Maria Leonor Maia, presidente da Associação Brasileira de Educação Internacional no âmbito superior no Brasil, Faubai; Webconferência com o Vice-reitor da Universidade da Beira Interior em Portugal, João Canavilhas; o debate de políticas públicas para internacionalização no Crajubar e a discussão sobre a internacionalização dos currículos de graduação. São 270 vagas para estudantes de graduação de qualquer instituição.

 

Edição 2019

Os participantes terão orientações de como pleitear vagas de intercâmbio internacional junto às agências governamentais, como a francesa Campus France , representada por Letícia Pontes, da agência em Recife. E a Education USA, rede do Departamento de Estado norte-americano com mais de 400 centros de orientação para estudantes internacionais em mais de 170 países, com a presença de Lina Sena, orientadora do escritório na Universidade de Fortaleza, Unifor.

 

Inscrições:

As inscrições podem ser realizadas até o dia 05 de junho através da Plataforma Forms. Os participantes devem levar 1 kg de alimento não perecível para doação às instituições de caridade e receberão certificado de participação mediante assinatura da lista de presença. A programação completa está disponível no site do evento.

 

Internacionalização na UFCA

O Projeto Estratégico de Internacionalização da UFCA está em fase de implementação e deverá entregar diversos produtos até o próximo ano. “Ao longo deste cinco anos viemos  estruturando a Diretoria de Cooperação Internacional que passou a ser chamada Secretaria de Cooperação Internacional em 2017 e com a equipe estamos realizando eventos. A Pró-Reitoria de Cultura vem desenvolvendo através do Núcleo de Idiomas, diversos cursos de inglês e aplicando provas de proficiência de modo a permitir que os alunos possam fazer essa inserção internacional de modo mais fácil”, elencou David.

A SCI oferece editais de mobilidade internacional para intercâmbio em universidades conveniadas em dois períodos do ano: abril/maio e setembro/outubro. E durante todo o ano, dicas e oportunidades que surgem são postadas na FanPage no Facebook. A UFCA recebe em média, cinco estudantes estrangeiros por ano. Atualmente, 24 fazem graduação e uma estudante americana executa um projeto de pesquisa pela agência Fulbright, dos Estados Unidos.

Entre 2014 e 2016, a UFCA enviou 31 alunos da Engenharia Civil, Engenharia de Materiais, Design de Produto e Medicina para os Estados Unidos, Canadá, Itália, Reino Unido e China, através do Ciência sem Fronteiras. Os editais de mobilidade internacional próprios em universidades parceiras com a isenção de taxas acadêmicas nas instituições de destino, levou mais cinco alunos em 2017 e outros seis no ano passado para diversos países, especialmente Portugal, França e Romênia.

Para o professor David, esse número é satisfatório, levando em conta que a maior parte dos discentes é oriundo de escolas públicas. “Considerando a quantidade de cursos de graduação e pós-graduação e a idade da nossa instituição, mas pode melhorar com a criação de novos cursos e a disponibilização de orçamento pelo governo que permita financiar ações de internacionalização. O grande problema da mobilidade internacional é o alto valor a ser investido para realizar esse tipo de estágio no exterior. Por isso, os números são pequenos perto de uma UFC, que tem mais de 100 cursos de graduação”, justificou.

 

Eventos de Internacionalização na UFCA

International Day: promover a mobilidade internacional;

Welcome Day: recepção dos estudantes estrangeiros;

Fórum de Internacionalização: promover a cultura estrangeira.

 

Valorização do intercâmbio

Na modalidade internacional, os estudantes cumprem uma quantidade de créditos mínimos em plano de estudo pré-estabelecido na Instituição de Ensino Superior, IES, de destino. “A ideia principal é que ele faça um leque de disciplinas e possa retornar para concluir os seus estudos e reaproveitar os créditos. Estamos em fase de desenvolver projetos de pesquisa vinculados às outras IES estrangeiras. Um caso a ser mencionado foi o edital de professor visitante lançado no segundo semestre do ano passado, que permitiu a vinda de um docente e pesquisador de Portugal e uma docente e pesquisadora da Argentina para realizar o I Workshop Internacional de Recursos Hídricos”, destacou o professor.

David define a importância da troca de conhecimento internacional. “Envolve o aumento da qualidade do ensino superior em um ambiente globalizado onde os alunos, técnicos e professores podem vivenciar novas práticas pedagógicas e conhecer uma infraestrutura de educação que aos poucos vamos nos igualando. Além disso, a publicação conjunta de pesquisas que são feitas em diferentes pontos do globo e permitem que a produção científica seja reconhecida mundialmente”, concluiu.

 

25 estrangeiros estudam na UFCA

42 brasileiros foram enviados para o exterior pela UFCA

 

Relatos de experiências

“A melhor parte do intercâmbio para mim é a experiência de lidar com uma cultura totalmente diferente da brasileira. Nisso entra a interação com a população local, a cultura, a comida, idioma, e por aí vai. A Austrália, em especial, é um país que dá a oportunidade de conhecer literalmente diversas culturas num lugar só. Na universidade onde estudava, eu convivia com muitos chilenos, chineses, japoneses, italianos, além dos australianos. E aí você acaba crescendo também como pessoa” – Jânio Mayk Pinheiro, tradutor e intérprete.

 

“Tive a oportunidade de realizar dois intercâmbios (Canadá e Argentina) e os mesmos me mostraram que morar em outro país trata-se não apenas sobre a aprendizagem de um idioma, mas na realidade ser possível conhecer novas pessoas, culturas diferentes e atividades singulares. O amadurecimento é a principal consequência desta prática e ver o mundo com outros olhos nos faz respeitar as convergências. Vai além da construção de um currículo desejado pelo mercado de trabalho, é sentir o quanto podemos ser úteis no processo de construção das nossas vidas e respeito ao próximo e, assim, a consequência será aquele perfil desejado pelas empresas” – Douglas Feitosa, empresário e administrador.

 

“Foi uma experiência realizadora, nunca pensei que eu pudesse fazer o intercâmbio aos 21 anos.  Venho de uma família de baixa renda, minha mãe trabalha em fábrica de picolés e meu pai é pedreiro, não tem emprego fixo. Nutria o sonho de estudar fora desde o ensino médio. Mudou completamente minha forma de agir e pensar, sair da zona de conforto e viver em uma cultura diferente. Passei cinco meses em Portugal, cresci pessoalmente, profissionalmente e na educação. Morei com outros jovens do mundo todo e ali pude me descobrir mais e aprender a se virar sem pai e mãe. Fiz viagem pela Europa sozinho, com pouco dinheiro, sem saber falar inglês. Passei por maus bocados e aprendi a enfrentar os desafios. Encarar a vida é o maior aprendizado, a gente tem medo de sair de onde tem costume. Aprender a conviver com o diferente, se comunicar, enxergar o mundo de forma mais ampla. Vendi quadros, brigadeiros e rifas para ir. Lá eu vendi coisas, busquei emprego. Pude realizar três sonhos de uma vez: estudar fora, conhecer Veneza e fazer mochilão”, Saulo Motta, estudante de Jornalismo.

 

Serviço

International Day

Data: 06 de junho

Horário: 8h30 às 17h

Local: Auditório Beata Maria de Araújo – UFCA, Campus Juazeiro do Norte. Avenida Tenente Raimundo Rocha, 1639 – Bairro Cidade Universitária.

Informações: (88) 3221 9455/ sci@ufca.edu.br

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Bruna Vieira

Bruna Vieira

Bruna Vieira é mestra em Jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e bacharel em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Atuou como repórter, produtora, editora e âncora em Rádio, TV, Impresso e Online. Vencedora dos prêmios SBR Pfizer 2017 e 2016, Fenacor 2016 e Criança PB 2015. "Recontar histórias de vida, com sensibilidade e humanismo, porque o jornalismo também é feito de afetos".