Cariri Sustentável

Hidroponia é alternativa para sustentabilidade e dispensa o uso do agrotóxico

Método economiza quase 70% de água e com técnicas adequadas pode ser adaptada ao clima caririense
Por Bruna Vieira • 24 de março de 2019

(Cultivo hidropônico utiliza canaletas com substrato e água em substituição ao solo. É mais econômico, não usa agrotóxico e pode ser adaptado às regiões de clima quente. Foto: Alissa Carvalho/Assessoria IFCE Crato.)

 

Uma solução nutritiva balanceada com água e nutrientes que substitui o solo para o cultivo de plantas, eliminando desta forma, grande parte da contaminação por pragas que vivem na terra e são transportadas de uma área para outra através de máquinas agrícolas e mudas infestadas. A consequência é que plantas sadias dispensam o uso do agrotóxico, gerando alimentos mais saudáveis. Uma alternativa viável em termos de sustentabilidade. O método não é nenhuma novidade, porém, é pouco difundido no Cariri. Aplicado em locais de climas mais frios, o desafio é propagar o sistema na região. Essa adaptação é possível com as técnicas adequadas.

O Nordeste brasileiro oferece 12 horas de sol por dia. Essa energia solar, somada à proximidade com a linha do Equador eleva a temperatura. O Instituto Federal do Ceará, campus Crato, vai realizar um curso de hidroponia para ensinar aos produtores rurais técnicas e materiais para a aplicação desse sistema nas condições climáticas da região. A principal utilização é em hortifrutis, como alface, coentro e morango. A capacitação recebeu mais que o dobro de inscrições para as 35 vagas oferecidas (25 delas para a comunidade externa) e terá início no próximo mês.

O coordenador do projeto, Cley Anderson Freitas, revelou detalhes do pacote tecnológico desenvolvido pelo IFCE. “Dentre as técnicas, estão a substituição da cobertura da estufa de filme PVC por sombrite, que permite dissipar o calor; mudanças nas cores das canaletas (espelhadas) e; a própria mudança da solução nutritiva, adaptada para regiões quentes”, elencou.

O professor Cley explicou o principal fator que inviabiliza a hidroponia na parte de cima do mapa do Brasil. “O cultivo protegido foi originado em lugares de climas temperados, onde as temperaturas são amenas. O modelo de estufas em arco foi trazido da Europa e utilizado no Sul do país. Recentemente, foi copiado de forma errônea para o Nordeste, já que não dissipa o calor interno e já temos temperatura elevada. É esse tipo de estufa que tem dificultado o sucesso desta tecnologia na região”, justificou.

Estufa de cultivo hidropônico de alface na serra da Ibiapaba. Foto: Arquivo Pessoal.

 

Benefícios da hidroponia

Livre de fungos, nematoides, bactérias e vírus, por ser instalada em estufa, os insetos também não entram em contato com a cultura. O que diminui drasticamente a probabilidade de doenças, conforme Cley, que também destacou o consumo hídrico, entre os principais benefícios. “Os resultados são incríveis. Segundo a Ana (Agência Nacional das Águas), em 2017, aproximadamente 78% de toda a água era utilizada para a produção de alimentos. Devido à essa grande demanda, a produção agrícola é bastante questionada”.

Com a hidroponia, de ciclo rápido, é possível ter colheita o ano todo. Recém-chegado ao Cariri, o professor pretende implantar por aqui o que já fazia na serra da Ibiapaba, onde lecionava no IFCE, em Tianguá. “Lá produzimos com sucesso: pimentão, tomate, alface, rúcula, couve e morango. Em abril, vamos realizar a primeira pesquisa com morango hidropônico no IFCE Crato”, afirmou.

 

16 litros é o que se gasta para a produção de um pé de alface no método de gotejamento, sistema de irrigação mais eficiente.

5 litros é o que se gasta na mesma produção, 31,25% do total consumido no plantio com solo.

 

Cultivo hidropônico registrado por ex-alunos e empresários na serra da Ibiapaba. Técnica deve ser ampliada na região do Cariri. Foto: Arquivo Pessoal.

 

O curso

O curso de Formação Inicial e Continuada, FIC, será realizado todas as quintas-feiras entre 11 de abril e 9 de maio, no campus Crato. Ao final, os alunos receberão certificado de 40 horas/aulas. É exigido o ensino fundamental completo. As inscrições estão esgotadas para a primeira turma, no entanto, devido à grande procura, o Instituto se prepara para ofertar a segunda em agosto.

Estudantes do IFCE Crato aprendem a técnica da hidroponia em hortaliças. Foto: Alissa Carvalho/Assessoria IFCE Crato.

Bruna Vieira

Bruna Vieira

Bruna Vieira é mestra em Jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e bacharel em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Atuou como repórter, produtora, editora e âncora em Rádio, TV, Impresso e Online. Vencedora dos prêmios SBR Pfizer 2017 e 2016, Fenacor 2016 e Criança PB 2015. "Recontar histórias de vida, com sensibilidade e humanismo, porque o jornalismo também é feito de afetos".