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Filme caririense fará parte da programação da TV Escola em todo o Brasil

“Aos de ontem, aos de sempre” ganhou seis premiações e se destaca em festivais nacionais
Por Bruna Vieira • 3 de julho de 2019

(Equipe que produziu o curta-metragem recebe cinco troféus durante o Cine Cariri em 2018. Foto: Arquivo Pessoal Lívia Agra)

 

O curta-metragem “Aos de ontem, aos de sempre” (2018), produzido em Juazeiro do Norte recebeu seis prêmios, duas menções honrosas e tem se destacado em festivais de cinema de todo o país. Para quem deseja assistir à película, em breve estará disponível na grade de programação da TV Escola, emissora aberta com alcance nacional.

Cinco troféus foram conquistados no Cine Cariri. No 12º Curta Taquary, que reuniu a produção audiovisual da América Latina em Taquaritinga do Norte, Alto Capibaribe pernambucano, o filme caririense levou a estatueta de melhor direção e duas menções honrosas. Exibido no Cine Ouro Preto, em Minas Gerais no mês passado, em festival não competitivo, “Aos de ontem, aos de sempre” transpôs as divisas do Nordeste.

O curta ratifica a qualidade do cinema produzido na região, berço de Rosemberg Cariry e outros cineastas de renome. Mas, para além do que vai para fora, a relevância dessa produção se mede pelas lições que ficam com sua narrativa. Não é apenas mais um que aborda a temática da negritude e as discriminações inerentes à ela. A que distância o preconceito está de você? Que distância você toma do seu próprio preconceito?

Ficção e realidade se entrelaçam em um roteiro que expõe à carne crua as verdades mascaradas por maldade ou inocência. Narrado por uma negra pernambucana, de alma caririense, ao expectador não é revelado até onde o texto são observações ou memórias de sua própria vida. Com personagens reais em que a cor da pele foi sua sentença de morte. A morte não escolhe cor, ela um dia a todos leva. Mas, é o preconceito velado ou escancarado que determina a guilhotina de muitos.

“Para resistir é preciso existir”, o filme fala de resistência, mas, também de representatividade. Não basta estar, é necessário saber em que posição se está. Se é no da objetivação, dos estereótipos ou da identidade. A apropriação cultural de outras etnias, como o alisar o cabelo crespo diz mais sobre a sociedade em que vivemos, o coletivo, do que sobre cada um em nível individual. Agressão ou autoagressão. O racismo é reproduzido ao longo da história pelos negros, não por maldade, por inocência.

O mito da democracia racial e da meritocracia é mais uma vez apontado. A difusão desse conceito é a causa de frustrações e assédios. Para negros e brancos a jornada é diferente e a história prova isso. Mas, se é disseminado esse fake, esse mito, de que é o meu esforço quem define quem sou eu, se não alcanço o que almejo me frustro por não ser capaz. Se alcanço o que almejo sou acusada de cotista oportunista. Enquanto houver desigualdade no julgamento, nunca haverá paridade no mérito.

A água é um elemento central presente na narrativa. O que ela representa? Licença poética? Seria a água uma metáfora? Um meio libertador?

Com direção de Elvis Pinheiro, Jaildo Oliveira, Laryssa Raphaella, Lívia Agra, Raquel Morais e Ravi Carvalho e edição de Ythallo Rodrigues, “Aos de ontem, aos de sempre” foi um trabalho realizado como exercício do Ateliê Arquivos Móveis do curso Doc Cariri, realizado em fevereiro e junho de 2018, com apoio cultural da Secretaria de Cultura do Ceará, através do XII Edital de Cinema e Vídeo.

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Bruna Vieira

Bruna Vieira

Bruna Vieira é mestra em Jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e bacharel em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Atuou como repórter, produtora, editora e âncora em Rádio, TV, Impresso e Online. Vencedora dos prêmios SBR Pfizer 2017 e 2016, Fenacor 2016 e Criança PB 2015. "Recontar histórias de vida, com sensibilidade e humanismo, porque o jornalismo também é feito de afetos".