Arte e Cultura

Filhos do coração

O título está no plural porque a adoção aconteceu no plural. A nossa mãezona adotou dois irmãos Lucas e Kauã. É mais uma história emocionante da nossa série materna #ParaSempreMãe.
Por Redação Cariri • 16 de maio de 2019

Por Monike Feitosa.

Sabe aquele sonho alimentado na infância das meninas durante as brincadeiras de boneca? Com a jornalista Karliane Coelho não foi diferente. O que ela não imaginava é que em vez de gerar no ventre os filhos, ela seria escolhida para adota-los e amá-los por toda vida.

A mulher madura, decidida e forte que conhecemos hoje saiu de Juazeiro do Norte, no Ceará, em 2004 para cursar Jornalismo, em Campina Grande. Na Paraíba, ela se formou, conheceu o atual esposo com quem namorou, noivou e está casada há exatos nove anos.

Durante esse tempo a vontade de gestar um filho foi alimentada inúmeras vezes. Em 2012, ela até parou de usar contraceptivo. Todos os meses, esperava ansiosamente o atraso menstrual para fazer um teste de gravidez. O que nunca acontecia. No ano de 2013 Karliane recebeu o resultado “positivo” mais aguardado da vida; uma semana depois descobriu que não existia mais vida dentro dela e foi submetida a uma cirurgia de urgência para retirada do feto da trompa esquerda. “Foi como enterrar um filho já amado”, relembra.

Tratamento

A luta continuou. O casal procurou vários médicos e especialistas para prosseguir o sonho da gravidez. Os futuros pais foram até Recife a procura de um profissional de fertilidade. De imediato o profissional indicou uma Fertilização in Vitro, com excelentes chances de sucesso. Em 2015, diante dessa nova chance, apareceu no desafio financeiro de arcar com o tratamento, que na época custaria uma média de R$ 20 mil reais. Um ano depois o casal iniciou o tratamento. Mas não durou muito, depois de alguns dias Karliane sentiu uma mancha estranha no olho, como uma nata, e imediatamente veio o diagnóstico da oftalmologista: você tem toxoplasmose e não pode engravidar de forma alguma.

“Confesso que na hora não entendi o que aquilo queria dizer, mas imediatamente a médica continuou: ‘você não pode engravidar’. Foi estranho porque estávamos há quatro anos lutando por algo que eu e meu esposo íamos finalmente realizar, e inacreditavelmente uma doença incomum estava me tirando essa possibilidade de ser mãe. Foram dias de questionamentos, inquietação, insônia e resignação até chegar a um entendimento divino e quase que um insight da minha memória que eu já havia sido direcionada. Deus havia reservado um plano para nós: a adoção!”.

Durante muito tempo a jornalista sonhava com o atraso menstrual que fosse justificado por uma gravidez, e isso não acontecia. A menstruação sempre chegava. O sangue derramado externamente era derramando também no seu coração. poucas esperanças de realizar o grande sonho de sua vida ser mãe, engravidar, ver a barriga crescer, fazer pré-natal, chá de fraldas, organizar a bolsa da maternidade e todas as outras rotinas que envolvem o mundo de uma gestante durante os nove meses.

Tudo isso foi cortado bruscamente como um cordão umbilical de um bebê pós-nascido: Karliane não poderia engravidar.

“Receber o diagnóstico de que um problema em minhas Trompas de Falópio me impediriam de ser mãe, doeu, e a doença no olho também me feriu por dentro. Após digerir o gosto amargo desses diagnósticos fui conduzida por Deus a abrir os olhos e levantar a cabeça para contemplar o caminho que Ele havia preparado para eu e meu esposo. Deus me mostrou uma pontinha de esperança, que se transformou em  quilômetros de fios de fé na certeza que realizaria o meu desejo de ser Mãe. Adoção era o nome dessa linha e a partir dali costuramos um longo caminho de expectativa para a grande chegada”, explica emocionada a mãe do coração.

“Deus havia reservado um plano para nós: a adoção!”

Adotar também é amar

No início do ano de 2016, o casal entrou com um processo de habilitação para uma adoção legal e consciente na Vara da Infância de Campina Grande-PB. A espera durou dois anos. Em 17 de janeiro de 2018, o telefone tocou enchendo a casa de alegria. Do outro lado da linha, a assistente social anunciava que os filhos do jovem casal haviam sido encontrados.

“O primeiro encontro foi tímido, porém arrebatador. Depois de conhecermos um pouco da história daquelas duas crianças, eu custava a acreditar que seriam minhas; esperei tantos anos e eles dois estavam ali, diante dos meus olhos. Os meus braços estavam querendo conforta-los, dar amor, segurança, carinho. Realizamos alguns prazos pedidos pela justiça. Entre idas e vindas ao abrigo onde eles moravam, curtos passeios, chegou o dia em que eles não voltariam mais para a casa de acolhimento. Isso os fez vibrar de alegria e nos encheu de satisfação. A nossa casa passou a ser a deles e assim deixamos de ser um casal e viramos ‘pais’”.

Passeios, sorrisos, afeto e companheirismo são as marcas desta família.

 “Mãe de dois”

Karliane é mãe de dois meninos lindos, saudáveis e inteligentes. A impressão que dá é que os pais foram realmente escolhidos, pois olhando para a foto da família a gente até encontra semelhanças físicas.

a maternidade é um sonho alcançado na vida de Karliane Coelho.

A casa ficou até pequena para os quatro moradores. Os móveis mudaram de lugar e o azul tomou conta do antigo escritório. O sonho de ser mãe e construir uma família estava concretizado. “Nossos filhos são a personificação do amor de Deus por nós. São a prova de que os sonhos de Deus sempre serão melhores que os nossos. E eu, que já tive medo de nunca ser mãe, hoje vivo arrodeada de beijos, abraços e brinquedos espalhados pela casa. Meu tempo livre é uma lembrança bem distante, mas o amor dentro do nosso lar se multiplicou e mesmo diante de todas as dificuldades e desafios que a maternidade nos impõe, e a adoção tardia também, tenho a maior satisfação que já pude sentir na vida: ser a Mãe de Lucas e Kauã. Nunca desista do sonho de ser Mãe, Deus sempre tem um plano melhor que o nosso”.

Fotos: Acervo Pessoal.
#ParaSempreMãe

Com o intuito de homenagear as mães, a CARIRI Revista está realizando neste mês de maio uma série especial que aborda as diversas maneiras de ser mãe. São quatro reportagens que trazem histórias emocionantes de mulheres que vivenciam algumas das inúmeras situações relacionadas ao universo materno.

Sobre a autora:

Monike Feitosa é jornalista, assessora de imprensa, empreendedora, professora de Jornalismo (UFCA) e de Marketing (FAP). Atualmente atende no estado do Ceará e trabalha com a produção de conteúdo para imprensa. No mês de maio ela está assinando a série especial “Para sempre #MÂE”, na Cariri Revista. Monike é filha, esposa e Mãe de duas princesas (Nicole e Manuela), a maternidade transformou sua vida.

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