Arte e Cultura

Exposição inclusiva destaca interação entre crianças com e sem Síndrome de Down

“A diferença está no jeito de olhar” fica em cartaz até o próximo dia 31 de outubro, na Unidade do Sesc Crato.
Por Márcio Silvestre • 23 de outubro de 2019
Foto: Maria Rita nos braços da fotógrafa Hannah Monteiro, a pequena tem três anos e foi uma das modelos da exposição.

O olhar sensível da fotógrafa Hannah Monteiro captou fotografias inclusivas, de respeito e carinho. Em cartaz, na Unidade do Sesc Crato, a exposição fotográfica  “A diferença está no jeito de olhar – uma interação entre crianças com e sem síndrome de Down” apresenta a naturalidade com que a garotada lida com as diferenças. O trabalho fica exposto até o próximo dia 31 de outubro.

Especializada em fotografia familiar, Hannah Monteiro desejou mergulhar em um novo desafio, algo que deixassem uma mensagem para as pessoas. “Depois que a Aurora, filha de uma grande amiga minha, a Lorena, nasceu com a Síndrome de Down, fui apresentada a outras famílias da região que também tem filhos com SD. Após fotografá-los no dia 21 de março, que é o dia internacional da Síndrome de Down, surgiu o desejo de fazer algo além do evento e que pudesse mostrá-los ao mundo de uma forma diferente. Então proporcionamos outros encontros entre essas famílias e levamos mais algumas crianças sem a Síndrome, inclusive meus filhos estavam presentes, para que pudessem interagir uns com os outros. O resultado dessas imagens virou essa linda exposição fotográfica”, explica.

A fotógrafa Hannah Monteiro traz uma nova perspectiva sobre respeito às diferenças.

Inclusão e visibilidade

As mães que abraçaram a ideia contam que viram a exposição como campo de inclusão, uma oportunidade de mostrar que o preconceito é um processo de desenvolvimento da educação que os adultos dão às crianças. Outro ponto apontado pela Assessora Financeira, Salmitria Brito, mãe da Maria Rita (3 anos), é a visibilidade. Muitas famílias ainda têm resistência em expor socialmente suas crianças com Síndrome de Down. “Desde que ela nasceu , mesmo tendo nascido prematura, a gente leva ela para todo canto. Haviam pessoas que diziam ‘Não sai com essa criança’, mas a gente sai sempre com ela para todos os lugares”, afirma.

A Professora Lorena Chagas, é mãe de Aurora (1 ano), que tem a Síndrome de Down e do Hélio (3 anos), ambos participaram da exposição. Para a mãe a visibilidade é importante no processo de inclusão e aceitação das diferenças. “A ideia é essa, mostrar que a pessoa com Síndrome de Down existe, faz parte da sociedade, merece e tem o direito de estar ocupando todos os lugares possíveis. Irem para escolas regulares e serem bem aceitas, os outros pais e os outros estudantes estarem preparados para receber essa criança com qualquer tipo de deficiência. Eles precisam é ser vistos e aceitos”, destaca.

Lorena Chagas, apresentando para seus alunos a exposição “A diferença está no jeito de olhar”.

Para Hannah, o mais importante é mostrar o que o próprio título já sugere. “A diferença está no jeito da gente olhar”. Mostrar que as crianças, independente de suas diferenças, se enxergam iguais, sem preconceito. “Eu procurei fazer tudo de maneira espontânea, orientei [as mães] para que relaxassem e deixassem as crianças à vontade, para elas nos mostrarem como iam se comportar e a gente captar esses momentos de interação verdadeira, sem indução. A gente deixou elas à vontade e podemos perceber [nas imagens] a solidariedade de oferecer um brinquedo, uma flor, um beijo, de maneira espontânea e sem distinção.

Fotos: Márcio Silvestre.

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Márcio Silvestre

Márcio Silvestre

Formado pela Universidade Federal do Cariri (UFCA), com experiência em Assessoria de Imprensa e Produção Cultural. "A comunicação e a arte se cruzam no meu caminho. Descobri no jornalismo a oportunidade de contar histórias e compartilhar conhecimento".