Especial

O Azul de Cartagena no Céu de Bogotá

Por Márcio Silvestre • 10 de dezembro de 2019

José Luna é advogado barbalhense e em maio [de 2016] visitou a terra de Pablo Escobar, do melhor café do mundo, das praias belíssimas e do povo mais simpático que há.

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Por José Luna.

Quando anunciei que viajaria para a Colômbia, minha família logo veio com a chuva de clichês: “Menino, é muito perigoso!”, “Cuidado com as Farc!”, “E o cartel de Medellín?”. Para o meu alívio, um médico respeitado na cidade postou fotos de lá pouco antes de eu embarcar, e foi aí que as frases passaram a ser: “Ah, mas se o doutor tá lá, é porque é bom.” “Eita, ele vai pro mesmo lugar que o doutor”. Por isso, antes de tudo, meus agradecimentos ao doutor, que tornou “top” minha viagem e me poupou de explicações demoradas e ilustrativas do Plano Colômbia, iniciado na década de 90, e que melhorou consideravelmente os níveis de violência no país.

Fizemos um roteiro que incluía quatro cidades – Bogotá, Cartagena, Santa Marta e Medellín – e descobrimos que viajar pela Colômbia é super barato. Bogotá foi a nossa porta de entrada. É a quarta maior cidade da América do Sul, localizada na região dos Andes colombianos, e tem uma altitude de 2.632 metros acima do nível do mar, o que às vezes dificulta a respiração. Fria e um pouco cinza, Bogotá tem um céu que não mudou de cor durante todos os dias em que estivemos lá. Apesar de ser uma metrópole, é muito organizada e tem um sistema de transporte eficiente.

Sobre Cartagena: quente. Tão quente, que em alguns momentos senti saudades do Centro de Juazeiro do Norte no pico do meio dia no mês de setembro. Localizada na Região do Caribe, a cidade é a quinta maior do país e a que mais recebe turistas. Por ter um centro histórico cercado por uma muralha, ficou conhecida como “La ciudad amujarada” (deve ser essa muralha que esquenta tudo). Cartagena é o exagero em forma de cidade, por isso que toda vez que me perguntam como é lá, eu respondo: É como você imagina, cheia de cores e casas antigas belíssimas. Não se surpreenda se, do nada, começar a tocar um reggaeton e todo mundo bailar loucamente na rua.

Apesar de estar localizada no Caribe, a cidade só possui uma praia recomendada para banho, a Praia Negra, assim chamada justamente por possuir uma areia bem escura, o que a torna bem feinha. Mas as cores de Cartagena também se refletem no mar. Em vinte minutos de carro ou de barco você chega à Praia Branca ou a outras ilhas, onde é possível fazer tudo o que se tem direito no Caribe: admirar o mar das mais diferentes tonalidades, nadar com os peixes e ver golfinhos.

Toda a cidade é um atrativo por si só. Basta virar a esquina para dar de cara com um prédio histórico, um museu ou uma praça. Por isso, não adianta ir a Cartagena com roteiro pronto. Ande pela cidade como você puder: a pé, de bicicleta, charrete, lancha, jetski, cavalo, pedalinho ou até triciclo.

Nossa terceira parada foi em Santa Marta, a terceira maior cidade do Caribe colombiano e onde viveu uma das civilizações mais antigas das Américas. O parque nacional Tayrona, uma reserva com praias caribenhas e montanhas, é o seu maior atrativo. Para chegar ao litoral é preciso enfrentar uma caminhada de 16 quilômetros ou duas horas de barco. As quatro horas que fizemos de trilha foram compensadas pelos cenários deslumbrantes da paisagem em Tayrona.

 

Para finalizar, desembarcamos em Medellín, a cidade do El Patrón. Durante anos, Medellín carregou o far- do de ter sido a terra de Pablo Escobar, o narcotraficante mais famoso do mundo, e todo tipo de turismo para a cidade era associado à cocaína. Entretanto, ações do governo ajudaram a virar o jogo construindo uma nova cidade para os seus habitantes. Todos os pontos turísticos são ocupados pelos próprios moradores, que se esbaldam nas praças, curtem o dia de domingo no jardim botânico e tomam banho nas fontes das praças. Voltamos com as malas cheias do café Juan Valdez, considerado o melhor do mundo, e da famosa aguardiente, principal bebida alcoólica do país. Aos que deixam o país, os colombianos entregam um questionário para saber o que acharam da Colômbia, com espaço para justificativa. Enquanto respondia, olhei ao meu redor e vi a propaganda do Ministério do Turismo, que dizia: “Colômbia, o perigo é querer ficar”.

Transcrevi e entreguei à moça, que abriu um sorriso, me desejando um “bueno regresso”.

Para conhecer a Colômbia

QUANDO IR:

No litoral, o clima tropical varia de 28 a 35 graus. Ótimo para turismo o ano todo. Já em Bogotá e Medellín, a média de 18 graus se mantém durante maior parte do ano, sendo mais quente de julho a setembro.

PLANEJE-SE:

A grande maioria dos voos partem para Bogotá, o que torna a capital um destino quase obrigatório. O país possui empresas aéreas de baixo custo (utilizamos a Viva Colômbia), que permite um descolamento fácil e barato.

PLATA:

A moeda é o Peso Colombiano. A melhor cotação que encontramos foi de R$ 1,00 valendo 750 pesos.

LUGARES IMPERDÍVEIS:

BOGOTÁ: A Zona T é cheia de bares e restaurantes. Recomendo o Andres Carnes de Res.

CARTAGENA: Pôr do sol no Café Del Mar.

SANTA MARTA: Praça de Los Noivos.

MEDELLIN: Parque Lleras

CATEGORIA:

Márcio Silvestre

Márcio Silvestre

Formado pela Universidade Federal do Cariri (UFCA), com experiência em Assessoria de Imprensa e Produção Cultural. "A comunicação e a arte se cruzam no meu caminho. Descobri no jornalismo a oportunidade de contar histórias e compartilhar conhecimento".