Especial

Japão, um mundo inesquecível

Por Redação Cariri • 5 de março de 2019

Por Felipe Azevedo.

 

Desembarcar em uma cidade como Tóquio é experimentar o sabor da novidade e do imprevisto. Uma simples caminhada pelas ruas tranquilas no bairro de Asakusa, por exemplo, é capaz de despertar os cinco sentidos como nunca antes. Você será sempre convidado a retribuir um sorriso e é inevitável não fazê-lo. Neste lugar, ser turista é mais do que suficiente para ganhar a simpatia dos anfitriões. A CARIRI Revista viajou até o outro lado do mundo e conta a experiência de estar em um país onde a cultura histórica e a tecnologia digital dividem o mesmo espaço, convivendo em sintonia. Seja bem-vindo a Terra do Sol Nascente, seja bem-vindo ao Japão.

FOTO: Sean Pavone/Shutterstock

A inconfundível arquitetura japonesa se mistura com a exuberante paisagem do Monte Fuji ao fundo.

Após visitar alguns dos inúmeros templos budistas espalhados bem no meio dos arranha-céus japoneses, é provável que alguns estereótipos ocidentais em relação aos costumes nipônicos deixem de existir imediatamente. A ideia é antiga: um dos países mais populosos do mundo – com quase 127 milhões de habitantes -, não se resume apenas em aparelhos high-tech e placas luminosas indecifráveis.

 

TÓQUIO TRANQUILA

Foram somente três dias em Tóquio. Nem de longe é tempo suficiente para conhecer tudo o que a cidade tem a oferecer. Entretanto, um passeio nada comum pelo bairro mais tradicional da capital japonesa, justifica o encantamento dos recém-chegados. Um tipo de carrinho movido à tração humana é o meio de transporte utilizado em Asakusa pelos turistas mais entusiasmados. As ruas do bairro seguem um ritmo menos frenético que o resto da cidade, e é muito comum cruzar com velhinhas vestindo os tradicionais quimonos coloridos. Por aproximadamente R$ 40,00 reais (¥ 1 Iene custa R$ 0,0222 centavos), um jovem super animado e sorridente vai te levar para conhecer os principais lugares da região e, com certo esforço, pode arriscar falar inglês para contar um pouco da história de cada cantinho.

Asakusa tem a maior concentração de edifícios dos anos 50 e 60 em relação a quase todas as outras áreas de Tóquio. É lindo de ver os prédios antigos totalmente conservados, uma visita à história do lugar. Lá está o templo budista mais antigo da cidade, construído no ano de 645, o Senso–Ji, exibe uma arquitetura literalmente cinematográfica que você provavelmente reconheceria de algum filme ou dos clássicos cartões postais. O bairro é uma excelente opção para quem prefere o lado bucólico da capital.

 

SEM CAFEZINHO

A visita ao Senso-ji começa no portal Kaminarimon, representando os deuses do Trovão e do Raio e marca o início do caminho até o templo em si, que fica do outro lado do distrito. Para chegar lá, o visitante atravessa o Nakamise-dori, um calçadão que abriga uma charmosa feirinha permanente, com comidas típicas e lembranças artesanais japonesas, numa mistura de barracas de rua com lojinhas em pontos comerciais.

Se durante o passeio bater aquela sede, é fácil encontrar máquinas de bebidas nas esquinas, assim, a céu aberto, é só inserir uma moeda e pronto. Mas se você estiver pensando em se refrescar com um refrigerante gelado daqueles que a gente tem aqui no Brasil, vai ter que procurar um pouco mais entre os sucos, saquês e chás que são as principais bebidas consumidas no país. O consumo de chás no Japão pode facilmente ser comparado a alta demanda pelo cafezinho brasileiro. O costume se integrou de tal forma na cultura local que tornou-se sinônimo daquilo que no aroma e paladar, sintetizam a essência do lugar.

Matcha, Gyokuro e o Chá Verde são alguns dos sabores mais consumidos no país. Lojinhas especializadas com vendedores sorridentes estão à sua disposição, caso queira levar alguns dos ingredientes para casa. Eles vêm embalados em pequenas cápsulas cilíndricas e são fáceis de caber na sua mala de viagem. Quer algo mais forte? Sem problemas! Os japoneses adoram um happy hour e as cervejas de lá são uma delícia, tendo até algumas feitas para crianças (sem álcool, obviamente). As mais famosas entre os adultos está a Sapporo, que pode ser vista em seu processo de fabricação no Museu e Jardim da cerveja Sapporo, localizado na cidade de mesmo nome.

As ruas da cidade podem facilmente ser confundidas com um set de filmagens. As linhas das calçadas e esquinas são cuidadosamente construídas. Dá impressão de que alguém esteve lá e mediu tudo para que nenhum meio-fio ficasse fora do lugar. Os japoneses realmente sabem como aproveitar os espaços públicos. Espalhadas por esses lajedos tão lineares, ficam incontáveis bicicletas soltas, sem corrente para prendê-las. Problemas como buraco nas ruas e falta de pavimento não fazem parte do cotidiano dos ciclistas, isso faz com que as vias estejam sempre cheias de bikes.

 

SKY TREE NO TOPO DO MUNDO

E que tal ver toda essa beleza a 634 metros de altura? Em todos os pontos de Asakusa é possível avistar um gigante monumento que por pouco não quebra o clima bucólico de interior que permeia boa parte do bairro. Trata-se da Sky Tree Tower, a torre mais alta do mundo. Vale a pena a caminhada de 30 minutos do centro de Asakusa até o mirante. A SkyTree foi inaugurada em 2012, inicialmente, para abrigar as antenas de televisão, pois os sinais para TV digital precisavam de um ponto muito alto. Mas com o potencial turístico evidente, fo- ram feitos impressionantes decks de observação com algumas lojas e restaurantes.

Se estiver interessado nesse passeio às alturas, chegue cedo e prepare-se para enfrentar uma das maio- res filas da rota turística. A boa notícia é que, como você deve imaginar, a vista lá de cima compensa o esforço. Tudo fica muito pequeno e quase irreal. Não fosse a poluição que deixa o céu acinzentado, daria até para ver o Fuji, a montanha considerada sagrada que abriga um vulcão inativo há 300 anos. O ponto de 3.776 metros de altura é um dos principais destinos para as paisagens naturais do país.

Há um ditado japonês que diz que todo homem deve escalar o Monte Fuji pelo menos uma vez. Ao fazer isso, ele ganhará benção espiritual e terá sorte na vida. Vai se aventurar? O monte fica entre as fronteiras das províncias de Shizuoka e Yamanashi, a temporada oficial de escalada vai do início de julho a meados de setembro e é de graça.

 

GIGANTES DO DOHYIO

Se no Brasil o futebol é paixão nacional, os japoneses, de modo similar, são aficionados pelo sumô: uma modalidade de luta em que os competidores (rikishi) lutam em um ringue circular (dohyo). O objetivo? Derrubar o oponente sem utilizar qualquer armamento ou golpes proibidos como chutes e socos. O único artefato utilizado pelos praticantes é o mawashi: uma faixa de tecido grosso, que cobre as partes intimas do atleta. O mawashi é enrolado em volta da cintura do lutador e pode ser agarrado pelo adversário com a finalidade de efetuar golpes. As lutas são rápidas, geralmente não passam dos 15 segundos. A Associação de Sumô do Japão realiza, a cada ano, seis “Grandes Torneios de Sumô” com duração de 15 dias cada, três deles em Tóquio onde está localizada a Ryogoku-kokugikan, maior arena do esporte no país. O público varia de adolescentes ansiosos a simpáticas velhinhas. Para facilitar a vida dos que vão assistir pela primeira vez ou daqueles que não entendem muito bem do esporte: os organizadores distribuem um rádio que transmite a narração em japonês, chinês e inglês.

 

COMER (TAMBÉM) É SAGRADO

Talvez a culinária japonesa seja a maior ponte de aproximação dos costumes ocidentais com o oriente. Comer sushi, por exemplo, é uma prática que chegou ao Brasil pelos imigrantes no início do século XX e, após vários anos de adaptação, hoje está presente até mesmo nas churrascarias-rodízio. O fato é que saborear um delicioso peixe enrolado no arroz feito por mãos de um autêntico chef japonês – o itamae -, é uma experiência única. Recheada de protocolos, a hora de refeição é um espetáculo à parte nos costumes orientais.

“Itadakimasu!!”, fala um senhor aparentando ter uns 65 anos no mesmo instante em que o garçom repousa o prato sobre a mesa do restaurante. “Recebo humildemente” é a tradução da expressão utilizada em um dos diversos protocolos que caracterizam a educação e sensibilidade das pessoas por lá. No final da refeição, “gochisosama deshita”, ou “foi um banquete”, em português. Um aviso: não estranhe quando escutar alguns barulhos de sucção vindos da mesa ao lado. Pelo contrário, tente tomar sua sopa ou qualquer outra refeição com o mínimo de silencio possível, aquele som incômodo que faz o canudo no final do milk-shake, no Japão, é sinal de que estamos bem satisfeitos com o sabor do prato. De sobremesa, os mais corajosos podem experimentar um delicioso (ou duvidoso) picolé de macarronada que, para a surpresa dos descrentes, realmente tem gosto de macarrão.

 

CIDADE COSTURADA

Tóquio é inteira costurada por linhas de metrô, é difícil escolher algum destino e não achar uma rota que desembarque. São 13 linhas separadas por cor, letras e números. Somando o sistema de alta tecnologia – inclusive com trem-bala, mais a disciplina japonesa, o resultado é um número mínimo de atrasos dos vagões, o que contribui ainda mais para a mobilidade pública e ocupação dos espaços.

Pegando a linha Guinza (a laranja) e fazendo uma baldeação para a Hybia (cinza), na estação Uoeno, dá para chegar a Akihabara, o epicentro do eletrônico. Talvez essa seja uma das imagens mais comuns da capital, é onde a tecnologia e os fãs de desenhos japoneses tomam conta das ruas. Após a construção da primeira estação de metrô na região, a vocação para vendas consolidou o distrito como ponto central do mercado negro. Eletrodomésticos e eletrônicos dominam o mercado no fervente centro comercial.

É comum as lojas do ramo tomaram todos os andares de um edifício, cada um especializado em setores diferentes. Se você está procurando acessórios de fotografia ou o último lançamento das máquinas Sony, por exemplo, vai ter um piso inteiro à sua disposição (não se assuste, provavelmente o seu equipamento atual estará fora do mercado há pelo menos cinco anos), é só escolher.

Não é preciso entender muito de tecnologia mobile para saber que o Japão não está mais na vanguarda da criação dos aparelhos. É notável até mesmo para um leigo que o império Apple também domina o mercado japonês. Mas, mesmo assim, dá para dar uma olhada nas últimas criações de tabletes, celulares, telas inte- ligentes e afins.

Ainda pela linha laranja dos vagões subterrâneos, uma viagem rápida com desembarque em Guinza (o bairro) leva até uma das regiões mais elegantes de Tó- quio. Com suas lojas sofisticadas e os shoppings mais tradicionais, atrai consumidores de todo o mundo, que transitam pelas largas avenidas observando as vitrines das mainsons dos grandes estilistas. Para os que estão dispostos a gastar um pouco mais, é bom ficar atento na pronúncia de grifes como Louis Vuitton e Prada, para garantir que o taxista entenda o destino desejado. Uma dica: você pode caminhar pelas ruas adjacentes que escondem lojas tão ou mais interessantes que as grandes boutiques. Às vezes, a fachada simples e pequena esconde uma grande loja com vários andares.

 

CRUZANDO SHYBUIA

Se depois de todo esse tour bater o cansaço e você não aguentar mais tanta agitação, respire fundo e faça um esforço para ir até Shibuya, talvez a parada mais sensacional de Tóquio. Com possibilidades infinitas no entorno, é um impressionante cruza- mento de nove avenidas larguíssimas – o maior do mundo -, onde aproximadamente 3.000 pessoas se cruzam a cada sinal fechado. Reserve alguns minutos para observar a movimentação do trânsito e pedestres, o silêncio dos carros híbridos e a discri- ção dos japoneses transforma o que deveria ser um barulhento aglomerado em um passeio tranquilo de milhares de pessoas.

 

NÃO DEIXE DE CONHECER EM SHIBUYA

Shibuya 109: Encontro de adolescentes no maior shopping center de moda jovem de Tóquio.

Tokyo Hands: Se impressione na loja de sete andares onde você encontrará tudo o que possa imaginar.

Hachiko: A pequena estátua do cachorrinho que con- tinuou esperando por seu dono mesmo anos após sua morte, em frente à estação de Shibuya, é um dos pontos de encontro mais famosos desta cidade.

Chegou a hora do descanso. O Final de tarde pode ser extremamente relaxante durante um passeio no deck da Tokyo Joypolis. Fica em Odayba, lá encontra-se o “Japão do Futuro”. Há duas possibilidades de chegar até a ilha: pode ser de trem ou pela embarcação que sai do píer Hinode, se prepare para se deparar com uma paisagem futurística digna de ficção científica, mas ao vivo. Edifícios revestidos de aço, com esferas gigantescas e estrutura metálica, estações suspensas, imensos painéis eletrônicos e shopping centers temáticos. Tudo compõe um perfeito cenário virtual. Mas é real. A linda roda gigante, item obrigatório em todas as grandes cidades japonesas, possibilita uma visão impressionante da ilha, além de toda a parte sudeste da cidade.

Viajar é o maior barato. Risque o mapa, trace o seu destino e arrisque. O desafio de se entregar aos novos costumes e novas possibilidades renova nossas perspectivas em relação ao resto do mundo. E prepare-se, a viagem ainda não acabou. A nossa visita à Ásia continua na próxima edição. Até lá!

Você já sabe que a cultura oriental possui inúmeras diferenças com a nossa. É preciso muito tomar cuidado para não cometer nenhuma gafe e evitar constrangimentos. Precisa de ajuda? Listamos algumas dicas importantes que podem ser úteis:

Nunca ofereça gorjetas no Japão. Taxistas e garçons são exemplos de profissionais que acham realmente um insulto receber um agrado extra. O serviço que eles estão prestando já está sendo pago pelo preço determinado.

Caso não saiba comer com hashi (os famosos pauzinhos difíceis de segurar), escolha bem o restaurante para a próxima refeição. Em alguns deles não há a opção de usar garfos ou colheres. Antes de viajar treine um pouco, é uma questão de prática e paciência.

Misture-se. Japoneses têm uma visão de mundo baseada no coletivo. Eles se consideram responsáveis uns pelos outros. Evite atividades individuais como falar no celular em estações de trens ou ônibus. Respeite o grupo em que está inserido.

Viaje com o seu inglês em dia. Há grandes chances de você ser abordado na rua por grupos de orientais curiosos sobre o país de onde veio. Para eles, todo turista fala a língua americana e irão insistir em testar seus conhecimentos numa conversa cheia de sorrisos.

QUER IR COMO?

Para não perder tempo, escolha bem o meio de transporte ideal para cada tipo de passeio. Às vezes as distâncias em Tóquio são maiores do que parecem e andar a pé nem sempre é uma boa opção.

 

ANDANDO: Tóquio não foi exatamente feita para os pedestres. O grande fluxo de carros pode tornar a caminhada um pouco desagradável e nas pequenas ruas se perder é muito fácil. Porém, áreas como Aoyama e Yanaka são ótimas para conhecer a pé.

 

DE BICICLETA: É uma aventura à parte. As regras de trânsito ditam que o ciclista precisa dividir as vias com os carros, o que pode ser uma experiência perigosa. Mesmo assim, a capital japonesa é conhecida pelo grande número de bikes circulando. Algumas abandonadas foram transformadas em uma espécie de jardim quando o pessoal da Coogo – organização para manter a cidade mais bonita -, resolveu plantar flores nos assentos.

 

DE TÁXI: Os carros amarelos podem não ser a melhor opção caso você não esteja preparado para gastar muito além do planejado. Apesar do grande número de táxis em Tóquio, o serviço é caro e se mostra dispensável frente ao completo sistema do subway japonês. Mas, se for o caso, lembre-se de anotar o endereço desejado em um papelzinho, provavelmente o motorista não vai entender seu inglês.

 

DE METRÔ: Caso o leitor esteja acostumado a utilizar o metrô aqui no Brasil, é bom ficar atento. Os vagões do subterrâneo da capital japonesa estão sempre dentro do horário previsto de chegada e saída e as estações comportam grande quantidade de linhas e baldeações. A demanda de passageiros é gigante, por isso existem linhas privadas para descongestionar os pontos mais procurados.

 

 

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