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CARIRI Viagem: Os Tesouros da Terra dos Khmers

Por Redação Cariri • 5 de fevereiro de 2019
Localizado no Sudeste Asiático, entre Tailândia, Laos e Vietnã, o ainda pouco conhecido Camboja supreende por seu patrimônio arqueológico inestimável, seduz pela sua gastronomia e encanta pela hospitalidade e alegria do seu povo. A CARIRI Revista lhe convida a descobrir as insuspeitadas belezas deste país.

 

CAMBOJA: “A TERRA DAS ALMAS ERRANTES”
É assim que se chama um dos muitos documentários de Rithy Panh sobre o Camboja. Este renomado cineasta cambojano, que já foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro por A Imagem que Falta (2013), compartilha com seus contemporâneos um histórico comum: a vivência do genocídio no país, no século XX, durante o regime do Khmer Vermelho e de seu líder Pol Pot, em que aproximadamente 2 milhões de pessoas foram mortas. Para a história mundial, foi uma das maiores carnificinas da humanidade.

Hoje, chegar ao Camboja e esperar encontrar pessoas com semblantes entristecidos é quase um mito. O país, que se reergueu e encontra no turismo grande incentivo para a economia, é marcado pela hospitalidade e um povo que sabe receber bem os estrangeiros. Lá, ninguém economiza simpatia e sorrisos. Mas, seja firme e forte: as crianças que ficam vendendo souvenirs pelos arredores são bem insistentes e é difícil dizer não.

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Templo de Baphuon, no parque arqueológico de Angkor, na província de Siem Riep, Camboja.

SIEM REAP: 7ª CIDADE MAIS AMIGÁVEL DO PLANETA

Três dias, com certeza, não são suficientes para conhecer todas as belezas de Siem Reap, principal destino turístico do país. A 7ª cidade mais amigável do planeta, segundo o CN Traveler, tem roteiros para lá de incríveis. Para quem já está na Tailândia, chegar lá é fácil. A AirAsia tem voos diretos e não custam mais que U$ 60 cada trecho. Ir de ônibus ou carro não é muito indicado devido aos problemas encontrados na fronteira, conhecida pelas tentativas de propina. O visto é feito na chegada ao país – custa apenas U$ 20 e é tudo muito fácil: foto 3×4, passaporte e o certificado internacional de vacinação contra febre amarela. Para quem esqueceu de levar a foto, eles só cobram U$ 1 para tirar na hora. Sim, tudo no Camboja se resolve com o dólar americano, inclusive nos ATM (caixas eletrônicos) o dinheiro é em dólar. Isso porque a moeda local, o Riel, só serve para trocos pequenos e é bem desvalorizada. (4.000 riels = U$ 1).

A melhor época para viajar ao Camboja é de novembro a abril, quando a umidade está baixa. A arquitetura colonial da cidade já pode ser notada no próprio Aeroporto Internacional de Siem Reap, um dos mais movimentados do país, que de fora lembra um resort. Os táxis são mais seguros e confortáveis que os Tuk-tuks (triciclos com cabine para transporte de passageiros ou mercadorias, movidos a motor, pedal ou tração humana). Por isso, para quem acabou de desembarcar, são mais recomendados. O idioma local é o Khmer, mas é bem raro achar alguém que não saiba falar inglês. Os hotéis e resorts, que são bem parecidos na arquitetura, variam no preço e na sofisticação, como os Sofitel ou Amansara, favoritos de Angelina Jolie.

 

MAS POR QUE SIEM REAP?

Uma coisa é certa. Quem vai, quer voltar. O motivo é óbvio: com uma área total de 10.299km2 (só para comparar, Juazeiro do Norte tem uma área de 248.832km2), Siem Reap que, ao pé da letra, significa Derrota de Sião, possui os templos mais visitados do Camboja. O Complexo Arqueológico de Angkor é formado por centenas de estruturas que datam dos séculos IX ao XIV, onde é narrada a história da ascensão e queda do Império Khmer. Um patrimônio histórico de valor inestimável!

Angkor (na língua local, “Cidade Sagrada”) Wat (“Templo), tido como maior monumento religioso do mundo, tombado pela Unesco como Patrimônio da Humanidade em 1992, fica a 5 Km de Siem Reap e atrai turistas bem antes do nascer do sol – que, diga–se de passagem, é uma das maiores belezas já vistas.

Símbolo da cidade e estampado na bandeira do país,foi construído no início do século XVII para servir como tumba para o rei. Era tido como a morada dos deuses, a que apenas a elite religiosa e política tinha acesso. Nas paredes, os desenhos esculpidos que ganham mais destaque são os de figura feminina, como as Apsarás, dançarinas celestiais. É bem provável que você esbarre em monges com vestes alaranjadas pelas redondezas, afinal, eles estão por todos os lados.

Outro monumento que todo mundo deve visitar é o Ta Prohm. Visto como o templo que a natureza tomou de volta, as gigantescas árvores se mesclam com a arquitetura e parece que tudo virou uma coisa só. Ta Prohm
foi construído no final do século XII e início do século XIII para servir como mosteiro e universidade. Sua estrutura é praticamente toda original, dando um ar pitoresco ao local. Reconheceu de algum lugar? Foi lá que aconteceram as gravações de Lara Croft: Tomb Raider.

 

A sensação ao ver cada lugar desses é: “por que eu nunca vim aqui antes?”. Bayon, um dos templos mais bonitos da área, foi erguido como um santuário budista. São as 216 “máscaras” gigantescas que impressionam os turistas. Uns dizem que foram construídas para homenagear o rei Jayavarman VII, já outros afirmam que as imagens são do Buda da Compaixão, Avalokitesvara.

É importante saber que, para visitar a maioria desses ambientes, não é permitido mostrar partes do corpo como joelhos e ombros – portanto, use roupas confortáveis e discretas. Não esqueça de levar água e se preparar, porque a caminhada é longa. Apesar da chuva, é muito difícil o calor dar uma trégua. Algumas pessoas preferem ir de bicicleta ou tuk tuk, mas os taxistas também cobram valores baixos para ficar disponíveis o dia todo. Para entrar no templo você paga uma taxa de U$ 20, mas, para os turistas que querem ir por três dias, por exemplo, eles fornecem um ticket que custa cerca de U$ 40. Ah, os templos funcionam de 5h às 17h30min.

Siem Reap tem outras opções de turismo. Desde casas de massagem, onde os visitantes colocam os pés em um aquário cheio de peixes para relaxar, ao Old Market, localizado no centro da cidade, que proporciona aos visitantes um pouco dos costumes locais, com comidas e vendas de artesanato. Lembre-se de pechinchar. Quando você pergunta o preço de algo, eles já percebem o interesse e vão insistir até você levar – coisas que
custam U$ 10 podem chegar a U$ 2 só com o poder da barganha.

Nas redondezas, a Pub Street reúne bares e restaurantes para quem quer dar um passeio à noite. O que chama atenção são os preços: é tudo extremamente barato. As cervejas, por exemplo, chegam a custar U$ 0,50. O churrasco cambojano é a melhor pedida para experimentar a culinária local – após a escolha das carnes, o
garçom coloca um minifogareiro onde será preparada sua refeição. Uma mistura de temperos tailandeses, vietnamitas, sem falar do curry da Índia, compõe os pratos da cozinha khmer. A pimenta é um dos
ingredientes que não podem faltar!

O Camboja não tem a grandiosidade do Japão ou da Tailândia, mas sua história, espiritualidade e povo são o que fazem esse país atrair tanta gente. Vá uma vez e vá de novo. Planejar, pesquisar, sair do lugar e ir conhecer o mundo. Arriscar-se em novos costumes e idiomas. Enxergar além. E, como diz Marcel Proust: “A verdadeira viagem de descobrimento não consiste em procurar novas paisagens, e sim em ter novos olhos”.

 

 

 

 

Redação Cariri