Especial

Andanças pela inesquecível Argentina

Por Redação Cariri • 7 de maio de 2019

Para comemorar o aniversário de três anos de casamento, o empresário Ermeson Silva e sua esposa Nádia Keilly foram até a Argentina, onde desbravaram a cultura dos hermanos, provaram o curioso cucurucho, dançaram o melhor tango do mundo e se encantaram com as sutilezas do cotidiano local.

 

FOTO: Fonte Pixabay

Livraria El Ateneo, em Bueno Aires. Foto: Pixabay.

Por Ermeson Silva.

Em meados de julho do ano passado, minha esposa Nádia e eu comentávamos entre amigos sobre nosso desejo de fazer uma viagem ao exterior ainda naquele ano. Estávamos certos de que nosso destino seria o Caribe, mas depois de algumas pesquisas descobrimos que outubro, o mês da viagem, não era a melhor época para visitar as terras caribenhas. Quase desistimos, até que, por sorte, meu amigo Gilberto me enviou pelo Facebook: “Vamos para a Argentina?”. Foi certeiro!

Não precisou muito para Nádia embarcar na ideia, pois já tínhamos grande vontade de conhecer o país do tango. Logo começamos a planejar: o mês escolhido permaneceria outubro, pois, além de ser o mês do nosso aniversário de casamento, também queríamos pegar a baixa estação e suas vantagens, que vão desde preços mais acessíveis em hotéis e voos até na facilidade de locomoção pelas cidades e seus pontos turísticos. Tradicionalmente, nos meses de férias reservamos nossa casa para receber os amigos que são apaixonados pelo Cariri (pudera, né?!).

Pisando en suelo argentino, logo ao sair do avião, ainda trajado de camiseta de juazeirense nerd que passa seus dias debaixo de um sol de 38 graus, fui pego por um ar gélido e seco. Naquele período a primavera já havia chegado junto com as festas. Passeios ao ar livre voltaram a ser comuns e a cidade estava bonita com seus inúmeros bosques floridos.

Numa primeira impressão, Buenos Aires pode não parecer nada demais. Vista do avião parece uma cidade cinza, fria e… Já falei cinza? Mas ao andar por suas entranhas, pode-se perceber a beleza da arquitetura, o cuidado com as árvores e bosques, a sofisticação das pessoas trajadas em couro e cachecóis e um trânsito tão maluco e difícil de entender.

Nessa combinação tão íntima e generalista ao mesmo tempo, a cidade se torna bela. Nota-se claramente na arquitetura a presença do concreto bruto e a influência europeia antiga. Lembra muito Itália e Madrid, onde o antigo e o moderno se misturam. A quantidade de galerias de arte e teatros é de perder a conta. Todos muito requintados.

Sempre que viajamos optamos por ficar mais ao Centro possível. Às vezes encarece um pouco o hotel, mas economiza-se muito com taxis e tempo de deslocamento aos demais bairros. Em Buenos Aires nos hospedamos no bairro da Recoleta, conhecido como o mais descolado da cidade. Na montagem do nosso roteiro, navegando pela internet, li um artigo que dizia que a Recoleta é o lugar mais bonito para se acordar em Buenos Aires. É verdade, acredite. As ruas verticais tornam muito agradável uma caminhada para visitar os pontos turísticos. Charmosos restaurante, bares e cafés de calçada são comuns e sempre muito agradáveis.

Também é possível jantar em um dos vários restaurantes de Puerto Madero, onde a vida noturna acontece. Caminhadas noturnas por este bairro são bem tranquilas, sempre policiadas e com câmeras de segurança pelas ruas. Em uma das noites saímos de um bar às 3h e nos perdemos tentando voltar para o hotel a pé, mas logo nos sentimos confortáveis em achar o caminho correto, dada a quantidade de policiais federais – isso mesmo, federais – pelas ruas.

E por falar em caminhadas ao ar livre, para quem gosta é indispensável reservar um dia inteiro aos bosques de Palermo. Essa foi a parte que minha esposa mais gostou e não adianta tentar descrever a beleza do local ou limitar em palavras a experiência, para um dos dois, melhor olhar no Google Imagens.

Aliás, o bosque tem uma atmosfera excelente para tirar aquela foto para o Instagram. A sugestão crucial aqui é levar sapatos confortáveis, pois a cidade é tão plana e o clima tão agradável que você irá caminhar por horas sem suas pernas perceberem, exceto no momento em que chegar ao hotel e tomar um banho. Aí sim, elas vão, dolorosamente, te lembrar.

Devo confessar que a gastronomia argentina foi um dos fatores que mais me motivou a fazer esta viagem. Não pelas carnes, que comi e confesso que não me impressionaram muito, mas sim pelas massas (la culpa de Itália). Como um amante de pizzas, já conhecia a fama do restaurante Guerrin, que serve a pizza considerada por alguns a melhor do mundo. Eles, inclusive, carregam o emblema na fachada: “Qui sim impasta la migliori pizza dal mondo”. Fui. Comi. E observei: a única semelhança com a pizza brasileira é que ambas são redondas. A pizza chega a ter perto de 5 a 7 centímetros de altura. O chef usa tanto queijo, mas tanto queijo que ao final parece uma lasanha. Custa 180 pesos argentinos e vale cada centavo. Momento tietagem: ainda tive a oportunidade de conhecer o chef El Paisa, responsável pelos prêmios, e ele se recusou a contar seu segredo.

Outro destino gastronômico que descobri pelo canal Aires Buenos Tv, no YouTube, é o El Sanjuanino, tradicional casa de empanadas argentinas. A pedida da vez são as empanadas e os vinhos, estes armazenados em imensos barris de carvalho no teto, a uns 30 centímetros das nossas cabeças. Ao pedir uma taça ao garçom ele simplesmente levanta uma moringa, abre a torneira e enche de sangria. Ambiente tão rústico que parece medieval. Comer no Sanjuanino é um ato cultural. É o que dizem.

 

A Argentina é mundialmente conhecida pelos tangos. Fato. E a variedade é enorme, desde produções hollywoodianas até tangos de boteco. Buscamos encontrar o mais tradicional possível e assim fomos à Esquina Homero Manzi, um dos mais tradicionais da capital. A estrutura parece a de um teatro antigo e pomposo. Ao fundo, um palco onde o espetáculo é apresentado. Fato que não conhecia é que o tango não é simplesmente uma dança, mas algo teatral. Existe o drama, a excitação, a luta e a conquista. Os músicos são excepcionais, divididos em violoncelo, violino, piano e acordeão. As dançarinas, de uma elegância e sensualidade sem tamanho e os dançarinos, de uma sofisticação só. O espetáculo dura em média duas horas, tudo regado a muito, muito vinho e também muita comida, geralmente bifes chorizos com “papas bravas”.

Reservamos um dia inteiro para subir o rio La Plata de barco até a cidade de Tigre. A subida pelo rio demora duas horas, mas com uma hora de trajeto, o rio estreita e entra por uma cidade aquática. Explico. Casas às margens direita e esquerda do rio. Incríveis casas de arquitetura vasta, impossível determinar um único país como influência. O comércio é todo feito a barco. Ao chegar a Tigre encontramos uma cidade de atmosfera tranquila, lembrou muito o Condado (alerta aos não dos Anéis). Capelas e catedrais por repouso para os olhos e a mente.

O passeio de domingo foi na tradicional feira de San Telmo. Uma feira imensa que chega a receber 10 mil pessoas por domingo. Lá é possível encontrar de tudo, desde câmeras fotográficas raras e moedas antigas até temperos e artefatos em couro. É no centro da feira que recomendam o melhor choripan da cidade, um pão simi­lar ao francês com uma linguiça imensa assada e cerveja (Quilmes, sempre). Tudo isso ao som de jJazz de rua. Experiência incrível. Ótimo lugar para comprar souvenirs, pois tudo é muito caro no centro da cidade. A noitada foi no Hard Rock Cafe, ambiente inteiro decorado com gui­tarras ícones do rock, comida boa e cerveja (Quilmes, de novo e sempre), isso ao som de Rush (achei minha casa).

Segundo o site My Travel Map, Nádia e eu já ex­ploramos 3% do mundo. Ainda falta muito a explorar e esperamos voltar a Buenos Aires para visitar e viver experiências que o tempo não permitiu realizar. Escre­vendo pude relembrar alguns trechos da viagem e me vejo com muita saudade. Foi incrível e valeu cada fatura do cartão. Nós ampliamos nosso roteiro de vida e de culturas ao encontrar os hermanos, filhos deste país tão próximo ao Brasil, mas tão longe ao mesmo tempo. Uma realidade alternativa. É como se diz: viajar é a única coisa que você compra e que te deixa mais rico.

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