Cariri Sustentável

Encontro promove interação entre agricultores e valorização do meio ambiente

Com o tema ‘Diálogo entre a Sabedoria Popular e a Ciência para a Construção dos Conhecimentos para a Convivência com o Semiárido’, a Associação Semiárido Brasileiro (ASA) realiza entre os dias 12 e 15 o VI Encontro Nacional de Agricultoras e Agricultores Experimentadores do Semiárido, em Juazeiro do Norte.
Por Márcio Silvestre • 14 de fevereiro de 2019

Cuidar da natureza, preservar as raízes históricas e produzir alimento saudável é um ato de resistência e gratidão para os agricultores que participam do VI Encontro Nacional de Agricultoras e Agricultores Experimentadores do Semiárido. O evento está sendo realizado em Juazeiro do Norte, desde a última terça-feira (12), e conta com ampla programação voltada ao cuidado com a terra, troca de experiência entre agricultores envolvidos com as dinâmicas de experimentação.

Encontro Nacional de Agricultoras e Agricultores do Semiárido. (Foto: Márcio Silvestre)

“Esse encontro tem me proporcionado muito conhecimento, troca de experiência e cuidado com o meio ambiente”, fala a Agricultora Renilda Maria dos Santos, representante da comunidade Amargosa, do Município de Poço Verde – Sergipe. “Hoje visitamos uma comunidade, em Nova Olinda, onde antes não havia árvores, e os agricultores conseguiram reflorestar. Hoje o local está belíssimo, com grande diversidade de plantas, fruteiras, hortaliças e nativas”, explica Reniuda sobre a experiência de visitar a comunidade Lagoa dos Patos, em Nova Olinda.

A Lagoa dos Patos foi uma das 10 comunidades visitadas no Cariri, durante o encontro. No local o casal de agricultores Zé Artur e Bastinha desenvolvem uma experiência Agroflorestal (Veja mais sobre sobre agricultura sintrópica no Link  (caririrevista.com.br/sistema-agroflorestal). Para Renilda, essa foi uma experiência muito gratificante, que será levada para Sergipe. “Esse é o caminho, para todo agricultor que quiser viver de forma sustentável. Na Lagoa dos Patos vimos um rio lá tem um rio que está voltando a brotar por causa da agroflorestal”, ressalta a agricultora cheia de esperança e ansiosa para colocar em prática o que tem aprendido no encontro.

Troca de Sementes

O cuidado do agricultor não é só com a terra. Por saber disso, a ASA proporcionou uma feira de Sementes, dentro da programação do encontro naquarta-feira (13). No local cada Guardião colocava em exposição seus pequenos tesouros, as sementes crioulas, ou nativas. Diferente de grãos transgênicos, essas sementes não comprometem a saúde do ser humano e são mais resistentes ao solo e condições climáticas do semiárido. As sementes crioulas são guardadas durante anos, e selecionadas pelos sábios da terra a cada plantio, carregando além de saúde a história das raízes do povo camponês.

Sementes Crioulas ( (Foto: Márcio Silvestre))

“A semente crioula traz para as famílias agricultoras a certeza de se estar produzindo um alimento saudável. Como os agricultores guardam essa semente historicamente eles sabem o tempo de plantio, como vai ser o retorno deste plantio. E politicamente é uma estratégia de combate ao consumo e produção de sementes contaminadas com transgênicos, com organismos geneticamente modificados, ou contaminadas com o uso de agrotóxicos”, explica a Articuladora da ASA, Andrea Sousa.

Saber popular também é inovação

Como forma de valorização das descobertas e experiências dos agricultores, foi preparado uma tenda com exposições de produtos da agricultura familiar chamada “Terreiro de Inovações”. Dentro do terreiro foram apresentadas em torno de 30 inovações, das quais 22 são protagonizadas por mulheres, reafirmando o importante papel que as mulheres assumem no protagonismo das iniciativas de convivência com o semiárido.

“Aqui neste terreiro a gente enxerga a maior revolução da história da humanidade que é a domesticação das plantas e animais, feita pela agricultura familiar, mas nos últimos 100 anos a ciência tentou esconder essa revolução. Agora a agroecologia faz uma nova revolução unindo o saber popular e a ciência”, afirma Euzébio Cavalcanti, agricultor experimentador da Paraíba.

Agricultor Euzébio Cavalcante (Foto: Márcio Silvestre)

Além de Agricultor Eusébio é poeta, e abriu o Terreiro de Inovações cantando. Com a viola na mão,  cantou versos improvisados, sobre a alegria de ser agricultor e ter a consciência do cuidado com a terra.

 “No terreiro de onde vim
tem alimento sadio,
Eu vou dizer que pra mim
Só tem coisa que confio
O sofrimento ensina
É dele que se sai a mina
Do saber abençoado
De quem ousa arriscar
A parti dali mudar
O depois multiplicado”.
– Euzébio Cavalcante.
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Foto Destaque: Agricultora Renilda Maria dos Santos.

Márcio Silvestre

Márcio Silvestre

Formado pela Universidade Federal do Cariri (UFCA), com experiência em Assessoria de Imprensa e Produção Cultural. "A comunicação e a arte se cruzam no meu caminho. Descobri no jornalismo a oportunidade de contar histórias e compartilhar conhecimento".