Consumo e Estilo

Duas décadas de música

Da era do disco ao pendrive, a música eletrônica no Cariri tem muita história para contar. Um dos primeiros a animar as baladas da região, DJ Jorjão marcou uma época com a Cotonete.
Por Ribamar Junior • 3 de novembro de 2015

No começo dos anos 80, quando menino, Jorge Karrlen Pedrosa Monteiro de Carvalho gostava de levar os discos e a radiola debaixo dos braços para animar as tertúlias da família e as festinhas do bairro. Nascido em Fortaleza, ele tentou por três vezes cursar Economia, mas foi reprovado por falta e largou tudo para seguir o sonho de ser DJ. Hoje, aos 44 anos, ele é ainda é lembrado pelo apelido DJ Jorjão e comemora 25 anos da festa Cotonete, a discoteca que fez a festa da juventude caririense na década de 1990.

Inspirado em nomes da disco music, como Barry White e Dona Summer, e em artistas brasileiros como os do O Rappa e Paralamas do Sucesso, Jorge tornou-se DJ oficialmente em 1991, com o lançamento do programa Cotonete na rádio Tempo FM. Recém-chegado no Cariri, ele deixou para trás a cidade de São Paulo, lugar onde cresceu. Seu pai, militar do exército, havia sido transferido para a região, então o garoto veio com toda a família. Embora o forró no Cariri estivesse no gosto popular, o DJ diz que o povo se apaixonou pela música eletrônica rapidamente.

12193927_972993642758899_2058229228_o

DJ Jorjão de preto

Jorjão conta que fazia a festa com dois toca discos Technis, um Mixer, um fone de ouvido e vários LPs. Geralmente, cada disco era uma música, então, eram em média de 70 a 100 discos por evento. “Hoje, o DJ pode levar tudo no bolso!”, ele brinca. A primeira vez que assumiu a mesa de som foi na antiga domingueira do Crato Tênis Clube, ao lado do amigo DJ Cid Som. A iluminação era bem diferente e a fumaça era produzida artesanalmente por ele próprio.

Atualmente na Vale FM, o programa Cotonete segue aos sábados às 18 horas a todo vapor. Para comemorar duas décadas e meia de festa, ano que vem ele pretende contar a história do Cotonete com eventos nacionais, publicação de uma revista com curiosidades, informações, um CD e também continuar com as inovações na tenda eletrônica, que está há mais de 15 anos na Expocrato.

12185990_972993402758923_1806957223_o

Com mais de 20 anos de profissão e vários cursos de DJ ministrados por ele, Jorjão conta que muitas pessoas cresceram ao som de suas mixagens e que até hoje acompanham as festas. Ele considera que, com a facilidade de adquirir repertórios e equipamentos, a internet fez com que a vocação de DJ se tornasse modinha, disputando espaço com quem de fato “respira música há anos”, diz. Apesar disso, ele acredita que ainda se fazem DJs como antigamente, “e até melhores”, finaliza.

CATEGORIA:

Ribamar Junior