Arte e Cultura

Dia do artista de Teatro: caminhos tortuosos na construção de uma arte disruptiva

Por Márcio Silvestre • 19 de agosto de 2020
Foto: espetáculo "O pecado de Clara Menina", Cia. Brasileira de Teatro Brincante, 2011.

A sensação que antecede o ensaio pode ser comparada com a preparação para um encontro amoroso. As mãos suam, o coração acelera e de vez em quando você olha para o relógio só para ter certeza de quanto tempo falta para encontrar sua “turma”. Os pensamentos são preenchidos por devaneios alheios, sensações emprestadas e humor dos personagens.

No percurso até o ensaio é normal que nos flagrem falando sozinhos, fazendo caretas e observando o ambiente com um ar de desconfiança ou acentuada observação. Não, nós não perdemos o juízo, se é que um dia o tivemos, mas nessas horas em que desfilamos incoerentes pelas ruas estamos dando vida aos personagens que nos habitam.

Espetáculo Desligue o Projetor, Cia. Yoko, no Teatro Raquel de Queiros, em 2014.

Enquanto a nossa mente anda longe, naquela fala que ainda resta ser aprendida e que associamos com uma melodia para facilitar o decoro, os nossos pés, donos de si, já conhecem o trajeto. Somos direcionados como os mágicos sapatinhos de ruby da Dorothy ao nosso destino: o Teatro.

Palco vazio

O Dia do Artista de Teatro é comemorado no Brasil desde 1978, em 19 de agosto, data em que a profissão foi regulamentada. Neste ano, enquanto todos os espaços de espetáculo estão fechados, por conta da pandemia de Covid-19, artistas e público se encontram virtualmente pelas redes sociais.

Que venha o dia em que possamos celebrar a arte dionisíaca de forma íntegra. Que acabe de uma vez por todas a falácia de que arte não é necessária, para não se investir com respeito e dignidade no setor. Nunca precisamos tanto dos artistas e de suas obras como nesses tristes dias de pandemia.

Espetáculo “O boi da cara preta”, Cia. Pirralhos, 2015.

Fotos: arquivo pessoal

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Márcio Silvestre

Márcio Silvestre

Formado pela Universidade Federal do Cariri (UFCA), com experiência em Assessoria de Imprensa e Produção Cultural. "A comunicação e a arte se cruzam no meu caminho. Descobri no jornalismo a oportunidade de contar histórias e compartilhar conhecimento".