Cariri Sustentável

Descaso ambiental e COVID-19

Como o desrespeito à natureza e a degradação ao meio ambiente podem ter provocado o surgimento do Novo Coronavírus
Por Carolina Barros • 23 de abril de 2020
As evidências científicas de que a pandemia do COVID 19 seja consequência da conduta humana na relação com o meio ambiente estão em fase inicial, mas as primeiras análises e estudos indicam que o vírus Sars-CoV-2, causador da enfermidade, tenha se originado desse processo.
Antes mesmo da atual propagação da doença que já atingiu a mais de 150 países, estudo publicado pela revista Nature identificou a presença de vírus,  geneticamente semelhante ao novo coronavírus em amostras de sangue de pangolim, animal silvestre amplamente traficado na Ásia e África para o consumo de carne e escamas e que está ameaçado de extinção.
As amostras vieram de 18 destes animais  apreendidos, em 2017 em Guangxi na China,  a cerca de 1.000 quilômetros de Wuhan, cidade em que teve início a pandemia e na qual está localizado o mercado úmido onde foram encontrados os primeiros casos da COVID 19.

National Geographic Brasil

Outras pesquisas indicam que não apenas  o coronavírus, mas diversos agentes causadores de doenças têm se propagado na humanidade como resultado dos excessos da atividade humana no ambiente. Análise do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) em 2016 revela que 60% das infecções da atualidade são transmitidas entre animais e seres humanos e que a condição dos ecossistemas possui uma estreita relação com a incidência das mesmas.
Reportagem publicada esta semana no El Pais apresenta dados de um estudo da Stanford University  avaliando os impactos do desmatamento, uma vez que ao configurar grandes perdas da cobertura vegetal, habitat de inúmeras espécies de plantas, animais e outros seres, estaria eliminando um tipo de barreira de proteção e assim facilitando o contato e a aproximação humana com novos vírus, de modo a contribuir com a disseminação de doenças contagiosas entre as pessoas.

Felipe Werneck / Ibama

O pesquisador e biólogo Weber Girão, relembra que há um século a humanidade enfrentava a primeira pandemia de Influenzavírus H1N1, que no Ceará ficou conhecida como Gripe Espanhola e chegou a infectar um quarto da população mundial.
“O antigo mal gerou modificações comportamentais na sociedade, no entanto, estas não impediram a pandemia moderna. Hoje temos mais condições de realizar uma mudança de conduta planejada, baseando-se na ciência e repelindo o negacionismo que nos permeia. Separadas por cem anos, ambas pandemias tiveram origem na relação insustentável que temos com a natureza.”
avalia.

Noel Celis / Folha Uol

O biólogo afirma que a origem do Sars-Cov-2 na China poderia ter ocorrido no Brasil, uma vez que o país lida mal com as questões ambientais, e cita como exemplo as ocorrências de fogo na Amazônia que ocorreram no ano passado que gerando a possibilidades de disseminação de diversas doenças tropicais, decorrente de incêndios.

Greenpeace

 

Carolina Barros

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