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Comunidade Minguiriba, da cidade de Crato, é tema de livro

Por Edição Cariri • 22 de janeiro de 2021

A professora da Universidade Regional do Cariri (URCA), Francisca Eugenia Gomes Duarte, lançou na tarde da última quarta-feira, dia 20, o livro “Minguiriba: Memória e Identidade” e o filme “Minguiriba”. No livro, os narradores do Minguiriba, comunidade rural da cidade de Crato/CE, localizada em cima da serra, na Chapada do Araripe, soltam a voz e compartilham com o mundo a sua memória e a sua história, antes ignorada pela historiografia oficial.

Tanto o livro quanto o filme são frutos da pesquisa de mestrado, que teve como objetivo principal levar a voz da comunidade, na porção pertencente ao Crato, para mais longe, fazendo com que eles fossem ouvidos e que os olhos do mundo se voltassem para eles, trazendo à tona as problemáticas que os afligem. “Eles estão lá há mais de 100 anos e ainda não conseguiram ser vistos. A não ser por grupos com finalidades políticas. É assim que se sentem, quando eles dizem que só têm valor na época de eleições, com promessas que não são realizadas”, relatou.

Capa do livro

O lançamento aconteceu na última quarta-feira, 20, através da plataforma Google Meet e contou com a presença de Dra. Ariluci Goes Elliot, professora do Curso de Graduação e do Programa de Pós-Graduação em Biblioteconomia e Coordenadora do grupo de Pesquisa Memória, Acervos e Patrimônio da UFCA, além de Dr. Marcos de França, professor dos Cursos de Graduação e do Programa de Pós-Graduação em Letras da URCA e Coordenador do grupo de Estudo em Discurso Cultura e Identidades.

Segundo Eugenia, a live foi maravilhosa. “Cumprimos com a nossa meta através de um papo gostoso e maravilhoso com diversas pessoas importantes de todo o Brasil”, disse. Aos interessados, a venda do material acontece pelo site www.editoratelha.com.br ou diretamente com a autora por meio do Instagram @eugenia.gd ou pelo Facebook: Eugenia Duarte.

Apresentando a comunidade

A comunidade situa-se a aproximadamente 18km da cidade de Crato e foi fundada no ano de 1904 pelo Padre Cícero Romão Batista, para receber os Romeiros que chegavam à região em busca de socorro, fugindo da seca que assolava o Nordeste. Há relatos de remanescentes de romeiros vindos do Rio Grande do Norte, principalmente dos municípios de Caicó e Santana de Ipanema, também da Paraíba, da cidade de Campina Grande e João Pessoa, do Pernambuco e de muitas outras localidades.

Tais romeiros, ao chegar à região, por não ter tido acesso a educação, foram enviados a chapada para sobreviver com recursos oferecidos pela natureza. Segundo a autora, os entrevistados diziam que o Padre Cícero falava para eles se dirigirem à serra, plantar e colher. Lá eles tiveram que lutar com as adversidades e os animais da floresta, além de caminhar mais de 18km para ter acesso a água na cidade vizinha de Santana do Cariri.

A pesquisadora foi até a região para comprar um terreno e, ao chegar lá, se deparou com um imaginário abastadíssimo e uma riqueza cultural enorme. “Comecei a pesquisa em 2013 com observações, além de ter me tornado uma moradora e, através da metodologia da história oral, colhi material suficiente para fazer não só a dissertação, mas também o filme”, disse. A identidade cultural de lá traz como ponte forte a celebração do Sagrado Coração de Jesus e dos festejos juninos e natalinos.

A comunidade, que tem aproximadamente 300 moradores, só teve acesso à energia apenas em 2007. Com relação ao abastecimento de água para consumo, esse se dá por meio de cisternas ofertadas por um programa do governo federal, que não dar assistência a todos, pois apenas alguns foram contemplados. “O maior rendimento da comunidade são dos aposentados que recebem um salário mínimo, os demais, em sua maioria, sobrevivem com a renda da agricultura e alguns possuem o Bolsa Família”, destacou Eugênia. Além do mais, lá não tem escola, nem posto de saúde, e recebe médico apenas 1 vez por mês.

Sobre a autora

Foto: Redes Sociais

Eugenia é professora efetiva do Curso de Letras da URCA, Doutoranda em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Mestre em Biblioteconomia pela Universidade Federal do Cariri (UFCA) e filiada aos Grupos de Pesquisa Memória, Arquivo e Patrimônio – MAPA (UFCA) e aos Grupos de Estudo: Discurso Cultura e Identidade – DISCULTI – (URCA) e GRECOM (UFRN).

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