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Ceará é o terceiro estado do Nordeste com maior produção de energia eólica

Por Edição Cariri • 3 de fevereiro de 2021

Por Joelton Barboza

Buscar formas de produzir energia sustentável e que agrida o mínimo possível o meio ambiente, ou quase nada, é de suma importância, tendo em vista as mudanças climáticas e todo o estresse ambiental pelo qual o planeta vem passando com toda a exploração irregular e desenfreada provocada pelo ser humano.

Alguns países e grandes nações, representados pelos seus chefes de estados e presidentes, vêm se unindo, nos últimos anos, com o objetivo de conscientizar todos os demais sobre a necessidade e importância das práticas sustentáveis. Uma das formas de produzir energia elétrica limpa, por exemplo, e com recursos totalmente zero agressão ambiental, é por meio do vento.

A energia eólica é produzida a partir da força dos ventos e é gerada por meio de aerogeradores. A força do vento é captada por hélices ligadas a uma turbina que aciona um gerador elétrico. É uma energia abundante, renovável e limpa. A energia eólica é usada há mais de 3 mil anos e antigamente ela era utilizada por meio dos moinhos. No Brasil, a primeira turbina de energia eólica foi instalada em Fernando de Noronha, ilha pertencente ao estado de Pernambuco, no ano de 1992.

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O Ceará é o terceiro estado do Nordeste com maior produção de energia eólica, com 86 parques. O estado líder na produção é o Rio Grande do Norte, depois a Bahia. A região Nordeste, sozinha, é responsável por cerca de 80% da energia eólica gerada em todo país. No dia 30 de agosto de 2020 o Ceará registrou o maior nível de geração eólica do ano, com 1.236,5 MWmed (megawatts médios). Foi a maior registrada desde 8 de outubro de 2019, quando a geração foi de 1.326,5 MW, a maior registrada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) desde janeiro de 2010, quando começaram os recordes de geração eólica.

Região do Cariri

Em entrevista para a Cariri Revista, a Casa dos Ventos, líder no desenvolvimento de parques eólicos no Brasil, disse que segue mapeando ventos pelo Brasil e destaca que está atenta a novas oportunidades, sobretudo no Nordeste. “Lembramos que, entre 2015 e 2016, nós inauguramos o Complexo Ventos do Araripe, na Chapada do Araripe, na divisa entre Piauí e Pernambuco. O conjunto de parques foi desenvolvido e implantado pela Casa dos Ventos, com potência instalada de 210MW e 360 MW, nas diferentes fases, mas esses atualmente são operados por outras companhias. Além destes projetos, desenvolvemos mais 800MW de projetos na Chapada do Araripe que foram construídos por terceiros e se encontram em operação. Para o futuro, ainda temos projetos eólicos e solares em desenvolvimento na região”, disse.

Brasil

Em abril de 2020 o país alcançou a marca de 15 mil megawatts (MW) de potência instalada (capacidade de geração) de energia eólica. A energia gerada pelos ventos e pela irradiação solar já representa 10% da matriz elétrica nacional, composta pelo conjunto de fontes disponíveis para a produção de eletricidade. Isso representa uma alta de 20 vezes em relação a dez anos, quando o percentual era de 0,5%, segundo o Anuário Estatístico da Energia Elétrica.

O Brasil tem 660 usinas instaladas no Brasil e 7.500 aerogeradores, segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica). De acordo com o órgão, em 2012 o Brasil estava na 15ª colocação e em 2018 foi o quinto país que mais instalou eólica e manteve sua colocação no ranking mundial de capacidade instalada ocupando a oitava posição.

Condições climáticas favoráveis

A energia eólica pode ser produzida em qualquer local, mas só é economicamente viável quando as condições de vento são favoráveis. Algumas áreas no Brasil, principalmente a região Nordeste, possuem ventos constantes e com força suficiente para produzir energia a preços competitivos.

De acordo com a Casa dos Ventos, antes da instalação de um parque, é feito um estudo aprofundado dos ventos daquele local. Fatores como intensidade, frequência e direção são essenciais para determinar a viabilidade do projeto. Um diagnóstico da situação de situação fundiária também é realizado e a empresa investe na regularização das famílias e propriedades que venham a fazer parte do projeto.

Um dos pontos positivos da energia eólica é que ela é 100% limpa, não causando danos à área onde é produzida. Eles destacaram também que, além disso, a implantação de um parque eólico só acontece após a obtenção de todas as autorizações e licenças, inclusive ambientais, requeridas pelos reguladores em cada região. A infraestrutura de conexão também é um ponto a ser analisado, tendo que haver uma subestação na região apta a receber o escoamento da energia proveniente do parque. Aspectos de relevo e geologia também são importantes para o acesso com os equipamentos e a complexidade das obras civis.

Quanto ao valor, em média, para criação de uma usina, a Casa dos Ventos destaca que varia de projeto, conforme as particularidades de cada um. O que se pode afirmar sem dúvidas é que o custo da energia eólica atingiu patamares muito competitivos, consolidando-a como a fonte de energia de custo mais baixo entre as renováveis.

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