Arte e Cultura

Bonecas Abayomi: resistência negra e empoderamento feminino

Historiadora caririense ensina a técnica em oficinas e teatro de caixa
Por Bruna Vieira • 5 de fevereiro de 2019

Sem cola ou costura as bonecas são confeccionadas em processo totalmente manual. Foto: Maria Macedo.

 

“Projeto independente e itinerante de circulação e ocupação de escolas, ninhos, ruas, praças, centros culturais. História, Artesania e Resistência querendo voar mundo afora”

Retalhos de tecido, tesoura e habilidade com nós ou tranças são os elementos necessários para dar vida às bonecas abayomi (leia-se abayomí), símbolo da resistência negra, tradição e empoderamento feminino. A historiadora Ânella Fyama de Sousa, natural de Várzea Alegre teve contato com a técnica de confecção do brinquedo em 2015. De lá pra cá, recontou a história centenas de vezes através do teatro de caixa (lambe-lambe) e das oficinas, nas quais além de contar, também ensina adultos e crianças a artesania das peças, o “saber-fazer”. O Projeto Encontros Preciosos percorreu sete municípios do Ceará, Pernambuco e Paraíba. O objetivo é refletir sobre a memória, o reconhecimento da identidade e preservação das tradições afro-brasileira e africana.

Segundo Fyama, a história não permite determinar se as bonecas foram criadas nos navios negreiros ou são um legado da cultura milenar africana. “Falamos do poder feminino por ter surgido entre mulheres e crianças. Estas não estavam imunes de passar pelo processo de escravização dos adultos, porém, a reação é diferente. Ficavam muito nervosas, choravam com fome, sofriam as mesmas violências, só que o adulto podia se controlar, a criança não. Então as mulheres rasgavam a própria roupa, porque era a única coisa que elas tinham. Isso representa a força e sensibilidade feminina, por essa relação que tinham naquela situação social com os filhos”, narrou.

E foi em uma oficina promovida pelo Grupo de Valorização Negra do Cariri, Grunec, com apoio da Feira Cariri Criativo, que Fyama aprendeu a arte que multiplicou em mais de 50 atividades em comunidades, centros culturais, praças e escolas. “Eu estava no quarto semestre da graduação e surgiu essa necessidade. Embora tenha uma lei que torna obrigatório o ensino da cultura africana e indígena em todos os níveis da educação, não funciona de fato. Eu fazia estágio e tinha muita dificuldade de discutir esse assunto nas escolas. Com a oficina comecei a introduzir essas temáticas. Dá para transitar por várias vertentes que atravessam essa história e a arte auxilia, o saber-fazer ativa sensibilidades que não encontramos no ensino, principalmente, de História e Geografia. Aproxima as disciplinas da artesania. A prática se expandiu e comecei a ser chamada para ministrar”, apontou.

Sem distinção de gênero, meninas e meninos aprendem a fazer bonecas abayomi. Foto: Maria Macedo

Lei 10.639/2013

“§ 1º O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil.

§2º Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de Educação Artística e de Literatura e História Brasileiras.”

Ensino da cultura africana e afro-brasileira é assegurado por lei. Foto: Jaqueline Rodrigues.

Reflexões sobre gênero e etnia

Uma prática que fortalece a igualdade e a autoestima. O participante da oficina aprende a fazer e aprende a ensinar. As bonecas não possuem demarcação de rosto, unificando a identidade do grupo. “A boneca abayomi tem surgimento político na década de 1980. Grupos de mulheres e movimentos sociais negros pegaram esse elemento da cultura afro-brasileira e utilizaram como forma de conscientização política e identidade. Faz parte de uma história e cultura que já existiam, mas, no momento de redemocratização do país ganharam mais espaço público. Auxiliou a discutir questões de racismo e empoderamento”, explicou Fyama.

Para a historiadora, levar essas discussões para fora dos movimentos sociais é indispensável. “A nossa educação funciona numa lógica de que o conhecimento só existe dentro da universidade e escolas. Apesar de sempre existir, é como se fossem temas transversais, precisamos superar essa ideia e tratar o racismo, feminismo, orientação sexual. Criança é a base, eu não escutava professores discutindo esses temas no ensino básico. Será que eu teria sofrido tanto para descobrir coisas que me oprimiram depois?”, questiona.

O processo criativo surgiu no contexto da escravização, violência, estupro e trabalho forçado “Só isso já é uma resistência. Nesse cenário seria impossível surgir qualquer forma de resistência, e essas práticas existem até hoje”, reiterou.

Enquanto trabalha a questão étnica, gênero e machismo são abordados simultaneamente. “Meninos e meninas fazem, eles dizem ‘mas eu sou menino, eu não vou fazer não’ e você explica que a historia é mais importante, ‘você não brinca de boneco? O que muda?’ E vai acessando esses lugares, dialogando, são sensações trocadas. A linha principal é a história das bonecas, mas dependendo da faixa etária e lugar social dessas pessoas, são vários elementos que aparecem, cada experiência é diferente. A questão de onde está vindo o material, porque é importante reutilizar, ressignificar”, revela.

Abay (encontro) Omi (precioso): palavra de origem iorubá, uma das maiores etnias do continente africano. Foto: Jaqueline Rodrigues.

Receptividade no público

O processo criativo é livre, sem padrão estético. Fyama coleciona dezenas de bonecas que ganhou de presente. São os laços criados, recebendo de volta o bem que fez. O que sobra em um lugar serve de matéria-prima em outro. Apesar de estar diretamente ligada à arte, Fyama não se considera artista. “É um aprendizado para mim também, uma formação continuada. O impacto depende muito do público. Já fiz com criancinhas muito pequenas, com as mães. Vai atravessando de diversas formas as pessoas que participam, pois, surge no contexto de mães e filhos. No Cras (Centro de Referência de Assistência Social), de mulheres com problemas psicológicos afetou de outra forma. Escutei relatos de que faziam para os parentes, filhos que não viam há muito tempo ou para netos que foram proibidos de ver devido à condição de saúde”, destacou.

Generosidade e respeito são alguns valores despertados nas oficinas. “Criar laços. No começo eu tinha muito material e tesoura, queria que as pessoas fizessem juntas e não funcionava. As tesouras pararam de funcionar e deixei, fui notando a diferença, a solidariedade, compartilhar material. E também, dar algo a alguém, cuidar, o desapego, já que vão fazer para outra pessoa, fazer algo com carinho para dar a alguém. Os afetos não considerados positivos também influenciam, como a tristeza, solidão, raiva e ódio também são potências. Teve uma menina que fez duas bonecas, quem quisesse poderia contar as motivações. Ela fez para o pai e a mãe. ‘Meu pai bebe muito, chega em casa com raiva e bate na minha mãe, uma é para proteger ele, para parar de beber e não bater mais nela’. Essa garota acessou essas informações, mas, talvez nem saiba que é violência doméstica, crime. O que me deixa muito triste nesse projeto é que  estou de passagem”, contou.

Troca de afetos e a construção coletiva despertam valores como a solidariedade e trabalho em equipe. Foto: Maria Macedo.

Mito da democracia racial

Na Era da Informação e Tecnologia, a sociedade do século XXI perpetua preconceitos. Para Fyama, a democracia racial não existe. “O mito da democracia racial determina que existia um acordo, que a comunidade negra não se revoltou, não existiu nenhum tipo de resistência. O que acontece no Brasil até hoje, a negação do racismo. Quem são os casais que estão na televisão ocupando a famílias? Os cartazes dos bancos exibem famílias branquinhas, propaganda de margarina, pacote de fralda. Durante muito tempo, o mito foi tido como verdade, mas, é uma versão carregada de interesses, escolhas, de instituições, famílias que sempre estiveram no poder, a elite burguesa criou isso. A resistência que a gente conhece é o quilombo, mas há outros elementos”, elencou.

Jaqueline Rodrigues.

Teatro de lambe-lambe (teatro de caixa)

O teatro de lambe-lambe veio dois anos depois, como uma nova linguagem para narrar a história das bonecas. “Tive contato com as formas animadas no final de 2016. Em agosto de 2017 estreei em Exu-PE. “A reação é de estranhamento. As pessoas acham que é brincadeira, pois, é uma linguagem muito recente, da década de 1980. A curiosidade as leva a assistirem. A trilha sonora é a dramaturgia, o que quero comunicar, os movimentos que faço com os bonecos dentro da caixa são de acordo com os que estamos escutando. Quem fez a trilha foi um artista daqui, Evânio Soares”, explicou.

A estrutura é simples, uma base feita de canos de PVC que ela leva a todo lugar, caixa de papelão fechada. A manipulação é através de mecanismos. Há um orifício por onde a luz pode entrar e refletir em um espelho. É através dele que Fyama tem visão do interior do equipamento. A luz da lanterna refletida é que ilumina o cenário. No fone de ouvido, o expectador ouve a trilha sonora com pouco mais de quatro minutos e descobre o segredo da caixa.

História das bonecas abayomi contada através da narrativa do teatro de caixa. Foto: Bruna Sombra.

 

Interior da caixa com elementos cênicos. Foto: Josiel Bernardo.

Sementes plantadas

Em 2016, Shayná de Oliveira, 20, estudante de design, participou da oficina de bonecas abayomi pela primeira vez na Casa Ninho. E não foi a única vez. Para ela, assistir ao lambe-lambe foi um complemento. “Não conhecia a técnica nem a história das bonecas, foi tudo muito novo para mim. O teatro de caixa foi tudo aquilo que eu imaginava enquanto construía a minha boneca, ganhando vida nas mãos e no imaginário da Fyama. Cada detalhe, a sonoplastia, o cenário… Ela nos leva para uma embarcação e reconta uma história”, descreveu.

Shayná propaga a história das bonecas toda vez que constrói e presenteia alguém com uma delas, como um amuleto de proteção. “Já que as bonecas também fazem parte de uma resistência histórica de um povo, isso é muito emocionante”.  A jovem aponta ainda a discriminação de gênero no Brasil. “Acho impossível você ser mulher nesse país e nunca ter sofrido nenhum tipo de machismo, misoginia ou sexismo. Meu corpo de mulher, gorda, bissexual é político e incomoda”, completou.

 

“O fato de que as bonecas não recebem nenhum tipo de costura, tecnicamente é o mais interessante, pois, de cara você julgaria impossível. A partir dos cortes e nós no tecido tudo vai ganhando forma e uma história começa a ser recontada ali nas suas mãos” – Shayná de Oliveira, estudante de design.

“Eu já tinha feito trabalho sobre as bonecas e fiquei mais empolgada com a oficina na Mostra de Africanidades da Escola Violeta Arraes, onde estudo. Me senti conectada. Não é feita para você, é para dar a quem você queira bem. Fiz para minha mãe. É mais simples do que a gente imagina e tem um significado muito importante. A gente podia fazer como quisesse, da cor que quisesse, com mais nós, não tem uma fórmula, é bem livre. Todo mundo se divertiu e ficou concentrado. É muito legal trazer essa historia para perto da gente e deve ser levada aos espaços a maior quantidade de vezes possível” – Ana Carolina Brandão, estudante do ensino médio.

“A juventude de hoje em dia tem outros modos de aprender o conhecimento. A oficina tem o cunho artesanal e histórico. A proposta tem toda uma simbologia e poética do presente. É necessária e sensível do ponto de vista da educação, tem que acontecer mais nas escolas. Essa galera tem outro tempo, precisa ver as coisas mais palpáveis. Vamos falar da negritude a partir de um produto mais vivo. Realizamos a oficina para a turma de Áudio e Vídeo da EEEP Violeta Arraes e os estudantes ficaram extremamente contentes. Tem esse lugar da artesania com a contextualização. Acho que não é possível erradicar de vez, mas, são formas de como reagir no sentido de combater o racismo” – Bárbara Leite, atriz e professora de artes.

 

Algumas peças da coleção de Ânella Fyama e outras confeccionadas de forma excluiva para a Cariri Revista. Foto: Bruna Vieira.

Conselho de Igualdade Racial criado em Juazeiro do Norte

Juazeiro do Norte é um dos poucos municípios do país a ter um Conselho de Promoção à Igualdade Racial, Comira. A nomeação dos conselheiros foi publicada no Diário Oficial do Município há dois meses. A Lei 4.862/2018 foi aprovada pela Câmara Municipal e sancionada pelo prefeito em maio. A articulação foi do Núcleo de Educação para a Promoção da Igualdade Racial, Nepir. Com a missão de fomentar, elaborar, promover e acompanhar as políticas públicas no âmbito municipal, o órgão que atua há um ano realiza ações internas e externas.

Moema Alves, coordenadora de Ensino e Pesquisa do Nepir, destaca a importância da criação do Núcleo e Conselho para aderir ao Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial, Sinapir, que se baseia na Lei 12.288/2010, Estatuto da Igualdade Racial. “Também é necessário ter um plano municipal aprovado pelo Conselho. Poucos aderiram ao sistema e Juazeiro do Norte sai à frente de diversas cidades no Ceará. Estamos dando início ao planejamento para que o município avance na cidadania e garantia de direitos”, explicou.

“Viemos de uma sociedade onde existem muitas desigualdades construídas historicamente. Foram mais de 400 anos de sistema escravista e apenas 140 de abolição. Não é muito tempo, são três gerações. Nossos bisavós possivelmente foram escravizados e saíram sem recompensa financeira pelo trabalho de longas datas construindo patrimônio nas fazendas, sem direito à casa para morar. Há uma dívida histórica, pois, os negros são os que mais sofrem desemprego, pobreza e dificuldade de acesso às políticas e universidades”, pontuou Moema. Por outro lado, há um legado cultural para o país que precisa ser preservado. “Quando Juazeiro avança em oficinas em escolas e centros de convivência para trabalhar com a população o que é ser negro, trabalhamos a perspectiva do respeito à diversidade e igualdade. Estamos promovendo cidadania. O município cresce nesse sentido e se torna um exemplo para o Brasil”, complementou.

E as ações para a igualdade racial já estão sendo realizadas. Mensalmente pesquisadores, professores e universitários reúnem-se em um espaço disponibilizado pelo Centro Universitário Unileão. Além das oficinas citadas, os profissionais da rede também recebem capacitações. Foram organizados o Congresso de Matrizes Africanas e o I Seminário de Promoção da Igualdade Racial, no qual o Comira tomou posse. As comunidades tradicionais de povos de terreiros estão sendo mapeadas para conhecer suas culturas e religiosidade, saber que tipo de assistência recebem e quais políticas públicas necessitam de maior investimento.

Prêmio Nobel da Paz pelos direitos das mulheres

O Prêmio Nobel da Paz entregue em dezembro de 2018, foi atribuído à iraquiana Nadja Murad e ao médico congolês Denis Mukwege. A jovem de 25 anos foi capturada pelo Estado Islâmico, que combate a etnia yazidi, a qual ela pertence. As mulheres desse grupo eram escravizadas e abusadas sexualmente pelo EI. Nadja conseguiu fugir e passou a ser ativista dos direitos humanos. Sua luta é contra a exploração sexual como estratégia militar. Tática que remonta aos tempos medievais, em que os guerreiros invadiam e queimavam aldeias e estupravam as mulheres. Séculos se passaram, revoluções eclodiram nos mais diversos setores e na contramão da evolução, a cultura do estupro ainda é praticada.

O resultado de tantas perseguições é o genocídio. Até 1888, escravidão e violação sexual também faziam parte da vida das mulheres negras no Brasil. Caçadas e escravizadas em trabalhos domésticos e na lavoura, elas sofreram outros tipos de violência. Elas resistiram. Negar a dívida social do país com os negros é negar a história, sofrimento e desigualdade. O respeito aos direitos das mulheres são ferramentas para construção da paz. Murad é um grande exemplo para o mundo e o trabalho de Fyama contribui nesse processo à medida em que trabalha com as futuras gerações os conceitos de respeito, tolerância e solidariedade.

A luta pelos direitos das mulheres não é exclusiva delas, Denis foi reconhecido por ter atendido mais de 30 mil vítimas da exploração sexual como arma de guerra na República do Congo. Com financiamento do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, o médico montou um hospital com 350 leitos e uma unidade de atendimento móvel, além de um sistema de microcrédito para que essas mulheres possam recomeçar sua história. Segundo a ONU, 200 mil mulheres foram estupradas em 15 anos no país africano que já foi chamado de “capital mundial do estupro”.

A cerimônia foi realizada em Oslo, na Noruega, porém, o anúncio dos vencedores foi feito em outubro. A premiação foi criada pelo inventor da dinamite, o sueco Alfred Nobel, em 1901.

Atividades como a oficina de bonecas abayomi são pequenas sementes plantadas nas crianças que participam que podem contribuir para a redução da cultura do estupro na geração delas. Ao crescer, meninas e meninos impactados pela ideia da resistência, empoderamento e respeito podem fazer a diferença no futuro. “Afeta padrões de masculinidade que vem antes de nascer apenas com o binarismo menina-menino, que diz que não pode vestir certa cor, brincar com certo brinquedo, ser forte, agressivo. Padrões ligados ao feminino que homens não poderiam acessar, fazer a boneca quebra com isso”, reiterou Fyama.

Jaqueline Rodrigues.

Abayomi no Brasil

A origem do termo no Brasil é associado à artesã maranhense Lena Martins. Radicada no Rio de Janeiro, em 1987 ela teria iniciado a técnica de confecção sem cola ou costura, a qual batizou um ano depois de abayomi. Atualmente, a “poeta dos retalhos”, como se autointitula, dedica-se às oficinas em uma espécie de associação de artesanato.

Conheça mais sobre o teatro de caixa assistindo ao vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=t0W7cLtcncM

Para saber mais sobre o projeto acesse:

Instagram: @encontrospreciosos

Facebook: https://facebook.com/encontrospreciosos

Leia mais:

https://caririrevista.com.br/juazeiro-do-norte-tera-conselho-de-promocao-da-igualdade-racial/

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Bruna Vieira

Bruna Vieira

Bruna Vieira é mestra em Jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e bacharel em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Atuou como repórter, produtora, editora e âncora em Rádio, TV, Impresso e Online. Vencedora dos prêmios SBR Pfizer 2017 e 2016, Fenacor 2016 e Criança PB 2015. "Recontar histórias de vida, com sensibilidade e humanismo, porque o jornalismo também é feito de afetos".