Arte e Cultura

Amor triplo num só coração

O amor de mãe é algo imenso e acolhedor. Uma doação e generosidade que muitas vezes a leva à escolhas nunca antes planejadas. Conheça a história de Edilania, que abriu mão da profissão para se dedicar exclusivamente à maternidade. Esta é a terceira reportagem da série #ParaSempreMãe.
Por Redação Cariri • 22 de maio de 2019

Por Monike Feitosa.

A segunda de quatro filhos, Edilania amadureceu cedo acompanhando a mãe ir ao mercado do bairro Pio XII à procura de alimentos. Vez ou outra o pai deixava a família e desaparecia. Dona Helena, sua mãe, tinha a responsabilidade de alimentar, vestir e educar quatro crianças, quase sempre, sozinha. Conheci Edilania aos oito anos de idade. Somos amigas até hoje. Mais que isso, é uma irmã do coração, madrinha da minha filha mais nova e eu sou madrinha dos filhos dela, enfim… conheçam a história dessa jovem, determinada, guerreira que nasceu para fazer da maternidade uma missão de vida e ser inspiração para muitas de nós, mulheres!

 

Infância

As brincadeiras na Rua Coronel Nery, bairro Pio XII, Juazeiro do Norte, eram bem tranquilas. Espaços públicos regados com pouco movimento de carros, motos e pessoas, o que nos permitia brincar de pular corda, liga, andar de bicicleta e, na maioria das noites pouco iluminadas por bicos de luz em postes públicos, brincávamos de boneca ali mesmo, sentadas pelas calçadas de cimento. Ensinávamos outras crianças as vogais e números, de fato nós duas viramos professoras. Muitas das vezes a brincadeira era “treinar” maternidade, que aconteceu em 2010, para ela, e 2014 para mim; outros “bonecos” reais que tínhamos na infância eram nossos próprios irmãos mais novos.

Maternidade

O casamento foi decidido cedo. Em 2006, os 19 anos, Edilania disse “SIM” para Alan. O casal curtiu um bocado e planejou o primeiro filho para 2010 e o outro para 2017. Duas gestações com tudo que tem direito: dor na coluna, enjoos, infecção urinária, sobrepeso e inchaços. Então, Davi chegou e trouxe alegria e felicidade! Primeiro filho, sabe como é que é? Marinheiro de primeira viagem, Edilania quis se dedicar exclusivamente e não voltou ao trabalho, pós-licença maternidade, até Davi completar oito meses. Só aí, Edilania conseguiu voltar voltou a lecionar na educação infantil.

Edilania com Davi, nos primeiros anos de escola.

Quando o primeiro filho estava com sete anos de idade, veio a grande surpresa para mudar completamente a vida do jovem casal: gravidez de gêmeas e de forma natural.

“O planejamento da gravidez existiu, mas pensávamos que viria mais um filho e não dois bebês. No início eu não sabia se sorria ou chorava de medo e felicidade. Fizemos plano de saúde, eu trabalhava como professora numa escola de ensino infantil, onde fiquei por toda gravidez, saí praticamente para ter as bebês e tirar licença maternidade. As meninas nasceram, as nossas “Marias” – Laís e Thaís. O custo para berçário era alto e não tinha como pagar uma babá para cuidar de duas bebês porque era muito mais do que eu recebia, na época. As pessoas da família todas ocupadas estudando, trabalhando. A minha mãe passou dois meses na minha casa me ajudando com as gêmeas recém-nascidas, mas ela precisava voltar ao trabalho. Então, decidi sair do meu emprego (de novo) e cuidar dos três filhos”, relatou Edilania.

“Pensávamos que viria mais um filho e não dois bebês”.

Desafio

Com as gêmeas ainda pequenas, com menos de um ano, a sogra de Edilania, dona Cilene, descobriu um câncer do seio. O tratamento maltratou um bocado a vó das gêmeas, e agora a mamãe Edilania tinha mais uma “filha” para cuidar, além das três crianças. A sogra começou quimioterapia, radioterapia, acompanhamento psicológico, com nutricionista e muita oração. Uma luta travada contra o câncer.

Tinha dias que Edilania, após banhar e alimentar as gêmeas, teve que banhar a sogra, preparar uma alimentação diferenciada durante todo processo de tratamento do câncer e pós-cirurgia de retirada do tumor.  O coração de mãe acolheu mais uma filha. Reflexo de gratidão, afinal, foi a sogra que cuidou de Davi quando Edilania precisou voltar ao trabalho.

O dia a dia não era fácil. Até as meninas completarem sete meses, Edilania cuidou delas, praticamente sozinha. Teve ajuda, alguns dias da semana, da irmã, que trabalha muito, outros dias quem ajudava era a sobrinha, que estuda o dia inteiro, e mesmo adoentada, a sogra também ajudou. Em contrapartida, estar perto das novas netinhas foi um incentivo diário para dona Cilene, que mesmo com câncer não baixou a cabeça, nem se entregou à doença. Hoje, ela afirma está curada!

Decisão

Para muitas mulheres é até inimaginável “largar” a profissão pela maternidade. A maioria que decide conciliar a carreira com os cuidados dos filhos pode está criticando ou balançando a cabeça lendo essa história e pensando “eu não faria isso”. Por isso, nossa série “Para sempre Mãe” serve de homenagem aos diversos tipos de mães, que partilham de um sentimento em comum: o amor!

Edilania com a família, em passeio na praça do Giradouro de Juazeiro do Norte.

Dizer que foi uma decisão simples, rápida e fácil para Edilania, não foi. Acredito que ainda hoje não é. A estudante de Pedagogia conta que foi uma decisão necessária, ela estava certa de que seria a melhor cuidadora para as Marias. De fato, foi. As meninas completaram neste mês de maio, dois anos. São lindas, saudáveis, inteligentes e iniciaram há três meses adaptação numa escola infantil. Tudo está se encaminhando e em breve, essa mãezona poderá fazer planos profissionais. A missão da maternidade será para sempre a principal escolha da vida de Edilania, isso ela deixa claro: nasceu para ser mãe! Ela conta com o apoio do marido, amigo e parceiro, Alan, nessa jornada tripla que é cuidar de Davi, Laís e Thaís.

#ParaSempreMãe

Buscando homenagear as mães, a CARIRI Revista está realizando neste mês de maio uma série especial que aborda as diversas maneiras de ser mãe.Essa é a terceira de quatro reportagens que trazem histórias emocionantes de mulheres que vivenciam algumas das inúmeras situações relacionadas ao universo materno.

Fotos: arquivo pessoal.
Sobre a autora:

Monike Feitosa é jornalista, assessora de imprensa, empreendedora, professora de Jornalismo (UFCA) e de Marketing (FAP). Atualmente atende no estado do Ceará e trabalha com a produção de conteúdo para imprensa. No mês de maio ela está assinando a série especial “Para sempre #MÂE”, na Cariri Revista. Monike é filha, esposa e Mãe de duas princesas (Nicole e Manuela), a maternidade transformou sua vida.

CATEGORIA:

Redação Cariri