Arte e Cultura

Amor sem limites…

Por Redação Cariri • 8 de maio de 2019

Por Monike Feitosa.

O dia começou aparentemente “normal”. A jovem Ana Paula acordou, fez café e lanchou com o esposo para irem juntos à clínica de ultrassonografia fazer acompanhamento de pré-natal. O casal esperava pela primeira filha, após dois anos de casados. O ultrassom, tipo morfológico, indicado no 5º mês de gestação mostra informações preciosas sobre a formação do bebê. Por isso o casal estava tão ansioso.

A médica recebeu os jovens pais que não escondiam o nervosismo por notícias da bebê Thalita. Logo na primeira observação, fazendo as medidas  do crânio do bebê, um silêncio tomou conta da sala. Calada e sem acreditar no que via na tela do computador, a médica tornou a repetir o exame no cérebro. Depois a profissional começou a fazer perguntas relacionadas à “má formação”. Ana Paula, mãe de ‘primeira viagem’ começou a se preocupar com o silêncio quebrado por perguntas sobre anomalias.

No 7º mês, uma ressonância deu o diagnóstico real: Jackson e Ana Paula seriam pais de uma menina com HOLOPROSENCEFALIA do tipo semi-lombar, uma má formação cerebral complexa que não permite o desenvolvimento da face, na estrutura e funcionamento cerebrais. O casal procurou ouvir a opinião médica de profissionais diferentes, saíram do interior da Paraíba, na época, e foram para Recife. Todos indicaram o mesmo: interromper a gravidez!

“Meu coração de mãe sangrava naquele instante! Eu me sentia incapaz de lutar pela nossa primeira filha, já que a medicina não oferece cura, nem tratamento. Ao mesmo tempo, rezei muito e sentia que interromper a vida dela, da minha filha, não era uma decisão minha, mas de Deus. Eu sempre vivi intensamente a minha fé e repetia para todos que Deus só nos dá um fardo que possamos carregar. Me senti sem forças diante desse momento de dor incalculável”.

Nascimento de uma filha e uma mãe especiais

Depois da gravidez difícil e muito turbulenta, com todos os diagnósticos e exames apontando que a filha do jovem casal seria, como os médicos diziam na época, um “corcunda de Notre-Dame”, Thalita Giovanna nasceu e chorou, o que causou emoção e lágrimas aos pais e toda equipe no centro cirúrgico.

A pequena, de quase dois quilos e 49 centímetros, nasceu em 16 de janeiro de 2007. Aos olhos da mãe, perfeita: sem deformidade física! A recém-nascida contrariou todas as opiniões médicas de que não sobreviveria nem cinco minutos após nascimento, sem chorar, nem comer. Ela chorou forte, mostrou força nos pulmões e mamou durante todo o primeiro mês de vida. Ganhou peso e resistência nas duas semanas que passou na UTI neonatal da capital paraibana, João Pessoa. Depois ficou mais dez dias no berçário e antes de completar um mês recebeu alta.

Contrariando todas as opiniões médicas Thalita Giovanna hoje está com 12 anos, uma moça alegre e muito amada. Foto: Acervo Pessoal.

Os desafios aumentariam com a chegada da família em casa. Um caminho cheio de incertezas, inseguranças, dúvidas, choro, oração e aceitação. Uma maratona de exames, consultas, terapias e finalmente a escola. Aos quatro anos e aprendendo a brincar com outras crianças, Ana Paula percebeu que estava na hora de ter o segundo filho. Ela perguntou para a filha se gostaria de ter um irmãozinho ou irmãzinha. Mesmo sem poder falar, a filha sinalizou com o olhar que SIM! Na segunda gestação veio Ana Sophia, a companheira de Thalita para brincar.

Depois foi a vez de Ana Sophia pedir uma companhia para conversar, brincar e correr, já que a irmã mais velha interage, brinca, mas sempre sentadinha na cadeira adaptada. Mais uma vez Ana Paula e Jackson atenderam e veio Maria Letícia. “Hoje a rotina não é fácil! Nós mudamos da Paraíba para Juazeiro do Norte, Ceará, onde meu esposo trabalha. Longe de nossas famílias, os desafios são muitos, desde terapias, tratamentos, adaptações, afazeres domésticos, escolares, mas nós somos felizes porque sabemos que vivemos aquilo que Deus sonhou para nós!”.

Família unida e feliz, provando que a fé e o amor são capazes de vencer qualquer obstáculo. Foto: Acervo Pessoal.

A força do amor

Thalita hoje tem 12 anos, é vaidosa, carinhosa, entende tudo que conversam com ela. Contrariando a medicina, ela sorri para a vida e para quem se aproxima e demonstra carinho. O grande ensinamento para Ana Paula, que abriu mão do emprego e da carreira para abraçar a missão da maternidade é: com fé e coragem tudo é possível vencer. É PRECISO AMAR SEM LIMITES!

Para sempre Mãe

Com o intuito de homenagear às mães, a CARIRI Revista está lançando neste mês de maio uma série especial que aborda as diversas maneiras de ser mãe. São quatro reportagens que trarão histórias emocionantes de mulheres que vivenciam algumas das inúmeras situações relacionadas ao universo materno.

Sobre a autora:

Monike Feitosa é jornalista, assessora de imprensa, empreendedora, professora de Jornalismo (UFCA) e de Marketing (FAP). Atualmente atende no estado do Ceará e trabalha com a produção de conteúdo para imprensa. No mês de maio ela está assinando a série especial “Para sempre #MÂE”, na Cariri Revista. Monike é filha, esposa e Mãe de duas princesas (Nicole e Manuela), a maternidade transformou sua vida.

 

 

 

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