Arte e Cultura

Afetos literários: a leitura como hábito de libertação e aprendizado

Por Márcio Silvestre • 24 de agosto de 2020

Cada leitor carrega em si um universo particular de saberes e experiências, uma bagagem que cresce a cada obra lida. Ampliando mais o assunto, a CARIRI Revista lança a segunda edição da série “Afetos Literários”, para reforçar a importância do livro na formação humana, social e crítica. Num período em que se faz urgente e necessário ampliar o acesso ao livro de forma democrática, para todas as classes sociais, reforçamos a importância de se cultivar o hábito revolucionário de ler.

Nosso entrevistado de hoje é o graduando de Medicina da UFCA, Vinicius Gomes, membro do Observatório Caririense de Práticas Populares em Saúde e do grupo de leitura Colibri. Para ele a leitura pode ser um instrumento de entretenimento e instrução, contribui para compreensão do mundo e do ser humano.

CARIRI Revista: Vinicius, compartilha com a gente um pouco da sua relação com os livros?

Vinicius Gomes: Meu primeiro contato com a leitura veio com os livros de Harry Potter, ainda na adolescência. Os livros para mim eram uma forma de lazer e aprendizado nos momentos em que eu permanecia em casa enquanto meus pais trabalhavam. Apesar de ter sido o primeiro contato, não julgo como sendo o mais importante. Para mim, a leitura de “A menina que roubava livros” do Marcos Suzak, foi a mais decisiva naquela época para mim como leitor. A forma em que temas tão sérios foram abordados em uma linguagem simples nessa obra me encantou e encanta até hoje. A partir daí percebi que a leitura pode, além de divertir, nos ajudar a entender um pouco mais sobre o ser humano e acredito que meu gosto literário foi muito moldado por essa percepção.

CR: Quais livros te marcaram propiciando uma reflexão importante para a vida?

VG: Como leitura marcante na minha vida, não posso deixar de citar “O Filho de Mil Homens” de Valter Hugo Mãe. A primeira vez que o li foi a partir de um projeto de leitura da UFCA, o Armada Literária, sob a indicação da professora Ada Pontes e atualmente estou tendo o prazer de reler a obra com o grupo de leitura que faço parte, o “Colibri”. Essa obra certamente modificou a minha visão sobre as relações humanas e sobre a sociedade. Muito do que me encantou na leitura da obra de Suzak, encontrei de uma forma ainda mais madura na obra de Mãe. Hoje posso dizer que ele é um dos meus autores favoritos.

Outra obra que posso citar é “A morte é um dia que vale a pena viver” da Ana Cláudia Quintana Arantes, um livro que considero essencial no processo de reconhecimento do significado da nossa existência e de enfrentamento de um tema como o fim da vida, que é tão difícil, mas que pode e deve ser visitado. Nessa leitura, uma frase em particular me marcou muito e na minha opinião resume a mensagem da obra: “Saber perder é a arte de quem conseguiu viver plenamente o que ganhou um dia”.

CR: Como estão seus hábitos de leitura durante a pandemia?

VG: Acredito que durante esse ano algumas pessoas tiveram a oportunidade de desacelerar e criar hábitos mais saudáveis longe da correria do dia a dia. A leitura e a escrita, nesse período, foram importantes para manter a esperança viva em dias melhores, tanto no âmbito sanitário quanto no político. Entendo a educação como o caminho mais promissor para a construção de um cenário futuro mais favorável, e compartilhar leituras em um momento tão adverso é também uma forma de resistência.

Nesse sentido, a leitura durante a pandemia foi um presente para mim. Tanto por poder retomar um antigo hábito que estava prejudicado pela falta de tempo, como pelas pessoas que conheci através do grupo de leitura, e que hoje são grandes amigos. A leitura em grupo de obras como Cartas a um Jovem Poeta e Cem anos de solidão foram momentos muito agradáveis, mesmo em um cenário tão desfavorável. Certamente a leitura compartilhada é algo que quero manter na minha vida quando a pandemia passar e as atividades diárias voltarem de forma completa.

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Márcio Silvestre

Márcio Silvestre

Formado pela Universidade Federal do Cariri (UFCA), com experiência em Assessoria de Imprensa e Produção Cultural. "A comunicação e a arte se cruzam no meu caminho. Descobri no jornalismo a oportunidade de contar histórias e compartilhar conhecimento".