Cariri Sustentável

A sustentabilidade não tira férias: Curso Universidade de Verão da Urca envolve temáticas como Geopark, Chapada do Araripe e Práticas Saudáveis

Por Bruna Vieira • 1 de fevereiro de 2019

Museu de Paleontologia em Santana do Cariri será um dos roteiros visitados durante o I Curso de Verão da Urca. Foto: Divulgação/Geopark

 

A Universidade Regional do Cariri está com inscrições abertas até o próximo dia 18 para o I Curso de Verão da Urca. Inovação, Aproveitamento de Recursos Minerais da Chapada do Araripe, Geoparques, Desenvolvimento Regional Sustentável e Estilos de Vida Saudáveis são as temáticas trabalhadas na formação, que será realizada entre 24 e 28 de fevereiro. Na ocasião também haverá a V Reunião do Geolac, Rede Geoparques da América Latina e Caribe (Brasil, México e Uruguai). Os eventos fazem parte da programação do Araripe Unesco Global Geopark 2019. O objetivo é integrar academia e sociedade e formar agentes que atuarão em novos geoparques a serem implantados no país.

O professor Allysson Pinheiro, coordenador do Laboratório de Crustáceos do Semiárido, Lacruse, da Universidade Regional do Cariri, Urca, explicou a relevância dos temas. “O tema é amplo e complexo porque temos um território assim, com todas essas questões fortes necessitando de atenção. No final tudo isso se resume em formas de desenvolvimento regional sustentável, como a gente inovar, mantendo proteção dos recursos e utilizando de forma racional, desenvolvendo os negócios e oportunidades na região. É o pano de fundo de tudo isso e o objetivo dos projetos geoparques da Unesco”, esclareceu.

Evento internacional

Essa é a primeira edição do curso nesse formato e o objetivo é que haja continuidade nos próximos anos. O evento está programado para duzentas pessoas e será distribuído em três ambientes: Urca, Iuá-hotel e encerramento no Memorial Padre Cícero, em Juazeiro do Norte. A extensa programação inclui palestrantes internacionais do México e Portugal, onde há cerca de três anos o curso é realizado nas Universidades de Trás-os-Montes e Alto Douro, UTAD.

Allysson elencou os destaques da programação. “O curso é uma grande oportunidade para discutir estratégias de desenvolvimento da região, geração de melhores e maiores fontes de renda para a comunidade com menor impacto e valorizando as coisas daqui. Também teremos discussões acadêmicas sobre o papel dos museus na proteção do patrimônio e educação ambiental. Servirá para planejar as ações do futuro. A programação aborda a Agenda 20-30 e o aumento das corridas e ciclismo, ótimas oportunidades de turismo de natureza de baixo impacto. Cada pessoa vai se interessar por alguma parte da programação porque está bem variada”, complementou.

Os participantes terão a oportunidade de visitar pontos turísticos da região como a Fundação Casa Grande e Espedito Celeiro, em Nova Olinda; o Museu de Paleontologia, em Santana do Cariri; a Floresta Petrificada e Cachoeira, em Missão Velha; a Floresta Nacional do Araripe e Parque Estadual Sítio Fundão, em Crato; Mulheres da Palha, Lira Nordestina, Centro Mestre Noza, Colina do Horto, Santo Sepulcro, Muro da Resistência, Igreja do Bom Jesus do Horto, Casarão, Estátua, Túmulo e Memorial Padre Cícero, em Juazeiro do Norte. Além de programação cultural com terreiradas, artistas regionais da tradição popular, recitação de cordel, feira de xilogravura e lançamento de livro.

O que é Geoparque?

O Geopark Araripe foi o primeiro das Américas Latinas a receber a certificação da Unesco e é o único do Brasil. “Geoparques são designações da Unesco como os patrimônios imaterial e natural. Pretende desenvolver regiões identificadas como muito importantes para o mundo do ponto de vista geológico, mas, de forma racional, valorizando elementos do território, como a rapadura, o couro e a pedra cariri, identidade daqui. E criando oportunidades de negócios, como turismo de aventura e de sensações”, informou.

Segundo Allysson, há cerca de 30 projetos de geoparques no país, com destaque para o Cariri paraibano e o Seridó potiguar, no Nordeste, além de  Mato Grosso, Rio Grande do Sul e São Paulo. “O curso é voltado para pessoas da região que tenham interesse  em entender um pouco mais essas estratégias, e também, a formação de novos geoparques. Teremos convidados de outros projetos que desejam tornarem-se e precisam de formação para saber o que fazer. É uma grande oportunidade para aspirantes fortalecerem seus projetos com a troca de experiências. Um dos nossos papéis é incentivar e dar condições para que se desenvolvam em outros locais. São áreas espetaculares com grandes potenciais turísticos”, apontou.

Divulgação científica

            Para o professor, levar o conhecimento científico para o público externo é um desafio que está sendo quebrado gradativamente. “Academia e sociedade tem uma relação que às vezes não é tão fácil. A universidade tem dificuldade de mostrar o que está produzindo. Na Urca temos trabalhado para estreitar esse laço, prestar contas do que está sendo desenvolvido e a importância disso. É um longo caminho. A aproximação é a condição de sobrevivência da Universidade, paga pela sociedade, que tem que entender seu papel. Recebemos um feedback muito importante sobre esse tema, outros são mais difíceis de transformar em linguagem mais acessível, porém, tentamos”, afirmou.

Confira a programação completa em:

http://cev.urca.br/siseventos/assets/portal/pdf/programaca-57-2.pdf

Serviço

I Curso Universidade de Verão da Urca

Data: 24 a 28 de fevereiro de 2019

Inscrições: cev.urca.br (até 18 de fevereiro)

Taxas: Estudantes (R$ 75,00), Profissionais (R$ 150,00), Geopark Aspirantes (R$ 225,00)

Informações: geoparkararipe@urca.br (email)/ (88) 3102 1237

*O valor das inscrições dobra após 02 de fevereiro.

 

Bruna Vieira

Bruna Vieira

Bruna Vieira é mestra em Jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e bacharel em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Atuou como repórter, produtora, editora e âncora em Rádio, TV, Impresso e Online. Vencedora dos prêmios SBR Pfizer 2017 e 2016, Fenacor 2016 e Criança PB 2015. "Recontar histórias de vida, com sensibilidade e humanismo, porque o jornalismo também é feito de afetos".