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Xico Sá: nascido para contar

“Um homem de verdade tem que saltar para dentro do dia, senão o dia engole ele, como uma sucuri devora o boi”. Essa frase cheia de bravura é dita pelo Velho, o personagem mais resmungão e afiado de “Big Jato”, romance-biografia-epopeia de Xico Sá, menino do Crato, poeta do Recife, jornalista de São Paulo e cronista do mundo. Além de roteirista de cinema, comentarista de TV, palpiteiro de futebol e conselheiro amoroso de prestígio nacional. Saltar para dentro do dia. Xico guardou essa imagem na poeira da memória desde que a viu estampada, muitos anos antes, numa outra frase, perdida entre tantos livros: “Caminhou para dentro do dia o mais alerta possível”. Não que atribuísse um sentido especial a ela – até esqueceu o nome do autor –, mas por algum motivo isso nunca lhe saiu da cabeça. Tanto é que foi parar, com remendos e alinhavos, na boca do Velho, então um pássaro sem plumas, ou um personagem em formação, quebrando a casca da nova obra.

 Justo nessa fase aventuresca dos primeiros achados, Xico Sá entrou num sebo, abriu por acaso uma página de “O Jovem Audaz no Trapézio Voador”, de William Saroyan, e… PIMBA! Lá estava a danada da frase. Perdida e reencontrada. Direto para dentro do dia. Era o motor do Big Jato, “barulhento como as dores de uma terceira venérea”, decolando de vez.

Big Jato” (Cia. das Letras, 184 págs, 2012) é o primeiro romance de Xico Sá escrito em português, já que “Caballeros Solitários Rumo ao Sol Poente” (Editora do Bispo, 144 págs, 2006) foi lançado em “portunhol selvagem”, uma língua que ele inventou com os amigos entre um boteco e outro. O novo livro é um retorno barulhento ao passado, um voo saculejante sobre as asas da infância, uma “biografia adulterada ao infinito pela ficção”, como a define o autor, que nasceu no Crato em 1962, mas viveu os verdes anos em Santana do Cariri e Juazeiro do Norte.

A história do menino sertanejo, seu tio beatlemaníaco e o pai durão que dirige um caminhão limpa-fossas – o Big Jato do título – marca mais um avanço na carreira de Xico e surpreende os que o veem apenas como o “cronista do amor louco e das noites nas tavernas”. Fama adquirida com suor, graça e talento nas páginas da Folha de S. Paulo, onde assina uma coluna de prosódia única, humor lírico e frases irretocáveis sobre paixão, namoro, traição, comportamento humano e rolos amorosos.

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(Fotos: Rafael Vilarouca)

Nascido para narrar, sua lida na imprensa começou no Tabloide Esportivo de Recife, cidade onde cursou a Faculdade de Jornalismo, antes de se mudar para São Paulo. Foi repórter investigativo durante muitos anos. Escreveu em grandes veículos, deu furos de reportagem, ganhou prêmios – inclusive um Esso, o mais prestigioso do jornalismo brasileiro. Num desses lances incríveis do destino, descobriu o paradeiro de PC Farias, o ex-tesoureiro de Fernando Collor e inimigo nº 1 da nação em 1993.  Despontou para a fama, virou repórter especial, turbinou as finanças, mas permaneceu inquieto.

“Não era minha vontade ser um jornalista fodão. Era um desgosto, porque quanto mais coisa eu conseguia no jornalismo, mais eu me afastava de ser um escritor”, disse certa vez numa entrevista. Como num jogo penoso de subtração, ganhava prestígio, mas perdia horas de leitura; embolsava recompensas, mas adiava a própria criação. A grande virada aconteceu em 1997, quando começou a escrever a Coluna Macho, na Revista da Folha, um contraponto inteligente e bem-humorado à Coluna GLS. Para surpresa do cronista, no dia seguinte à estreia as pessoas o paravam na rua e a redação se enchia de cartas. Era a ponte que ele tanto procurava para o arco-íris dos textos autorais, o pote de ouro no fim da jornada heroica.

De lá para cá, são mais de 20 livros na praça, alguns assinados por ele, outros em coautoria. Dentre as suas criações exclusivas estão “Modos de Macho & Modinhas de Fêmea” (Ed. Record), “Divina Comédia da Fama” (Objetiva), “Se um Cão Vadio aos Pés de uma Mulher-abismo” (Ed. Fina Flor) e “Catecismo de Devoções, Intimidades & Pornografias”, este último lançado pela Editora do Bispo, a empresa artesanal e primorosa que manteve com Pink Wainer. Dentre as obras de que participa como colaborador, destaca-se “Essa Canção Está Diferente” (Cia. Das Letras), com dez contos de autores como Mia Couto, Luís Fernando Veríssimo e João Gilberto Noll sobre canções de Chico Buarque. Em cada um dos livros, a essência do cronista mundano: exuberante, sensível e encharcado de ironia fina.

Os que nunca leram Xico Sá, já o viram na televisão, falando sobre futebol no programa Cartão Verde, da TV Cultura, onde permaneceu por alguns anos, ou sentado na bancada masculina do programa Saia Justa (GNT), do qual participou até a temporada passada. Xico conquista na lábia. Suas frases circulam no infinito mundo da internet, como pílulas pop dos desvarios apaixonados: “Sou a favor da cura pela carta de amor”; “Só um chifre humaniza um macho”; “Mais vale uma amizade colorida do que 50 tons de cinza!”, “Escrever e amar se assemelham na medida em que gastamos nossos dedos e matamos nossos medos”. As mulheres?  “Se tem coisa melhor, não existe”. E parafraseando Guimarães Rosa: “Viver não tem alvará, baby, viver é perigoso, sempre!”.

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Perigoso e divertido. Desde os tempos de Recife, cidade amada que habitou dos 16 aos 28 anos, Francisco Reginaldo de Sá Menezes alimenta a fama de boêmio. “O bar é minha Sorbourne, minha universidade católica, meu doutorado da USP, minha filosofia, minha cachaça, minha cátedra, minha nota de rodapé”, escreveu certa vez. Foi entornando cervejas com os “intelectuais, putas e ladrões” da Praça do Sebo, em Recife, que ampliou o gosto pela poesia, embora trabalhasse duro para pagar a dose, datilografando fichas de crediário na Mesbla. Também labutou numa ótica, foi estagiário na biblioteca da faculdade e vendedor de livros e poemas. O menino que se criou no Sítio das Cobras, em Santana do Cariri, sempre teve vocação para a festa. “Sinceramente eu não sei quem dança mais nessa vida. Se os sentimentais, os canalhas ou os canalhas sentimentais.

Se as histéricas, as inteligentes ou as lindamente burras. Eu só acredito nos deuses que dançam…”, diz ele na abertura do clip “Tenho”, onde baila com Sidney Magal e a atriz Débora Fallabela, numa hilária coreografia. Também aparece no clip “Pra Ser só Minha Mulher”, do amigo Otto, confraternizando num inferninho da Rua Augusta. Não à toa, no começo dos anos 90, quando a Nação Zumbi e o Mundo Livre S/A se uniram para fazer um show na finada Aeroanta, em São Paulo, foi na casa de Xico que fundaram seu quartel-general.

Outros clips, outros planos, parcerias musicais, uma ponta no filme “O Cheiro do Ralo” (2007), o roteiro do longa “Deserto Feliz” (2007): Xico se desdobra mas não perde a linha. Agora as atenções se voltam para “Big Jato”, sem dúvida seu melhor livro, o romance de uma vida, a história de um menino que cresce e deixa sua terra, escrito em três meses, elaborado ao longo de dez anos. Nele, Santana do Cariri vira Peixe de Pedra, os rostos reais se refundem em personagens fictícios, o correr dos anos embaralha a sequência, as tardes modorrentas deságuam em prosa delirante.

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Mas no fundo, como os fósseis preservados da Chapada do Araripe, ou a memória involuntária de um cuscuz com cabrito, está tudo lá: as caçadas de tatu, os candeeiros e lampiões a gás, as tertúlias no Clube Titãs, as sessões do Cine Eldorado, a Ordem dos Penitentes, o Príncipe Ribamar da Beira Fresca, Seu Lunga, o calor, o amor, a necessidade de bater asas. E também os Beatles, Luiz Gonzaga, Tarzan, Pernalonga, Perdidos no Espaço, Médici, o Brasil dos anos 70.

Tocante, engraçado, luxuoso à moda agreste. E muito bem traçado. “Tudo isso aconteceu, mais ou menos”, diz o autor no prefácio, citando Kurt Vonnegut, outra de suas influências. O pai real, por exemplo, era um caminhoneiro “sem merda”, mas o limpa-fossas existia e passava em todas as casas. Narrar é uma forma de viver. Ou reagir. “Quem não reage, rasteja”, resmunga o Velho do Big Jato. Xico Sá reage pondo a vida em parágrafos: “Se um homem não conta, é um homem morto”.

ORÓS DE LÁGRIMAS

“Foi muito prazeroso escrever ‘Big Jato’, mas como é uma história que tem muito do menino que fui no Cariri, eu me pegava chorando em vários momentos, banhado de um Orós de lágrimas, quer dizer, um Tatajuba de lágrimas – para citar o grande açude de Santana do Cariri, perto de onde fui criado. Inicialmente era apenas um conto, mas deixei para lá, esperando a hora certa. Quando retomei, em 2011, foi com tudo. Escrevi em uns três meses, mas o bicho estava em elaboração na cabeça havia dez anos”.

MÉTODO CORUJA

“Não tenho grandes manias, além da preguiça, é claro, mas não consigo escrever algo mais literário durante o dia. Tiro o dia para o jornalismo, as encomendas de textos, as coisas mais objetivas… e somente lá pela meia-noite pego no breu para viajar na ficção. É o método coruja ou bacurau. Desde o Cariri era assim. Ficava acordado, os sinos da igreja dos Franciscanos, em Juazeiro, fazendo companhia de hora em hora. Varava noites com a minha Olivetti”.

LEITOR DEVORADOR

“Disciplina para escrever? Tenho nada! É uma bagunça, um caos, mas acabo fazendo. A disciplina fica mais para o jornalismo. Minha grande disciplina, na verdade, é para a leitura. Sou um leitor devorador, escolho uns livros e gasto mesmo as pestanas. Tenho relido ultimamente o Albert Camus, esse monstro, principalmente por causa de “O Estrangeiro”.

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O DESTINO DAS METÁFORAS

“Acabei de ler um escritor do Cariri, por coincidência, o Sidney Rocha, que é de Juazeiro e mora no Recife há muito tempo. É excelente contista. Ganhou no ano passado o prêmio nacional de maior prestígio da literatura, o Jabuti, com o livro “O Destino das Metáforas”.

NOVOS AUTORES

“É tanto livro e autor novo que não tem diabo que acompanhe, mas tento. No caso de Daniel Galera, Marcelino Freire e João Paulo Cuenca fica mais fácil, porque somos amigos, sempre nos encontramos e costumamos ler os livros uns dos outros, o que é ótimo, temos críticas sinceras que nos ajudam a seguir no ramo”.

HUMOR, MISTICISMO, LUNGUICES

“Minha família achou bonito como retrarei o nosso mundo em ‘Big Jato’, a infância e adolescência na região, mas se fossem se apegar aos personagens como se fossem mesmo eles, eu estava lascado, iria levar uma pisa de pai, mãe, tios etc. Estão todos no livro, no mosaico de tipos, mas com personalidades e características, inclusive físicas, trocadas. Na hora de escrever o pai e a mãe ficaram uma mistura de vários outros parentes e de pessoas do nosso convívio. O que é mais real no livro é o Cariri ali dos anos 1970, 80, com seus profetas e sábios, como o Príncipe Ribamar da Beira Fresca, os ditos loucos, o misticismo, o humor, as lunguices, a zoada caririense, os poetas. Nisso é bem fiel”.

PAI AUSTERO x TIO BEATLEMANÍACO

“Esse é o grande conflito do menino do livro. Ele ora pende para a disciplina ranzinza, severa, do pai, a que muito admira; ora flerta com a poesia do tio, principalmente quando se depara com a descoberta do amor – algo considerado um atraso de vida para o Velho. Crescer à sombra dos dois é o embate. Creio que é um dilema que a gente carrega na existência. O cabrinha, porém, escolhe um rumo. Claro que não vou contar aqui para não estragar para os possíveis leitores”.

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BIG JATO NO CINEMA

“O livro vai ser filmado pelo diretor pernambucano Claudio Assis, um velho amigo, autor de ‘Amarelo Manga’, ‘Febre do Rato’ – filme que conta com a minha colaboração – etc. Ele leu e se apaixonou pela história e principalmente pelo cenário do Cariri que descrevo. Deve ser rodado ainda este ano. Só está definido que a fotografia será de Walter Carvalho e terá, entre outros atores, Dira Paes em um dos papéis”.

FEIRA DO CRATO

“Sou o primeiro filho de um total de seis. Na época, 1962, meus pais moravam no Sítio das Cobras, em Santana do Cariri, onde vivi boa parte da infância, mas eu nasci no Crato, porque minha mãe tinha uma grande amiga parteira que trabalhava no hospital São Francisco, a Salvanira – vê que nome bonito e apropriado! Minha relação afetiva com o Crato sempre foi muito grande por causa do meu pai, que me levava às segundas na feira – em uma destas ocasiões, por exemplo, ele me mostrou pela primeira vez o Patativa do Assaré e também o Luiz Gonzaga. Mas nunca morei no Crato, embora fosse um frequentador da casa de Marivone, uma parente querida e grande confidente da minha mãe. Amava ouvir a conversa bonita das duas e talvez aí eu tenha aprendido tudo que sei até hoje”.

CHEGADA A JUAZEIRO

“Depois do sítio em Santana, fomos morar em Juazeiro, onde minha mãe e meus irmãos estão até hoje. Meu pai foi de tudo: agricultor, mascate, bodegueiro, sapateiro, caminhoneiro até virar um caminhão com uma carrada de rapadura etc. Só não era do Big Jato, que era nome comum de limpa-fossas antigamente. Quando a família chegou a Juazeiro, a gente sem conhecer quase ninguém, uma das primeiras visitas foi do Big Jatto – o real do Juá tem dois tts”.

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TEMAS DE AMOR

“Existia um programa chamado Temas de Amor, na rádio Vale do Cariri, AM, 22h, nos anos 80, apresentado pelo meu vizinho e amigo Jevan Siqueira, grande seresteiro que hoje vive em Fortaleza. Grande intérprete de Altemar, Waldick, entre outros da canção romântica. Eu fazia poemas e textos que se encaixavam nos dramas vividos pelos ouvintes. Tudo começou ali mesmo. E olhe que eu nem sabia o que era uma mulher de fato e de direito”.

VIDAS SECAS

“Graciliano Ramos foi o escritor que me fez despertar: ‘meu Deus do céu, é isso que eu quero ser um dia, esse homem escreve demais, e escreve sobre os nossos problemas, com cheiro da nossa região’. Foi um impacto e tanto, depois de já ter lido clássicos da literatura estrangeira, principalmente livros de aventura, como os de Charles Dickens e Jack London”.

MUDANÇA PARA RECIFE

“Quando cheguei no Recife, fiz logo uma foto ali na ponte principal. Aquilo tudo era um mundo impressionante, diferente, bonito e assustador ao mesmo tempo. Cheguei na rodoviária velha, que ficava no bairro de São José, e saí arrastando uma mala de couro, como todos nós que íamos embora naquela época, até achar a primeira pensão mais barata. Fui sem indicação de nada”.

POEMAS SOB ENCOMENDA

“No Recife eu anunciei nos classificados de um jornal o serviço ‘Poemas de amor sob encomenda’. Foi meio uma sequência do trabalho na rádio Vale do Cariri, quando eu fazia textos para o programa Temas de Amor. Tinha duas utilidades: ganhar um dinheirinho e também chamar a atenção para a poesia de um cigano que estava chegando na praça. Foi muito bom, me garantiu fartas refeições em um tempo de muita penúria”.

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XICO COM “X”

Na faculdade de Jornalismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), já começaram a me chamar de Chico e eu passei a assinar, em folhetos de poesia do movimento da poesia marginal ou mimeófrafo, como Chico Reginaldo Sá. Aí um dia, cobrindo polícia e futebol no JC, acordo e está lá a assinatura Xico Sá. ‘Que diabo é isso’, eu pensei. Reclamei pro editor que tinha inventado a moda e ele disse: ‘Vai por mim, é bom, é curto, é com X, é diferente, chama a atenção’. Caí na conversinha e deixei até agora”.

SIDNEY MAGAL

“Fui ali apenas para apresentar o Magal, com aquele texto de abertura, que é meu mesmo. Aí me viram dançando de forma maluca e inconsequente, e o diretor, o Pedro Becker, me botou na roda. Valeu demais ter beijado aquele pezinho da Débora Falabella. Depois disso fiz vários clips, com Otto, Junio Barreto (contracenando com a Mariana Ximenes) e etc”.

EDITORA DO BISPO

“A Editora do Bispo chegou a publicar 15 livros, mas fechamos. A ideia era brincar um tempo de fazer livros que as editoras convencionais não topavam, uma paixão minha e da Pinky Wainer, a sócia na empreitada. Editora pequena não aguenta o tranco da disputa de mercado. No Brasil dura em média uns dois anos. Mas foi uma bela experiência!”.

PROFISSÃO ESCRITOR

“Quando me livrei da pauleira das redações e comecei a viver de crônicas achei, e continuo achando, um verdadeiro milagre, uma bênção, uma graça alcançada. O pinga-pinga dos livros também tem aumentado depois do ‘Big Jato’, que, graças a Deus, é um sucesso de público”.

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ROMANCE RUSSO

“Eu já disse que queria escrever um romance russo. Como o Nordeste e o Cariri, em especial, têm muito daquele mundo, creio que já iniciei o projeto com esse ‘Big Jato’. As histórias de Nicolau Gogol, o russo que mais gosto, têm tudo a ver com a nossa região, até cito um caso dele parecido com o universo caririense no meu romance”.

AMAR É…

“…tentar entender o que a mulher está querendo naquele momento da vida e antecipar a realização desse desejo. Antes que ela grite, surte e vá embora”.

O VALOR DO CHIFRE

“Todo homem deveria levar um chifre para evoluir. Eu sou evoluidíssimo, quase canonizado nesse sentido. A tese do chifre é simples: o homem é muito metido a besta, mandão, autoritário, machista ao extremo, então quando enfrenta uma traição amansa, humaniza, evolui, tem uns que até falam fino quando dizem ‘xô galinha, pra dentro menino…”

SE UMA DOIDA JEITOSA…

“Tive uns seiscentos amancebamentos, mas nunca fui ao altar. Durante muito tempo fui arrimo de família e creio que isso me ensinou a arte de gozar nas coxas, a arte de evitar filhos, tamanho seria o susto em sustentar uma romaria inteira. Mas se aparecer uma doida jeitosa hoje querendo, a gente dá um jeito”.

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DEPOIS DE UM FORA

“O tempo é um bálsamo da vida, um santo remédio, mas tomar uns porres ouvindo Waldick Soriano, Roberto Carlos, Fagner, Belchior ou Chico Buarque, dependendo do gosto do freguês, também ajuda. Eu curo muita fossa na escrita. Mas não aconselho ninguém a ficar alimentando esse bezerro desmamado da dor amorosa. É tentar abreviar o luto e correr atrás de outro(a)”.

CRONISTA DO AMOR LOUCO

“Eu me tornei um tanto escravo do personagem da minha escrita. Muitas vezes isso é um drama. Quem escreve mais colado na vida que vive, mais visceral, sempre corre esse risco. Nesse sentido, ‘Big Jato’ foi um santo remédio, um espanto para muita gente que me via apenas como o cronista do amor louco e das noites nas tavernas”.

HOMENS NO DIVÃ

“Homem que faz análise é mais valorizado. Ô, demais! Parece que ganha um álibi para errar mais ainda. A psicanálise absolve o canalha. Mas curar o canalha, não cura”.

CARIRI NO COMANDO

“Sou um torcedor do Cariri. Essa região ainda vai mandar no mundo”.


Originalmente publicada na 10º Edição da CARIRI Revista

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