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Viver para escrever

As rimas marginais de Ravena Monte

Dizem que todo poeta guarda na cabeça um caos. A poetisa Ravena Monte guarda na cabeça um “Monte de Coisas“. Aos 26 anos, ela é produtora cultural, guia de turismo, baixista, escreve sobre cinema na revista Sétima, discoteca nas noites caririenses e ainda pensa em desengavetar seus roteiros de cinema. De vez em quando, sua mãe pergunta quando tem tempo na agenda para ficar em casa e cuidar dos cachorros. “É uma correria gostosa, estou sempre me permitindo fazer alguma coisa, mas sei quando está demais”, diz. Mas é ela fiel a seus versos: “Enquanto a alma quer reza, o corpo quer pressa!”.

Quando questionada se é poeta nas horas vagas (se é que isso existe) ou sempre, ela abre um sorriso e diz que muita gente não considera que é poesia o que ela faz. Bebendo da mesma água da geração do mimeógrafo nos anos 70, Ravena diz que sua poesia é visual e que Chacal e Leminski inspiram sua vida. Formada em Letras pela Universidade Regional do Cariri, ela conta que foi aos 15 anos, depois de um castigo da mãe, que colocou seus anseios no papel pela primeira vez.

A produtora fala que foi através do Roteiro Poético-Boêmio, intervenções de declamação de poemas por roteiros de bares da região, que começou a ser vista e a conhecer mais poetas do Cariri. Ainda que more em uma região em que a produção de cordéis é estonteante, ela diz que não consegue se prender à métrica e que admira muito as cordelistas Jarid Arraes e Salete Maria pelo ofício. Ravena conta que já “perdeu” vários poemas, porque sua maior inspiração vem naquela hora de dormir e quando acorda já não lembra mais. “A poesia não incomoda, ela liberta. Só incomoda quando não quer sair”, brinca.

Citando Manuel de Barros, ela explica que quando bota a poesia no mundo, já não é mais sua e sim de quem vai ler. Autora do “Pelo direito de ir e rir” e do “Eu troco poesia por cafuné”, publicações do projeto Performance Poética, do SESC Crato, e de algumas intervenções como “Banheiros Químicos-Poéticos”, ela diz que já tem projetos para lançar livro e que precisa viver para escrever. A poesia de Ravena Monte é, assim como seu apelido, um Monte de desejos e um amontoado de sensações.

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“Ela toma meu café

Lê minha poesia

Ganha meu cafuné

E troca de mulher”

 

“Rime

Seu rímel

Com

Meu hímen”

 

“Quero aprender braille

só para poder ler os arrepios do teu corpo

que nascem

quando sussurro coisas indecentes

no pé da tua orelha”

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