Arte e Cultura, Revista 0

Todas as cores da vida de Deyse Sampaio

Deyse Sampaio viveu nos bastidores da política em Juazeiro do Norte e em Brasília. Ela é viúva de Mauro Sampaio, que foi prefeito (1967-1970 e 1996-2000) e deputado federal (1975-1995). Enquanto Mauro fazia política, Deyse fazia arte. O seu primeiro contato com o colorido das telas se deu ainda na infância, na cidade de Jardim, quando sua mãe foi aluna de um curso no qual ela não pôde se inscrever por ser muito nova. Está vívida em sua lembrança um dos quadros que a mãe pintou: a reprodução de uma imagem de duas agricultoras trabalhando em uma plantação.

Ela só conseguiu se matricular em aulas de pintura quando, acompanhando o marido, mudou-se para Brasília. Uma coisa Deyse lembra com exatidão: “Era uma ditadura pesada”, ela diz, explicando História com a experiência de quem pode não se lembrar de nomes, mas ainda se recorda das sensações. Ali na Asa Sul ela aprendeu a fazer pintura com tinta a óleo. Quem a ensinou foi Vilma, professora de artes e esposa do chefe de segurança de Ernesto Geisel. E foi a convite dela que Mauro Sampaio, que era deputado, foi à casa do então presidente.

O mais antigo quadro de Deyse foi assinado em 1976. A exatidão do traço e a consistência da pintura são impressionantes. A filha, Jacqueline, faz uma observação importante: “Nessa época, ela optou por retratar negros, índios, tipos humildes, mas que carregavam uma felicidade imensa nos olhos”. De fato, quase todas as telas desenhadas entre as décadas de 1970 e 1980 retratam rostos humanos —  demasiadamente humanos — que carregam sorrisos de todas as cores.

Mudanças geográficas e emocionais separam duas fases da pintura de Deyse. Depois de sofrer uma trombose, que lhe dificulta movimentos e pensamentos, ela teve de reaprender a arte da pintura. “Eu me sinto no meio de uma disputa entre o remédio e o corpo”, ela desabafa, de forma poética. Hoje ela só pinta casarios, “porque são menos complicados”, afirma. Com a fragilidade dos ossos e da memória, a arte de Deyse hoje transmite a fragilidade dos dias e da vida.

Foto: Samuel Macedo

ANOS 1970 E 1980

 

ANOS 2010

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