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Tocaí no Cariri

Saiba quem está por trás dos eventos pop e eletrônicos da região.

Foi frequentando as primeiras festas de música eletrônica no Cariri, há aproximadamente dez anos, que Celso Bem já percebia que um público alternativo ainda restrito já ansiava por opções de lugares para onde ir. “As pessoas não interagiam muito com os DJs, o que me incomodava”, lembra o produtor de eventos.

Hoje com sua sócia Mônica Vitoriano, que está no ramo de produção há mais de vinte anos, ele tenta reduzir a distância entre quem está tocando e o quem está dançando. A MC2 Produções e Eventos, empresa fundada pelos dois há seis anos, nasceu das experiências que ambos já tinham, mas com um novo rumo. Ao perceber que as produtoras consolidadas da região estagnaram nos tradicionais e recorrentes eventos de forró e sertanejo universitário, eles quiseram apostar nos frutos ainda verdes. Jazz, Blues, MPB e Rock foram as primeiras intenções para direcionar a produção de espaços para o público alternativo.

Hoje, apesar do calendário completo e algumas agendas já fixas, Celso diz que cada evento é um experimento. Na produção, a MC2 é responsável por idealizar desde quem irá tocar até decidir os detalhes dos ingressos. “Quando se fala de entretenimento, as pessoas não saem só por sair, elas se sentem curiosas com a ideia da festa”, explica. Trabalhando com festas temáticas e interativas, eles buscam ser apenas parte da produção, deixando com que o público decida como quer a festa. A produtora diz que o seu evento de mais sucesso é o “Tocaí Divas do Pop” e a “Festa Crush: Noite dos Solteiros”. Em todas suas edições todos os ingressos foram esgotados e mais de 200 pessoas ficaram do lado de fora, também fazendo a festa.

Monica e Celso

Monica e Celso

Responsáveis por trazer pela primeira vez ao Cariri a Rubber Soul, cover dos Beatles, o humorista Paulinho Serra e o cover paulista de Elvis Presley, a produtora procurava trazer coisas que nunca vieram para as bandas de cá e que eram mais difícil de produzir. O primeiro evento produzido foi em 2012 e desde então já trabalhou com vários estabelecimentos da região como, o Raul Rock Bar, Casarão Boteco, João e Maria, Pink Floyd Bar, Chico da Cascata e entre outros.

Monica percebe que o público mais jovem, de 18 a 26 anos, é que tem marcado presença nos eventos. Os gostos musicais das pessoas que saem de casa nos fins de semana variaram, sendo necessário então uma adaptação para suas necessidades. Ela conta que a proposta da festa “Tocaí”, realizada no começo de 2015, foi sucesso e teve uma grande aceitação. A meta era fazer das pessoas as verdadeiras donas da festa, escolhendo o repertório, tema e quem irá tocar através de questionários aplicados nas redes sociais. Interagindo com o DJ, eles participam dos eventos, criam grupos e se oferecem até para vender os ingressos. “Eles chegam junto e acontece”, diz ela. Celso diz que os eventos não param de crescer. Meses antes das festas, pessoas de outras cidades já estão vindo para a noite no Crajubar e ligam para a produtora pedindo para guardar ingressos, compondo uma lista de até 100 pessoas, distribuídas entre Milagres, Mauriti, Missão Velha, Brejo Santo, Jardim, Jati e outras.

O que surpreendeu de fato a produtora com a presença de público foi um “Tocaí” de música eletrônica em um dos sábados do mês de julho. Com o show da banda Aviões do Forró no Verde Vale e de Wesley Safadão em uma noite de sábado Expocrato, a MC2 conseguiu esgotar os ingressos de sua festa. Atualmente, o grande desafio da MC2 é tentar movimentar a cena na região com o trabalho das bandas autorais. Monica conta que quando a produtora investe no autoral, o público não participa da mesma forma quando a banda é de fora.  Quando o assunto é DJ, Celso diz que é importante dar espaço para quem está começando e que não traz mais discotecagens de fora porque aqui temos profissionais bons. “A noite no cariri está bem diversificada e ainda caberiam mais sons”, diz Monica.

Fotos: Lu Fernandes e Carlenne Cavalcante

 

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