Arte e Cultura 0

Tiros e poesia

Até hoje ouvem-se tiros em Caruaru (PE) em comemoração à volta dos combatentes enviados à Guerra do Paraguai, encerrada em 1870. Quando chegaram em casa, os pernambucanos que lutaram por quase seis anos contra nossos vizinhos paraguaios usaram as próprias armas para fazer festa e homenagear os que ficaram para trás. Durante o conflito, a espingarda usada era o bacamarte, uma arma pesada de onde saíam tiros grossos. Desde o século XVIII, o bacamarte era produzido artesanalmente nas mais diversas formas e calibres, com diferentes acabamentos e elementos decorativos. O costume foi se repetindo ao longo dos anos, ganhando novos adeptos e outras razões de existir, como a recepção das festas de junho ao som das balas de chumbo estralando no chão do agreste pernambucano.

Como muitas manifestações culturais do Pernambuco, o uso do bacamarte atravessou fronteiras e veio parar no Cariri cearense. Mestre Bigode, hoje com 92 anos, foi um dos primeiros a participar das cerimônias no bairro João Cabral, imitando os batalhões da Guerra do Paraguai, carregando a riúna que soltava tiros pelas ruas da cidade e saudando os santos de junho. José Nilton, que, ao lado do Mestre Nena, comanda os Bacamarteiros da Paz, conta a ideia que teve para que a tradição não desaparecesse: “O que eu mais pensei foi em tirar a violência da arma”. Até então, a prática se resumia ao que copiamos dos pernambucanos: como militares, os homens saíam de suas casas vestindo fardas azuis e soltavam tiros. Para amansar o peso da violência, Zé Nilton sugeriu introduzir mulheres no grupo e acrescentar danças e declamação de poesias durante a apresentação que acabaria por se tornar um espetáculo.

(…)


Para ler a reportagem completa, faça o download gratuito da Edição 21 pelo aplicativo da CARIRI Revista no Pay Store ou App Store.

Sugestões de Leitura