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Secretaria da Cultura do Crato reivindica tombamento do Caldeirão de Santa Cruz

A Secretaria de Cultura do município de Crato quer o tombamento histórico do sítio Caldeirão e, na segunda-feira, 7, pressionou a Câmara Municipal de Vereadores cobrando postura firme e efetiva para viabilização do tombamento junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Durante a sessão, o secretário Wilton Dedê defendeu o tombamento do sítio Caldeirão de Santa Cruz por seus valores históricos e sociais. Também pontuou o interesse turístico em torno da localidade, procurada por historiadores, pesquisadores e estudantes com interesses científicos e culturais. “Nossa cidade tem um potencial incrível de turismo. Precisamos trabalhar a questão da infraestrutura para que possamos administrar um bom receptivo”, destacou Dedê.

A Câmara de Vereadores irá providenciar uma proposta de texto solicitando o tombamento.

 

Poço que deu origem ao nome “Caldeirão”. Foto: Anna de Morais.

 

CALDEIRÃO DO BEATO

O Caldeirão de Santa Cruz do Deserto, abrigou milhares de romeiros e camponeses fugidos da seca de 1932, que assolou o Nordeste Brasileiro. Movimento que teve como líder beato José Lourenço, discípulo e amigo de Padre Cícero, quem concedeu as terras do Caldeirão, desafiou o governo, os coronéis, os latifundiários e a própria Igreja pregando ideais de coletividade em luta por uma sociedade igualitária. Esta forma de viver em sociedade resultou na forte repressão por parte das forças do Estado que os acusaram de comunistas. O conflito ocorrido em 1937 deixou mais de 1.000 mortos e exterminou a comunidade.

Um dos memorialistas desse trágico acontecimento é o agricultor Raimundo Batista de Lima, 76, que reside nas terras do Caldeirão há mais de 20 anos e morou com os pais na infância vizinho as terras do beato.

Seu Raimundo nos contou em entrevista feita no ano passado que o nome “Caldeirão” faz referência ao formato do poço de água mineral presente nas margens do Sítio.

“Beato Lourenço foi em Juazeiro reclamar ao padre Cícero a pouca água das terras, ele ainda não tinha visto o poço porque é mais afastado da Igreja mesmo. Padre Cícero mandou que ele voltasse e procurasse melhor garantindo que lá tinha um caldeirão de água, depois disso o nome pegou”, revela seu Raimundo.

 

Seu Raimundo (Foto: Anna de Morais).

 

 

Mesmo com a ação do tempo e com os mínimos investimentos públicos, o local ainda guarda diversas marcas do tempo do beato Zé Lourenço. A igreja, a casa, o cemitério e “um poço de água minada que nunca seca”, como garante Raimundo.

Há mais de 12 anos foi construído, no local, um museu pela prefeitura do Crato. Hoje, praticamente abandonado, o museu assim como a igreja, acumulam teias de arranhas e  fezes de morcegos. Seu Raimundo e sua esposa, Maria, já idosos e sem a mesma força de trabalho, não conseguem mais dar conta da limpeza de todo o espaço. É visível a urgência por revitalização das terras do Caldeirão.

 

Cemitério do Caldeirão. Foto: Anna de Morais.

 

Casa construída durante a morada de Beato Zé Lourenço. Foto: Anna de Morais.

 

É possível observar a sujeira espalhada nas paredes e no telhado da igreja. Foto: Anna de Morais.

 

 

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