Esporte

Rugby de Calcinha: You can try it!

“Um jogo de brutos jogado por cavalheiros” e por que não por damas?
Por Ribamar Junior • 14 de setembro de 2015

Acorda às seis para pegar o ônibus e ir para faculdade, retorna às cinco para correr, em três noites veste as luvas vermelhas do Muay Thai e todos os sábados se dedica ao treino de Rugby. Essa é a rotina semanal de uma jogadora amadora de Rugby. Sim, apesar de tanto esforço para manter o condicionamento Bárbara Tenório, 19, ainda não se considera profissional, mesmo já sendo capitã do primeiro time feminino de Rugby do interior do Ceará.

Conta que descobriu o Rugby por Izabel, uma amiga da faculdade na qual atualmente joga no mesmo time, fez a seletiva e na outra semana já era a camisa dois. Gostou de cara. Tem uma afinidade com esportes tidos como violento, brinca. “Como os treinos são nos sábados, costumo me exercitar na semana para ganhar o condicionamento físico que eu espero para o meu jogo” explica a estudante de Educação Física do Instituto Federal do Ceará.

Bárbara em treino

Bárbara em treino

O time composto só por mulheres surgiu no início deste ano. Atuando desde 2012 na região, a Araripe Soldiers, associação esportiva e educacional, começou trabalhando a prática de futebol americano e hoje também abarca o futebol soccer e o rugby, primeiramente com time masculino e ao perceber que haviam mulheres se interessando e algumas, já treinando com os homens, se decidiu criar um time feminino. O que possibilitou oficialmente o contato delas com a bola oval.

O Presidente e técnico da associação, Júlio Henrique, conta que com o avanço do esporte, se conseguiu conquistar mais atletas e se pôde desenvolver mais trabalhos educacionais voltados para o social. Ano passado a associação trabalhou o esporte em 12 colégios públicos da cidade de Juazeiro do Norte e participou de um evento de Rugby Tag, envolvendo crianças dentro do campo, na Faculdade Leão Sampaio campus Saúde.

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Presidente e técnico da Araripe Soldiers

Não há adaptação para a mulheres, inclusive as mesmas treinam com os homens, apenas há uma adaptação para crianças, na versão tag. Considerado um jogo de contato, o time é composto por 12 jogadoras, sete jogam e cinco ficam na reserva. O grande objetivo é fazer o “Try”, forma de pontuação que mais marca pontos. Acontece quando a jogadora encosta a bola na área do in-goal do adversário toca e aplica pressão contra o chão. “É um esporte de equipe, trabalhamos parte social do atleta, não só ensinamos a derrubar o outro, ensinamos a parte social de como se impor dentro do campo através de um dos maiores valores, que é o respeito” continua o técnico.

Há quem ainda diga que o Rugby seja coisa de homem e que usam apenas da força bruta para conquistar a vitória. Mas, talvez não saibam que elas após os dois tempos, posam em foto clássica com gesto simbólico feminista “We Can Do It” mostrando o muque no meio do campo. A atitude é referenciando a comunidade virtual Rugby de Calcinha, primeiro site brasileiro voltado para a modalidade feminina de Rugby, na divulgação de notícias e times com tom humorista. O técnico Julio, diz o que move a procura pelo esporte é a curiosidade e que hoje em dia se tem mais meninas praticando do que meninos, “aos poucos as meninas estão com mais continuidades no treino do que os meninos” complementa.

Ana Karoline Lorêto

Ana Karoline Loreto, atleta mais antiga do time

Apesar da prática ainda não ser muito conhecida na região, é um esporte que cresce cada vez mais aderindo adeptos. “Não há preconceito porque são mulheres que jogam, os meninos ajudam. Treinamos com os meninos. Tanto eles torcem por nós, como torcemos por eles” explica Bárbara, dizendo que os times são uma família realçando os valores do Rugby.

A jogadora que está há mais tempo no time é Ana Karolina Lorêto, 19 e ao falar sobre a relação do esporte com a sua vida, define o rugby como “Um esporte de brutos jogados por cavalheiros, é um estilo de vida, a gente tá aqui porque ama a camisa e se mata por ela.”

 

 

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