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Quem pergunta quer saber

Mais conhecida por seu trabalho como atriz da Carroça de Mamulengos, Maria desce do palco e veste jaleco para inaugurar uma coluna sobre saúde na CARIRI e apresentar uma faceta que seu público desconhece: ela também é doula e terapeuta complementar.

Desde pequena me relaciono com grandes plateias, pois sou a primogênita da família Carroça de Mamulengos. Mas explico que esse oficio é acaso de nascimento. Costumo dizer que não escolhi ser artista; fui escolhida. Melhor dizendo: nasci sendo. Meus pais me criaram em cena, e por isso o palco sempre foi a extensão de minha casa. Hoje, sou doula e terapeuta complementar. Cuido da saúde utilizando conhecimentos nas áreas da aromaterapia, da medicina chinesa, da cromoterapia, entre outras ciências. Sei que, para muitos, essa mudança de rumo pode parecer radical. Mas vou explicar como, na verdade, esse novo caminho é a extensão do que veio antes.

A Carroça de Mamulengos é a minha escola de vida, onde venho aprendendo a arte do cuidar. Vi todos os meus sete irmãos nascerem. Imaginem o que é crescer em uma família itinerante! Logo se aprende que não estamos sozinhos no mundo e que é necessário cuidar de si e do próximo. Meu pai me ensinou a gostar de estudar e sempre frisou que o saber é notório. Acho que é por isso que desde pequena busco o instrumento que for preciso para dar o próximo passo. Foi assim que, caminhante, encontrei a perna de pau — depois o canto, o violão, o monociclo, a contorção, a sanfona e, agora, o diploma que me deu entrada para a faculdade de Enfermagem.

Foi em 2013, quando engravidei de minha filha Ana, que, por intuição materna, comecei a estudar saúde. E logo percebi que a energia que emana do palco não é muito diferente da que circula dentro de um consultório (isso quando essas duas atividades são feitas por pessoas que se colocam a serviço do bem comum, livre de orgulhos e vaidades humanas), pois a ciência já provou que a alegria e a felicidade também são uma chave da cura. A partir desse conhecimento, resolvi investigar e conhecer melhor de que forma acontece a ligação do corpo com a mente. Como os sentimentos são materializados no corpo? Foi assim que puder ir percebendo como um sorriso pode aliviar uma dor. Ou, ao contrário, uma discussão pode gerar uma enxaqueca.

Essa investigação me trouxe novos instrumentos de trabalho. Foi assim que encontrei a aromaterapia, a acupuntura, a medicina chinesa, a cromoterapia, a massagem e as plantas medicinais — ciências que trazem a natureza de cura. Elas são comumente chamadas de terapias complementares, pois podem acompanhar procedimentos médicos já estabelecidos. Ou seja, “complementam” o tratamento, ao olhar o Ser de forma integral, identificando as causas dos sintomas (e não apenas seus efeitos). Também podem minimizar efeitos colaterais de medicamentos e proporcionar o equilíbrio e o bem-estar necessários para o enfermo atravessar o estado de debilidade física ou mental.

Dessa maneira descobri um outro lugar de fazer arte: o consultório. Desde então, muitas perguntas já foram respondidas, e tenho muitas outras a fazer no meu caminho. Vou gostar de compartilhar tais questionamentos com os leitores da CARIRI Revista. Trarei, a cada edição, alguns apontamentos e dicas saudáveis que possam ser inseridas facilmente no dia a dia. O ponto inicial para se buscar saúde é a alimentação. Cresce, no Cariri, a quantidade de terapeutas que estão auxiliando os médicos na linda missão de cuidar e curar. Desejo contribuir para esse crescimento, compartilhando e trocando conhecimentos. Assim, farei o que mais gosto de fazer na vida: aprender e compartilhar, pois é assim que me sinto caminhante e fazedora de arte: a arte da vida.

Fotos: Augusto Pessoa

Lugar de médico é na cozinha, de Alberto Peribanez Gonzalez (2011)

Média de preço: R$ 40,00

Eu gosto de cozinhar, então aguardem as receitas que estou elaborando para compartilhar com vocês. A delícia é que o Cariri oferece acesso fácil a alimentos orgânicos, mel, rapaduras, castanhas e frutas frescas o ano inteiro!

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