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A insistência de Davi Bandeira: carreira, sexualidade e single bombado no iTunes Brasil

Davi Bandeira vem ralando duro para conseguir o que quer. Isso porque o músico de 25 anos sonha alto e está decidido a não se contentar com pouco. Conhecido dos bares e botecos alternativos da região Crajubar com seu som pop autoral, Bandeira ganhou outros ares ao longo de 2016, quando começou sua estratégia de singles e vídeos do EP Zon Maan, mesclando sua íntima aproximação com as artes cênicas e a música.

Ultrapassando os próprios limites, amadureceu. A honestidade sobre sua sexualidade nas composições e a criatividade do trabalho coletivo como ferramenta útil diante do baixo orçamento são as principais marcas que preparam o terreno para o lançamento do álbum de estreia, autointitulado Davi Bandeira, esperado para novembro deste ano e produzido por Anfrisio Rocha (CE), Celo Oliveira (RJ) e Leo Hainer (SP), sob o selo da CMA. “No disco, estou de corpo aberto”, declara o artista, que se inspira em  Ed Sheeran, Troye Sivan e John Mayer, cantores conhecidos por suas veias abertas. “Todas as letras e melodias são minhas, portanto canto minha vida”

Enquanto o disco não sai, a estratégia de singles parece estar dando certo. Na sexta-feira, 28 de agosto, Bandeira amanhece bombardeado de mensagens. A recém-liberada faixa Mais Alto estava entre as +20 Brasil do iTunes, plataforma paga da Apple, chegando ao pico de 12ª lugar, acima de Sua Cara, de Major Lazer feat Anitta e Pabllo Vittar, e a 3º no Pop Brasil mais baixados. “Foi a coisa mais incrível que já aconteceu até hoje”, Bandeira comenta, lembrando também que já foi assunto no site especializado em música Billboard Brasil. “Foi uma surpresa muito grande a música estourar no iTunes, porque a gente não planejou nada, nem a promocionamos. Isso só mostra como nossa região tem potencial para ir além”.

 

 

 

Com a preparação para o lançamento do disco de estreia, o que mudou em seu processo criativo?

Acredito que amadureci bastante. Quando eu comecei a produzir eu só tinha uma mochila cheia de sonhos e não sabia como fazer acontecer. Aos poucos fui conhecendo, fui estudando, fui quebrando a cara na prática. Ainda estou longe de saber muito, mas hoje sinto que tenho mais confiança em mim e no meu trabalho. Antes eu não expunha minha orientação sexual, porque eu acreditava que isso não era bom para a carreira (era o que eu ouvia muito), hoje eu me sinto mais livre e isso para ser quem eu sou e produzir o som que acredito, independente se está na moda ou não. Penso que esse é o lado bom de ser um artista independente, você faz o que acredita e ninguém vai te proibir.

Ser músico no Cariri ainda é um grande desafio ou fica mais fácil com o tempo? Em termos de carreira, os planos são ficar por aqui ou tentar fora?

Nossa, ainda é muito difícil. Digo, existe um mercado grande para quem faz barzinho, mas para quem trabalha somente com o som autoral ainda é duro. E fazendo um som mais pop então… Mas aqui é um lugar muito rico e tem muita gente bacana que está na luta. Estou me formando esse semestre (faz Teatro na Universidade Regional do Cariri) e esse é um dos motivos que preciso ter um pouco mais de calma, pois não abro mão da minha formação, pois foi um lugar muito importante para o meu amadurecimento artístico, conheci pessoas que me ajudaram muito e que atualmente trabalham comigo. Mas um dos motivos de aguardar para lançar o disco é que vamos passar um tempo fora para lança-lo. Temos um planejamento no Sudeste para ele.

 

 

E estrear “Mais Alto” em #12 do iTunes… Como reagir? O que essa estreia te trouxe de bom?

Foi a coisa mais incrível que já aconteceu até hoje. Essa música foi muito especial para mim, pois é uma canção muito pessoal e queria lança-la para compartilhar a mensagem com as pessoas. Foi uma surpresa muito grande a música estourar no iTunes, porque a gente não planejou nada, nem a promocionamos. Isso só mostra como nossa região tem potencial para ir além.

Outro dia Lulu Santos me mandou uma mensagem perguntando quem havia produzido Dean e Monroe e eu fiquei abobalhado com isso, mas é porque às vezes a gente acha que por morarmos aqui não somos capazes de ir além, mas é o contrário. Temos que, inclusive, aprender a valorizar o que é produzido em nossa região.

Estava conversando com Solange Almeida semana passada e ela elogiou muito a música Mais Alto, falou que ia enviar para um amigo que estava passando por um momento delicado. E ontem recebi uma mensagem no Instagram de uma pessoa de fora dizendo que Mais Alto salvou sua vida. Isso é o que importa para mim, sabe? Saber que eu estou fazendo as pessoas felizes. Que por mais minúscula que parece, estou fazendo a diferença no mundo. Por mais difícil que pareça continuar, tem algo que diz: você está no caminho certo, não desiste.

 

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