Políticas Públicas, Reportagens 1

Prefeitura Municipal compra casarão abandonado na Rua Padre Cícero

Prédio deve ser entregue à Secretaria de Turismo e Romaria

Gizele Menezes, Secretária de Infraestrutura de Juazeiro do Note, informou em entrevista na redação da CARIRI que o casarão pode ser destinado à Secretaria de Turismo e Romaria, onde seria criado um local de informações e ajuda aos romeiros. “Imagina só… A Praça Padre Cícero reformada, com a Alameda, e, na esquina, essa casa toda restaurada!”, ela comemorou. “Como não vai haver mais quiosques na praça, a gente tinha que acomodar essas pessoas [os comerciantes] em algum lugar. E aquelas lojas que tem lá no terminal, tudo isso vai ser acomodado nesses bares e restaurantes. Ninguém vai perder seu negócio, seu ganha-pão, ao contrário: vai receber algo muito melhor”.

O casarão da Rua Padre Cícero, número 376, já é o quarto prédio a ocupar aquele terreno, explica o estudante de História, Roberto Júnior. “Ali existiu primeiro uma construção horizontal que depois deu lugar a um pensionato. Coronel Fernandes, estimo que na década de 20, construiu um solar que passou pouco tempo em pé. A demolição, na década de 40, deu lugar ao palacete que existe até hoje. José Viana, o novo proprietário, terminou aquela construção em 1945, que foi residência da família dele até a década de 1980”, contou o criador da página Cariri das Antigas.

Por quase 10 anos, o prédio esteve à venda e encontrava-se abandonado. Com o primeiro piso de madeira, já bastante desgastado, e estrutura comprometida, os herdeiros de José Viana tiveram dificuldade de encontrar compradores. A compra pela Prefeitura ainda não consta no Diário Oficial do Município e se encontra em fase de tramitação.

Abandonado, casarão da família Viana é ponto para consumo de drogas em Juazeiro (Site Miséria)
Destombamento

Em setembro de 2010, o então prefeito Manoel Santana aprovou o tombamento do casarão e de mais quatro prédios da mesma calçada. O decreto levava em consideração “o significativo valor histórico, arquitetônico e cultural destas edificações”,  “o valor paisagístico e arquitetônico destes bens como representantes de diversos estilos e períodos”, “a oportunidade de celebração do Primeiro Centenário da cidade de Juazeiro do Norte” e “a necessidade de salvaguardá-las de ações que prejudiquem sua integridade e sua ambiência”.

Sem prestar esclarecimentos, Santana interveio pessoalmente no decreto, voltando atrás no tombamento do prédio da família Viana. Ainda no dia 20 daquele mês, o decreto se encontrava em vigor. O projeto pretendia conservar o entorno da Praça Padre Cícero, onde poucos prédios históricos foram preservados.

“Quase nada está sobrando”

Quase nada está sobrando, e parece que temos mesmo que nos contentar, achando que é muito normal que essa cidade dê asas à sua mania de apreender modismos e achar que o melhor está naquilo que o amigo Alemberg Quindins pronuncia como sendo a “maiamização” do Juazeiro e do Cariri. Seja maiamização, seja dubaização, isso não é descabido, me perdoe Alemberg, mas o local tem cantos e chances, e infelizmente não pode ser o do plantão de velhas picaretas a destroçar esse patrimônio. Muitos detestam essa intervenção do poder público quando se trata de preservar bens históricos, pois o que se assim for tombado, e reservado à preservação de patrimônio fica submetido a uma ditadura das regras que um simples parafuso estranho já é fator de discórdia para suportar o trâmite regular de pedidos de autorização para qualquer e minúscula intervenção de seus proprietários de bens tombados.

Renato Casimiro em seu blog.

Gizele Menezes, arquiteta e Secretária de Infraestrutura de Juazeiro do Norte, comenta a reforma da Praça Padre Cícero.

Posted by Cariri Revista on Friday, September 1, 2017

 

Iphan protege prédios históricos e manifestações culturais do Cariri

Na edição #19 da CARIRI, em 2015, investigamos as condições e preservação de prédios de Crato, Juazeiro e Barbalha.

Ruínas da memória

Sugestões de Leitura

  • José Rodrigues Filho

    Proteger o patrimônio histórico é função e dever do Sphan, e de todos que amam a própria história. O prédio dos Vianas merece proteção e cuidados, pois faz parte da memória física da Praça Padre Cícero.