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Pequi é esperança para famílias tradicionais na Chapada

Um dos frutos mais queridos dos nordestinos, o pequi, também é uma das principais fontes de renda extra para os agricultores da Chapada do Araripe que, de dezembro a abril, passam a colher o fruto maduro para comercializá-lo.

No sítio Cruzeiro, em Crato, em média 20 famílias participam de um projeto que transformou a relação das comunidades tradicionais com o pequi, tornando o fruto não só uma renda extra durante alguns meses, mas uma oportunidade de empreendedorismo o ano inteiro. Chamada de Pequi Vivo, a proposta de professores e estudantes do Centro Universitário Leão Sampaio (UNILEÃO) atua na comunidade desde 2013, capacitando os moradores em gestão de negócios, nutrição e administração de caixa.

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Produtores do Sítio Cruzeiro, em Crato (Foto: Pequi Vivo/Reprodução)

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Vencedores do Prêmio Santander Universidade Solidária, o projeto conseguiu maquinário para beneficiamento do fruto e câmara fria para conservação. Com isso, o agricultor Jackson Pereira Ventura, que também é da Associação de Moradores, acredita que verá o pequi ser valorizado fora de época. “Muito da nossa coleta estragava, o que não vai acontecer mais com o galpão frio. Vamos passar a vender o excedente fora da época, tendo este diferencial”, relata.

Com a otimização da atividade extrativista na comunidade sítio Cruzeiro, as vendas se darão principalmente em dois produtos: o fruto por quilo, em sacas de até R$ 20, e a extração do óleo de pequi, engarrafado e vendido por R$ 15.

Em época de pequi no chão no Ceará, a safra render 200 toneladas, o que barateia o produto. A saca com 70 a 100 unidades do fruto chega a ser comercializada por R$ 5. Um pequizeiro chega a produzir até 35.000 pequis.

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(Foto: Rafael Vilarouca)

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Além da renda extra, a coordenadora do Pequi Vivo, Ana Isabel Calixto, revela que o objetivo é o empoderamento da comunidade sobre seu potencial. “Uma vez que eles têm o sentimento de pertencimento àquele local e dispõem de recursos para ficar ali – um trabalho, uma renda, uma comunidade – não vão querer e nem precisarão sair de lá”, diz.

De sabor forte e perfume característico, o pequi, fruto do pequizeiro, é originalmente nativo do Cerrado, mas também sendo encontrado em diversos estados do Nordeste. Na reserva nacional da Floresta Nacional do Araripe, ano após anos, famílias tradicionais deixam suas casas e acampam próximo aos pequizeiros para a colheita.


Foto de destaque: Rafael Vilarouca

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