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Pelúsio Correia de Macedo: ferro e música

Foram muitos os que fizeram história em uma terra de grandes homens e mulheres comerciantes, artistas, religiosos, doutores e de tantas outras profissões e ocupações. “Basta morar seis meses em Juazeiro e pronto: você já é um juazeirense”, diz o ditado. Para falar da vida dos que nasceram aqui e dos que se tornaram juazeirenses depois de seis meses, a CARIRI começa aqui uma série de publicações sobre nomes ilustres de Juazeiro do Norte.

Pelúsio Correia de Macedo foi pioneiro em muita coisa. A primeira oficina mecânica da cidade foi ele quem abriu. Também fundou a primeira escola de música, onde surgiu a primeira banda da cidade, que animava desfiles e festas sob sua regência. O Cine Iracema, também criado por ele, não foi o primeiro cinema da cidade (apenas o segundo), mas agradava tanto a freguesia que era considerado o melhor — tinha até sala de espera e palco para peças teatrais e apresentações musicais. Pelúsio também foi o primeiro telegrafista da Estação Telegráfica de Juazeiro do Norte, onde atuou como chefe e homem da confiança do Padre Cícero, que lhe entregava os telegramas mais sigilosos.

O sítio Pau Seco, onde Pelúsio nasceu, hoje é a área entre os bairros Timbaúbas e Aeroporto, que, em 1867, ainda pertencia à cidade de Barbalha. É filho de Rosa Amélia Parente Macedo e de Semeão Correia de Macedo, o segundo professor-régio do povoado de Joasero, cargo que substituiu os jesuítas na catequização de gentios. Reza a lenda que foi Semeão, homem muito católico, que convidou Padre Cícero, ainda um jovem sacerdote, para ficar em Joasero depois da missa de fim de ano que este realizou no povoado em 1879. A amizade entre a família e o padre prosseguiu, tanto que foi ele quem facilitou a matrícula de Pelúsio no Seminário do Crato.

Pelúsio e Padre Cícero se mantiveram próximos durante toda a vida. Em Padre Cícero, pessoas, fotos e fatos, Walter Barbosa descreve um diálogo entre os dois, contado ao autor pelo próprio Pelúsio. O padre o havia chamado para pedir que ele se encarregasse de montar uma oficina mecânica e produzisse relógios, a fim de gerar empregos na cidade:

— Mas meu padrinho, como é que eu posso fazer uma coisa que nunca fiz? —  Pelúsio teria indagado.

— Fazendo a primeira vez. Olhe, vou mandar comprar um despertador. Quando chegar, você o desmonta, vê como funcionam as suas peças e as estuda. Depois você as montará. Quando isso acontecer, já se tem meio caminho andado para se implantar uma fábrica de relógios na nossa Juazeiro.

Os relógios se tornaram o principal feito de Pelúsio. Há torres com sua obra em cidades como Campos Sales, Jardim, Missão Velha e até em Petrolina, na famosa Praça Dom Malan, onde há duas imensas estátuas, uma de Padre Cícero e e outra de Dom Malan; entre eles está o relógio construído por Pelúsio. Também é dele o relógio na Coluna da Hora, que marca — além das horas, minutos e segundos — as fases da lua e os anos bissextos. Fundição de sinos de igrejas também viraram especialidade do mestre ferreiro, cujo nome dá título a uma rua e escola em Juazeiro do Norte. Pelúcio faleceu em 1º de maio de 1955.

Fotos: Acervo fotográfico Daniel Walker e Renato Casimiro

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