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Parque Sítio Fundão inaugura Trilha dos Sentidos e cadeira adaptada para acessibilidade

Parque quer aproximar pessoas com deficiência dos atrativos naturais

O Parque Estadual Sítio Fundão inaugurou no dia 25 de maio seu mais novo atrativo, a “Trilha dos Sentidos”, que busca promover a acessibilidade de pessoas com deficiência na Unidade de Conservação. Esta é uma das atividades de educação ambiental, pesquisa científica e inclusão social que o Parque Estadual vem realizando ao longo de 2018 em comemoração aos 10 anos de criação

A Trilha, que tem 5 quilômetros em sua totalidade, teve 200 metros calçados com fiapos de paletes, contornados com cordas guias, placas de localização em braille e áudio descrição, tecnologias dispostas para facilitar o percurso de pessoas com necessidades específicas. 

A distância adaptada pode parecer pouca coisa aos olhos de quem pode percorrer toda a caminhada sem problemas. No entanto, a conquista sentida é real para o estudante Anderson Germano, 16, cego, que mesmo morando nas redondezas não era um frequentador do Parque. “Eu já tinha vindo ao Parque Estadual uma vez para fazer uma caminhada em um ar mais puro, mas cheguei em um determinado ponto e quis voltar porque eu não conseguia interagir”, revela o estudante. “Com as placas e com o aplicativo eu consegui perceber as coisas, sentir o chão, tocar as árvores e saber o que eram pela audiodescrição. Agora eu consigo entender o espaço”, explica. 

 

Placas em braile e com código para Ecomaps (Fotos: Divulgação / Pares Sítio Fundão / Governo do Estado)

 

CADEIRA JULIETTE: INCLUSÃO POR DIREITO

Juntos há 13 anos, os engenheiros Juliana Tozzi e Guilherme Simões são adeptos aos esportes radicais e sempre priorizaram o contato com a natureza. Mas, em 2015, o casal ficou impossibilitado de fazer o que mais gostava quando, durante gestação, Juliana descobriu uma síndrome neurológica rara que veio comprometer alguns de seus movimentos e parte da fala.

“Desde o começo da nossa relação viajamos de bicicleta, andamos em trilhas, subimos montanhas. Após o acontecido, a única coisa que a Ju se reclamava era da saudade de estar em contato com a natureza, porque isso sempre foi a nossa válvula de escape no dia a dia”, revela Guilherme. “Fiz a cadeira para trazer a Ju de volta às montanhas”.

Em homenagem a esposa, o engenheiro Guilherme Simões criou uma cadeira adaptada que possibilita o acesso de pessoas com mobilidade reduzida à locais de difícil acesso, como serras, trilhas e montanhas. A cadeira Juliette, como foi carinhosamente batizada, é resultado de uma longa pesquisa de Guilherme para encontrar alternativas mais baratas e possíveis diante da realidade brasileira.

 

Cadeira Juliette. (Fotos: Divulgação / Pares Sítio Fundão / Governo do Estado).

 

“Encontrei algumas coisas na Europa, mas para trazer aquela tecnologia nos custaria mais de R$ 30 mil, não tínhamos essa grana toda na época. Eu já sabia para onde queria levar a Ju, então aproveitei meus conhecimentos de engenheiro e procurei desenvolver uma cadeira parecida com a que encontrei durante as pesquisas só que com peças daqui”, conta o marido.

A criação de Simões conseguiu reduzir significadamente o gasto que se teria importando uma tecnologia semelhante. Hoje, no mercado brasileiro, a cadeira saí por quase R$ 4 mil.  “Entregamos a fabricação e a patente da cadeira a uma empresa para nos dedicarmos a ONG e aos projetos pessoais”, conta Guilherme. 

O êxito transformou ainda mais a vida do casal que desde então lutam pela inclusão de pessoas com deficiência esportes ao ar livre. “Os esportes ao ar livre têm um contexto tão limitado que muitos me afirmaram ser impossível o que conseguimos fazer. É dessa dificuldade que acordamos para a necessidade de se democratizar a ideia e criamos a ONG Montanha Para Todos”.

 

Trilha dos Sentidos (Fotos: Divulgação / Pares Sítio Fundão / Governo do Estado)

 

MONTANHA PARA TODOS

A ONG Montanha para Todos tem selecionado algumas histórias para presentear com a tutela da cadeira Juliette. A escolha é baseada nas necessidades mais urgentes do lugar por inclusão somado com a possibilidade de turismo ambiental, e foi por meio desse processo que a Julietti chegou ao Cariri.  

A cadeira entregue ao Sítio Fundão é a décima sexta do Brasil e a segunda das cinco cadeiras dadas pelo programa de TV Caldeirão do Huck, após participação do Guilherme no quadro The Wall.  

A ONG tem trabalhado com o objetivo da Julietti chegar em todos os estados do Brasil, mas os sonhos não param por aí. Em entrevista Simões revelou que entende que mesmo com o barateamento após suas adaptações, o valor da cadeira ainda não é algo possível de ser adquirido de forma particular por todas as pessoas com mobilidade reduzida no país. Por isso os projetos futuros da instituição estão concentrados na democratização das cadeiras.

Para ser um colaborador da ONG basta entrar no site oficial e doar uma ou mais vezes qualquer valor a partir de R$ 1,00. É possível até disponibilizar o seu imposto de renda para a instituição.    

 

(Fotos: Divulgação / Pares Sítio Fundão / Governo do Estado)

 

PROGRAMAÇÃO

O Parque Estadual Sítio Fundão realiza no dia 5 de junho o “I Seminário Científico do Parque Sítio Fundão” na sede do Geopark Araripe, em Crato.

 

8h: Credenciamento

9h: Palestra: Parque Estadual Sítio Fundão com Jorge Madsson

9:20h: Mesa Redonda: Geopark Araripe Geossítio: Batateira com o professor Dr. Patrício Melo

13h: Apresentação de trabalhos científico (Pátio de pedagogia – Geopark)

15h: Cerimônia em homenagem ao Sr. Jeferson da Franca Alencar

 

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