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Conhecendo o Parque Estadual Sítio Fundão em uma expedição

O Parque Estadual Sítio Fundão, em Crato, possui mais de 930 mil m² de pura beleza natural, com resquícios de Mata Atlântica, cercada por marcos que contam nossa história regional e ainda inexplorados mistérios. Cortado pelo Rio Batateira e parte do geossítio de mesmo nome, o Pares Sítio Fundão está se preparando para a chegada dos 10 anos de criação com uma jornada de ações que prometem atrair mais visitantes e aproximar a comunidade acadêmica e geral de suas atividades cotidianas.

Uma das ações mais convidativas é a expedição científica, um convite à comunidade para participar de uma trilha guiada por um profissional pesquisador disposto a compartilhar seu olhar experiente com os visitantes de forma a incentivar a curiosidade em torno da fauna, flora e história do Parque. A ideia é que novas produções científicas e novos pesquisadores sejam nutridas a partir das 10 expedições que ainda acontecerão ao longo do ano.

 

Com app desenvolvido por estudantes, visitantes do Parque podem ter mais informações sobre a flora e fauna do Parque (Fotos: Alana Maria).

 

EXPEDIÇÕES E CIENTISTAS

Visitando o Sítio Fundão pela primeira vez, a estudante de Biologia Ednalva da Silva Santos, 18 anos, veio de Mauriti para participar da 1ª Expedição do ano e se declarou encantada com o que viu. “Adorei conhecer mais sobre a natureza do Crato, principalmente porque são momentos como esses que podemos ver na prática o que aprendemos na teoria em salas de aula”, explicou a jovem que estuda na Universidade Regional do Cariri, em Missão Velha.

A visita foi um prato cheio para a estudante que é fascinada por artrópodes, uma vez que a espécie é uma das mais abundantes no Parque. Ednalva diz que volta para casa com boas ideias para projetos de pesquisa e artigos científicos. Quem também estava atento a tudo o que acontecia era o professor Charles de Sousa, que registrou cada episódio visto com sua câmera fotográfica. Cercado pela beleza crua da Chapada do Araripe, o professor afirma que falta investimentos públicos para que pesquisas maiores e de mais impacto sejam realizadas dentro do Pares.

“Em termos de pesquisa, o Parque é fantástico. Aqui temos grande facilidade de encontrar objetos de estudo, sejam aves, anfíbios, mamíferos, artrópodes ou espécies da Flora, então deveria haver bastante investimento do setor público para que essas pesquisas sejam realizadas, tanto para conhecermos melhor o território e natureza, quanto ajudar a preservar essa unidade”, o professor cobra.

 

Trilhas de 1,2 km a 3 km cortam o Parque Estadual Sítio Fundão. Agendamentos podem ser feitos online (Fotos: Alana Maria).

 

Tipo raro de aranha encontrada na trilha. Pesquisadores tentam leva-la para laboratório de maneira improvisada (Fotos: Alana Maria).

 

“PARAÍSO DA PESQUISA”

Ao longo de uma hora de caminhada por uma das três trilhas que se abrem pela área verde do Pares, o biólogo e pesquisador Raul Azevedo conduz o curioso grupo atentando sobre as curiosidades das árvores e os frutos, dos fungos e das flores, também destacando a vida animal neste recanto. “Isso aqui é um reduto de Mata em uma área urbana, o que minimamente ameniza nosso impacto na natureza”, comenta o biólogo. “Precisamos conhecer essa fauna, essa flora, essa história para preservarmos, caso contrário, de nada adianta”.

“O Sítio Fundão é um verdadeiro paraíso para um pesquisador”, afirma Raul Azevedo, especialista em biodiversidade. “Pessoas de todo o país chegam na região procurando esse local para pesquisar nossa história, nossa natureza, que é rica e única. Temos espécies que só existem aqui. Isso é muito importante”, relata.

 

“O Sítio Fundão é um verdadeiro paraíso para um pesquisador”, afirma o biólogo Raul Azevedo (Fotos: Alana Maria).

 

Estudantes flagram tipo raro de aranha capturando e devorando um inseto (Fotos: Alana Maria).

 

Da mesma forma pensa a professora universitária Neuma Galvão, que há mais de 8 anos traz seus alunos e alunas da faculdade de Pedagogia para conhecerem e explorarem o Sítio Fundão.  “Estamos formando professores e eles precisam conhecer o incrível potencial didático do geossítio Fundão. A aula começa desde a entrada do Parque até às águas e trilhas lá dentro”, defende. Neuma acredita ser urgente formar profissionais que tenham educação ambiental e conhecimento sobre o território em que vivem para repassarem esse conhecimento aos seus próximos. “Temos um material tão rico! Ele precisa ser visto e respeitado”.

 

“Precisamos de mais investimento para realizar pesquisas científicas”, denuncia o professor Charles de Sousa (Fotos: Alana Maria).

 

CAMINHANDO JUNTOS

Parcerias devem ser a marca do Pares Sítio Fundão nos próximos anos. Os nomes são de peso: Geopark Araripe, Universidade Federal do Cariri, Universidade Regional do Cariri, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia e Prefeitura Municipal do Crato. O objetivo colocado como marca dos 10 anos de Unidade de Conservação é a aproximação e fortalecimento do sentimento de pertencimento da comunidade para com o Parque. Uma missão e tanto.

“Os desafios ainda são muitos”, revela a diretora do equipamento, Rose Mary Feitosa. “Temos um longo caminho a nossa frente para sensibilizar a população sobre seu pertencimento ao Parque. As pessoas ainda não entendem que tudo isso é delas, logo, elas também precisam cuidar do Parque”, reflete. “Se tivermos isso, não precisaremos de cercas”.

 

Também se encontram trilhas para Mountain Bike (Fotos: Alana Maria).

 

Aliado ao Pares, o Centro Acadêmico da Faculdade de Biologia da URCA realizará seu evento anual junto ao 1º Seminário Científico realizado pelo Sítio Fundão. O evento deve acontecer nos primeiros dias de junho, próximo a data de aniversário do Parque. Segundo Kleber Ribeiro, representante do Centro Acadêmico, a união dos estudantes com o Geopark e o Sítio Fundão vem para fortalecer as ações de conservação e expandir os horizontes de pesquisa.

Em janeiro, o trabalho coletivo entre o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFCE-Crato) e a SEMA desenvolveu um aplicativo de smartphone capaz de identificar plantas nativas, fósseis e bens históricos do Parque. Com placas com código QR espalhadas ao longo de trilhas, basta o usuário iniciar o aplicativo Ecomapss e aproximar o celular, com o app aberto, da placa para ter acesso a nome, história, origem, uso e outras curiosidades sobre as espécies.

 

Estudantes da Faculdade de Biologia analisam espécimes capturadas durante a Expedição (Fotos: Alana Maria).

 

VISITE O PARQUE SÍTIO FUNDÃO

Aberto para visitações de domingo a domingo, o Parque Estadual Sítio Fundão realiza trilhas guiadas, expedições científicas e aulas de campo. Suas edificações históricas são ponto atrativo para os visitantes, como a Casa de Taipa Ambientalista Jéferson da Franca Alencar, única do tipo a possuir andar que se tem conhecimento no Brasil, e o pequeno cânion formado pelo Rio Batateira, assim como o Circuito das Árvores e trilhas para mountain bike.

Para agendar uma trilha ou aula de campo, visite o site da Secretaria Estadual de Meio Ambiente.

 

Casa de Taipa Ambientalista Jéferson da Franca Alencar, centro de visitação, recentemente reformada. (Fotos: Alana Maria)

 

COMO CHEGAR
Endereço: Rua José Franca de Alencar, s/n – Bairro Seminário
Crato – CE, CEP 63010-100
Telefone: (88) 3523-8404

 

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