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O cromossomo a mais é o do amor

Hérica adora tocar violão. Milena joga futebol. Yasmin, muito vaidosa, gosta de se maquiar. O cotidiano de Hérica, Milena e Yasmin e de outras crianças e adolescentes de Juazeiro do Norte e do Crato são contadas na exposição Cromossomo do Amor, em cartaz no Cariri Garden Shopping até o dia 26 de março. Além delas, Luan, Hannah, Júlia, Ana Beatriz, Alex, Ruan, Sofia, Marquinhos, Miguel e Milena também participam da exposição fotografada por Marcilene Errera e Florency Lima.

“Antes, a sociedade e os pais queriam esconder os filhos que tinham Síndrome de Down. Hoje nós queremos mostrar o que nossos filhos são capazes de fazer”, conta Ticiane Bento Callou, mãe de Ana Beatriz. “Nós queremos, através desse projeto, que as pessoas compreendam que nossos filhos podem fazer tudo. Eles só precisam de uma chance, de uma oportunidade”.

Dos 13 integrantes da exposição, cinco são adolescentes. Cromossomo do Amor tenta mostrar, através das fotografias, que pessoas com Down também vivem juventude e a fase adulta. Ticiane vai além. Ela gostaria de ver a publicidade – sobretudo a publicidade infantil – convidando atores e atrizes com necessidades especiais para participar de comerciais e propagandas. “É preciso mostrar às pessoas que isso é natural. Por isso, é importante existir modelos que têm Síndrome de Down, porque eles também têm talento, também têm potencial. Além disso, eles também são consumidores”, ela diz.

A Síndrome de Down não é uma doença, mas uma ocorrência genética que a ciência ainda não descobriu como evitar. Enquanto a maioria das pessoas tem 46 cromossomos em suas células, aqueles que apresentam trissomia no cromossomo 21, têm 47. Não há estatísticas que apontem quantas pessoas têm Síndrome de Down no Brasil, mas a proporção mundial é que, para cada 700 mil habitantes, um teria a Síndrome. Baseado nisso, estima-se que seriam 270 mil brasileiros.

Fotos dos participantes da exposição e de outras crianças e adolescentes do Cariri estão na página O Cromossomo a mais do amor

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Se você apresentar o diferente ao seu filho, no futuro nós não vamos falar em ‘inclusão’, mas em ‘convivência’

“A maior barreira que nós encontramos é a falta de sensibilidade. As pessoas não conseguem ver que ali está um ser humano, como qualquer um outro. Um ser humano que tem suas diferenças, como qualquer um outro. A maior dificuldade é essa. Falta olhar além da Síndrome de Down. A síndrome é um detalhe. O ser humano é muito mais além daquilo. Ele tem muito mais virtudes e qualidades.

“Há leis tramitando, mas precisamos levar também amor. Porque é isso que eles fazem com a gente, eles nos conquistam. Eles trazem amor. Eles mudam a gente. Foi isso que a Bia trouxe pra mim. Não são só flores. Passamos por muita coisa difícil. Mas posso garantir: é muito amor envolvido, muita vitória. Se ver um filho aprender a andar é gostoso, ver um filho que tem Down aprender a andar é gostoso mil vezes, é algo inesquecível. Há dificuldades, mas é a coisa mais linda do mundo.”

Ticiane Bento Callou

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