Foto: Samuel Macedo
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Nem só a fé conduz à vitória

Faltavam apenas dois minutos para o fim do tempo regulamentar. Só restariam os acréscimos para o fim do jogo. O locutor oficial do Romeirão já anunciava no alto-falante os resultados dos outros jogos. Os jogadores estavam visivelmente nervosos. Aos 43 minutos do segundo tempo, acontece uma falta para o Icasa. Meu pai sentencia:

– Se não empatar agora, nesse lance, o Icasa não sobe mais.

Chapinha, camisa 10 alviverde, foi para a cobrança. O chute ficou na barreira. Após este lance, milhares de torcedores começaram a deixar o Estádio Romeirão. Muitos deles vieram de chapéu de palha, tradicionalmente usado pelos romeiros que visitam Juazeiro do Norte.

O placar final, Chapecoense 2 a 1 no Icasa, pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro Série B de 2013, diminuía as chances do Verdão do Cariri conseguir o tão sonhado acesso à primeira divisão. O time alviverde tinha a menor folha salarial entre os 20 times do torneio. Antes da partida, ele ocupava a 4º posição, que o credenciaria a estar na elite nacional.

A derrota em casa para a Chapecoense, que já havia conquistado o acesso, obrigou o Icasa a vencer o Paraná, fora de casa. O resultado foi o contrário. Derrota por 2 a 0. O Verdão do Cariri não conseguiu o acesso à Série A de 2014. Um ponto atrás, apenas, do 4º colocado, o Figueirense. O feito do Icasa seria histórico, pois desde 1987 nenhum time do interior do Nordeste disputa o principal torneio de futebol do Brasil.

No ano seguinte, o Icasa fez uma campanha completamente diferente de 2013. Caiu para a Série C do Campeonato Brasileiro. Ocupando a 18ª posição. Três pontos atrás do último colocado fora da zona de rebaixamento.

Nestes 52 anos de história, 2015 talvez este seja o momento mais difícil do Verdão do Cariri. Se, há dois anos, Juazeiro do Norte vivia o sonho de ter um time enfrentando os principais clubes do país, hoje, o Icasa amarga seu segundo rebaixamento, caindo para a quarta divisão nacional. A pior campanha entre as três principais divisões do Campeonato Brasileiro, numa sucessiva mostra de desorganização dos dirigentes icasianos e falta de planejamento.

Muitos jogadores vieram, poucos vingaram e muitos sequer estrearam. Isso porque, com os atrasos de pagamento de salários, falta de estrutura e muitas promessas da diretoria, muitos atletas deixaram Juazeiro do Norte antes mesmo de treinar com o time.

O clube que nasceu em 1963 com as peladas no campo de terra da Indústria de Comércio e Algodão de Sociedade Anônima (ICASA), entre os funcionários de algodão e óleo, tem uma história belíssima. História ligada a fé, superstição. Desde os tempos de Praxedes Ferreira, até Flávio Araújo. Dos artilheiros Joãozinho e Marciano. Do chão de terra do Estádio dos Bandeirantes ao Romeirão.

Hoje, o Verdão tem de se apoiar na sua história. Fortalecer e se estruturar. Depois de 1998, quando o Icasa Esporte Clube chegou ao fim, 2015 sentencia o pior momento da Associação Desportiva Recreativa e Cultural Icasa. O ano que vem tem de ser o pontapé para o terceiro recomeço do clube.

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