Cariri Sustentável

Museu do Lixo: arte, psicodelismo e meio ambiente

Consumir desenfreadamente tem sido nosso lema. Não paramos para pensar o por quê. Apenas seguimos assim: encantados por aquele comercial bonito, por aquela promoção imperdível, sem falar naquele parcelamento em 12 vezes que faz brilhar os olhos de qualquer um… É ótimo ter tanta coisa assim, não é mesmo? Quem disse? E se alguém disse, Saiba mais

Por Redação Cariri • 1 de maio de 2018

Consumir desenfreadamente tem sido nosso lema. Não paramos para pensar o por quê. Apenas seguimos assim: encantados por aquele comercial bonito, por aquela promoção imperdível, sem falar naquele parcelamento em 12 vezes que faz brilhar os olhos de qualquer um… É ótimo ter tanta coisa assim, não é mesmo? Quem disse? E se alguém disse, por que raios acreditamos?

No fim, tudo isso acaba se transformando em lixo. Pior, lixo sem destinação correta, amontoados, poluindo o solo, as águas e causando inúmeras doenças. Por sorte, há no mundo pessoas como Paulo Pereira da Silva, ou melhor, “Paulinho Cariri”. Esse “decorador exótico”, como ele mesmo se nomeia, arranjou uma maneira interessante de reciclar o que seria mais um montão de lixo no mundo: transformar em arte.

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(Fotos: Thibério César)

No lixão do Crato, Paulinho criou o Museu do Lixo. Só que esse não é seu primeiro museu do tipo. Natural de Aracati, o artista plastico, nômade, poeta, artesão, lixeiro, arte-educador, voluntário, tecelão, ombro amigo e liso – ele brinca – já passou por cidades como Mossoró (RN), onde, rodeado de dificuldades financeiras começou a trabalhar no lixão, Juazeiro do Norte e Aracati fazendo trabalhos similares. Em Fortaleza, ministrou algumas oficinas pela Fundação da Criança e da Família Cidadã (Funci). Aos 49 anos, Paulinho Cariri mora no Lixão e vive do que lá coleta. 

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Paulo Pereira da Silva, o “Paulinho Cariri” (Foto: Thibério César)

Implantada pela lei 12.305/2010, a  Política Nacional de Resíduos Sólidos vem desempenhando papel importante na reestruturação e criação de aterros sanitários. A lei regulamenta e incentiva ações como coletas seletivas e reciclagem prioritária, a depender do tempo útil de vida de cada produto que vai para o lixo. Ainda que a passos lentos, a legislação vem agindo. É o caso do lixão de Mossoró, onde Paulinho Cariri começou a trabalhar como catador de recicláveis. 

Ilha das Flores

 Lançado no ano de 1989 e dirigido pelo cineasta gaúcho Jorge Furtado, o curta-metragem Ilha das Flores nos parece indispensável à reflexão acerca do mundo do lixo. O nosso mundo. 

Conheça um pouco mais sobre o trabalho do artista pelas fotos de Thibério César na nossa galeria. Nós também já escrevemos sobre como você pode direcionar melhor o lixo da sua casa. Fazer as pazes com o meio ambiente não vai ser fácil, nossa tentativa mais honesta e eficaz é consumir conscientemente e reciclar o que já possuímos.  

Redação Cariri