Políticas Públicas

Mulheres de Crato buscam renovação política

O Salão de Atos da Universidade Regional do Cariri (URCA) abrigou durante a última quinta-feira, 22, o Seminário de Políticas Públicas para as Mulheres, uma realização do Conselho de Defesa dos Direitos da Mulher Cratense. Quatorze novas conselheiras foram eleitas pelos participantes do seminário para o órgão social voluntário, sendo 7 efetivas na diretoria e Saiba mais

Por Alana Maria • 23 de março de 2018

O Salão de Atos da Universidade Regional do Cariri (URCA) abrigou durante a última quinta-feira, 22, o Seminário de Políticas Públicas para as Mulheres, uma realização do Conselho de Defesa dos Direitos da Mulher Cratense. Quatorze novas conselheiras foram eleitas pelos participantes do seminário para o órgão social voluntário, sendo 7 efetivas na diretoria e outras 7 como suplentes.

Criado em 1994, o Conselho deve, entre outras atividades, fiscalizar leis municipais no que diz respeito ao direito das mulheres e participar da construção de políticas públicas.

A professora Verônica Isidório, a agricultora Maria Fátima Alves Lima, a agricultora Alda Ferreira, a estudante universitária Gabriela Lemos, a bibliotecária Ingrid Silva, a enfermeira Érica Formiga e a pedagoga Ivaneide Severo são as novas ocupantes do Conselho da Mulher de Crato.

 

Novos membros do Conselho de Defesa dos Direitos da Mulher Cratense (Fotos: Alana Maria)

 

PLANO MUNICIPAL DE POLÍTICAS PARA AS MULHERES

Com mais de 200 inscritos, o evento se dividiu, pela manhã, entre balanço da última gestão, debates e grupos de discussão de temas relativos à questão da mulher na sociedade. À tarde, os participantes elegeram sua nova diretoria.

Violência, segurança, saúde, educação e assistência social foram alguns dos temas que lideraram grupos 15 a 20 pessoas em discussões. Desses grupos, uma série de ideias, exigências e propostas foram escritas para integrar um Plano Municipal de Políticas para as Mulheres que será escrito pelo Conselho e proposto na Câmara de Vereadores.

Entre as propostas estão a criação de uma Secretaria de Políticas para as Mulheres; delegacias da mulher com funcionamento 24 horas; um fundo orçamentário municipal visando a execução de para políticas para as mulheres; a construção de uma Casa Abrigo; a implementação urgente do Núcleo de Enfrentamento à Violência contra a Mulher (NUDEM), da Defensoria Pública, na região do Cariri; concursos públicos para áreas estratégicas com cotas para mulheres; formação e debates sobre violência contra a mulher, raça e lgbtfobia com agentes de segurança pública; criação de um Comitê da Mortalidade Materna; implementação da Patrulha Maria da Penha, assim como campanhas de incentivo ao rompimento do silencio e denúncia da violência; entre outras.

 

(Fotos: Alana Maria)

 

FÔLEGO

Estudantes, agricultoras, professoras, servidoras, donas de casa, mulheres jovens, adultas e idosas formaram o público do Seminário que compareceram voluntariamente para contribuírem com propostas de políticas para as mulheres cratenses. Novos rostos se destacam entre aqueles já conhecidos no movimento de mulheres, como destacou em fala de abertura Verônica Carvalho, que finalizou quatro anos de direção no Conselho, lembrando da necessidade novas forças e novas ideias surgirem para renovar a política.

Entre os novos rostos, estava a artesã e empresária Normélia Barbosa Araújo, que participava pela primeira vez. Segundo diz, de uns tempos para cá começou a dar mais atenção às questões e enfrentamentos femininos na sociedade. “Eu não pensava em nada disso, em segurança, violência, saúde, educação. Minha vida desde os 19 anos era agradar o marido, mas felizmente as coisas mudam”, relata. Normélia se candidatou à uma vaga no Conselho da Mulher. Hoje está como suplente.

 

(Fotos: Alana Maria)

 

HISTÓRIA E LUTA

O Conselho de Defesa dos Direitos da Mulher Cratense foi criado em 1994 por mulheres de diversas classes sociais e tendências políticas. Entre as fundadoras, a ex-vereadora Mara Guedes, presente no Seminário, relembra uma das primeiras ações do Conselho: a coleta de assinaturas para a exigência da criação de uma Delegacia da Mulher em Crato.

“Foram 10.100 assinaturas que nós, 12 mulheres, conseguimos coletar em praça pública, no sol quente, conversando e convencendo as pessoas da necessidade urgente desse equipamento de defesa das mulheres”, Mara revela. Para a ex-vereadora, são claros os avanços conquistados pela luta das mulheres no Brasil, como a Delegacia da Mulher, os Centros de Referência e o Juizado da Mulher, mas chama a atenção para os retrocessos dos últimos dois anos. “É como se começássemos da estaca zero. Mas as mobilizações precisam continuar, porque, veja, conseguimos este ano pressionar o Governo Federal a instalar o NUDEM (Núcleo de Enfrentamento à Violência contra a Mulher) aqui no Cariri. Está no papel. Só falta a efetivação disso”, afirma.

“São pelo menos duas grandes lutas: convencer os políticos a atender nossas demandas, que são demandas pela manutenção da vida das mulheres, e concretamente as políticas serem executadas”, Mara lamenta.

 

Cartaz relembra Rayane Alves Machado desaparecida desde 19 de março de 2016. Para a Polícia Civil de Crato Rayane foi sequestrada e assassinada pelo ex-namorado Saulo Custódio. À época, a Frente de Mulheres do Cariri e o Conselho da Mulher de Crato esteve com a família de Rayane. (Fotos: Alana Maria)

Alana Maria

Alana Maria Soares é jornalista da Cariri Revista desde 2015.
Formou-se pela faculdade de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará (UFC), no campus Cariri, onde produziu o programa cultural Percursos Urbanos Cariri, pela UFC e CCBNB, entre 2012 e 2014. Pela Editora 309, ainda produziu a Casa Cariri Revista, o Manual Inteligente da Água, o Jornal Universitário da Unileão em 2016 e 2017, entre outros produtos editoriais.
RP: 0003947/CE