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Mulheres cobram casa abrigo, creches e outras políticas em audiência pública

Movimentos de Mulheres representado por Verônica Isidoro (na foto) levou demandas à audiência na Câmara Municipal de Juazeiro do Norte

Dois dias após a grande marcha do 8 de março em Crato, a Frente de Mulheres dos Movimentos do Cariri, uma organização social em defesa das caririenses, composta por diversas entidades, instituições e movimentos sociais, protagonizou na manhã desta sexta-feira, 10, a audiência pública na Câmara de Vereadores do município de Juazeiro do Norte, com pauta única discutir e tratar de políticas municipais para as mulheres. Apenas 8 dos 21 vereadores compareceram à sessão.

A audiência, liderada pelo presidente da casa, o vereador Gledson Bezerra, que atendeu às sugestões das servidoras públicas da Câmara em primeiro ouvir as demandas da população para depois iniciar os ritos e falas dos representantes de secretarias e equipamentos sociais, foi marcada pelas estatísticas da violência contra a mulher apresentadas pela Frente de Mulheres.

Os números são alarmantes: a cada 11 minutos uma mulher é vítima de agressão no Brasil e a cada 2 horas é registrado um caso de feminicídio (assassinato de mulheres por questões de gênero). Em 2013, 4.762 mulheres foram assassinadas no país, o equivalente a 13 homicídios por dia. Cresceu em 54% o homicídio de mulheres negras em 10 anos.

Apenas no Cariri, entre 2001 e 2014, foram registrados 228 assassinatos de mulheres. Em 2016, apenas em Juazeiro do Norte, foram 11. O Ceará ocupa a sexta posição no triste ranking nacional de violência contra a mulher, sendo no Nordeste o terceiro colocado.

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Vice-presidente do Conselho da Mulher de Juazeiro lê nota em plenário (Fotos: Samuel Macedo / Ascom Prefeitura de Juazeiro do Norte)

DEMANDAS

Verônica Isidoro, membro da Frente e do Conselho dos Direitos da Mulher Cratense, entregou à mesa diretora da Câmara de Vereadores de Juazeiro do Norte uma lista de demandas históricas dos movimentos de mulheres.

Algumas delas são: a elaboração de políticas específicas para as mulheres, para a população negra e LGBT; que as delegacias da mulher e demais equipamentos de atendimento às mulheres sejam abertas 24h, inclusive nos fins de semana (a representante lembrou que é no período da noite e dos fins de semana onde ocorrem mais casos de violência doméstica); a instalação de casa abrigo para mulheres vítimas de violência; capacitações e formações para os atendentes destes equipamentos públicos, tal como também para professores e professoras e demais servidores; a criação de concursos públicos para os cargos em equipamentos sociais; criação de creches municipais em todos os bairros; criação de mecanismos de divulgação da ouvidoria municipal para casos de violência praticados por servidores; garantia do atendimento e acesso à saúde de qualidade para as mulheres negras e LGBTs, efetivando a Política de Saúde da Mulher e Política de Saúde Integral da População Negra; etc.

Representando as mulheres de Axé, a líder religiosa Mãe Herlânia falou em plenário lembrando da histórica negação dos direitos das comunidades religiosas de matriz africana e a falta de apoio do poder público na anual Caminhada Contra a Intolerância Religiosa. 

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Líder religiosa, Mãe Herlânia fala.

PROPOSTA

Um projeto de indicação cunhado pelo vereador José Barreto Couto Filho propondo a criação de mecanismos para inserção de mulheres vítimas de violência no mercado de trabalho foi apresentado durante a audiência. Considerado “vago” pelos movimentos presentes, a proposta, que não explica como criará vagas para essas mulheres, deve ser encaminhada para uma comissão onde os demais vereadores vão modificar e incrementar o texto.

A vereadora Rita Monteiro, em seu segundo mantado, acredita que as discussões sobre criação de políticas para as mulheres devem melhorar com a participação ativa dos movimentos sociais. “Essa é a primeira vez que temos a oportunidade de ter um diálogo assim com a população feminina e, claro, temos que melhorar mais em questão de políticas para segurança e saúde da mulher. A câmara precisa melhorar e eu também preciso dar mais atenção a este assunto”, reconheceu.

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Verônica Carvalho, representante da Frente de Mulheres dos Movimentos do Cariri e Conselho dos Direitos da Mulher Cratense.

CASA ABRIGO

A vice-presidente do Conselho Municipal de Defesa da Mulher de Juazeiro do Norte, Rafaella Duarte, também Secretária Executiva da SEDEST, cobrou a implantação de uma Casa Abrigo para mulheres vítimas de violência doméstica. “Dado os números da violência e a impossibilidade de encaminhamento dessas mulheres, uma casa abrigo é de fundamental importância”, lembrou.

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SERVIÇO

 

Delegacia de Defesa da Mulher – Juazeiro do Norte: (88) 3102-1102

Delegacia de Defesa da Mulher – Crato: (88) 3102-1250

Centro de Referência da Mulher – Crato: (88) 3521 6321 / (88) 3521 6425

Disque Denúncia: 180

 

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