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Mirawê: bioconstrução, veganismo e economia solidária

Espaço no Crato desperta conscientização ambiental

Para chegar ao Mirawê (na serra do Crato) é preciso descer com calma a ladeira de paralelepípedos soltos do bairro Campo Alegre e, depois de virar à esquerda, contornar árvores até chegar ao sítio onde Brisa e Fabrício moram. Para chegar ao Mirawê (“sagrado”, na língua pataxó) também é preciso estar disposto a trilhar o caminho do autoconhecimento, da busca pelo bem-estar e da consciência ambiental.

O espaço de 1,3 hectare, além de abrigar o casal, cresce para se tornar um lugar onde as pessoas vão para compartilhar tempo, experiências e conhecimento a respeito de assuntos que Brisa e Fabrício consideram essenciais: alimentação saudável, uso consciente dos recursos naturais, contato com a natureza, entre outros. Bioconstrução tem sido uma das principais pautas discutidas (e colocadas em prática) na Mirawê. Toda parede ali levantada foi feita usando técnicas da bioconstrução que evitam gerar lixo e degradar o meio ambiente.

Ali desde 2014, Brisa Cabral, bióloga e doutora em agronomia, e Fabrício da Rocha, músico e compositor, deram nome ao lugar depois que visitaram a Aldeia Mãe, em Caraíva (BA), onde eles também foram batizados na língua dos índios pataxós. A filosofia da Mirawê, a casa, é representada em uma mandala feita pelo casal: a cor lilás representa a espiritualidade, o autoconhecimento, o respeito às pessoas e a toda forma de vida, enquanto o verde é a representação da natureza, da preservação e da produção de alimentos sem veneno, de base ecológica e não-predatória.

“Isso norteia nosso pensar, nossas ações aqui”, Brisa explica, “e esses elementos estão em uma espiral porque um complementa o outro. Tudo isso se entrelaça na busca do equilíbrio emocional e do autoconhecimento”.

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As construções em Mirawê são de responsabilidade de Cícero, conhecido como Ciçô Inventor, experiente em trabalhos de bioconstrução e permacultura. A técnica, que envolve o uso de materiais locais e com pouco impacto ambiental, vem sendo aplicada em cada parte do sítio. A primeira a ser levantada foi a cozinha, feita com parede de garrafa pet e barro, com direito a fogão a lenha. Eles então partiram para a casa de Brisa e Fabrício, que tem dois andares e foi feita com taipa leve, barro e raspas de madeira. Troncos de eucalipto – madeira forte – foram usados para fazer a base da construção.

Em vez de uma fossa convencional, a casa tem uma bacia de evapotranspiração, que contém um sistema de biodegradação por bactérias anaeróbicas que geram nutrientes absorvidos pela plantação de bananeiras. Assim, a fossa nunca enche, já que as plantas sugam e jogam a água para a atmosfera.

Brisa explica que os projetos da Mirawê estão só começando. É de interesse deles criar ali um ponto de entrega de lixo orgânico. A comunidade, então, leva em troca o resultado disso, que são os frutos das árvores onde serão usadas as compostagens feitas do lixo. Por enquanto, visitas já vêm acontecendo. A Iguana, empresa de turismo guiado, leva até à Mirawê pessoas interessadas em conhecer o sítio e desfrutar de um almoço vegano com o casal.

Os dois bangalôs em construção, quando finalizados, também poderão ser utilizados por quem quiser visitar a Mirawê – para descansar ou se concentrar em algum trabalho. “Nós não queremos capitalizar”, Brisa explica. “Há muitas moedas dentro da economia solidária. Como, por exemplo, dar uma força na horta, oferecer uma oficina ao pessoal da comunidade, ou pintar o bangalô onde vai se hospedar”.

 

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Brisa Cabral

“Nós estamos pautados nessa questão da redução de lixo e de impacto ambiental. Por isso, decidimos bioconstruir. Desde então, a gente vem crescendo as ações de bioconstrução e de formas alternativas de lidar com a produção de resíduos. Foi aí que decidimos abrir o espaço e, quando estiver mais estruturado, ele vai estar pronto para visitação. Para que as pessoas percebam que há, sim, como conviver de forma harmônica com a natureza sem comprometer a qualidade de vida. Pelo contrário, aumentando a qualidade de vida e o bem-estar.”

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